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José Tobias é o convidado de Marvio Ciribelli domingo no Orquídea |
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O bar Nova Orquídea em Niterói está voltando a ter música aos domingos, desta vez sendo comandada pelo pianista Marvio Ciribelli. O convidado é uma figura legendária da música brasileira, o cantor pernambucano José Tobias. Tobias já trabalhou com gente como Radamés Gnattali e Guerra Peixe. Aos 73 anos, ainda está em forma. Infelizmente é raro conseguir ouvir sua voz em disco, há uma bela participação especial cantando músicas do paraense Waldemar Henrique na coleção Música Popular do Norte da Discos Marcus Pereira.
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Comentários dos leitoresLEGENDÁRIO É POUCO BOTA LEGENDÁRIO NISSO.
TEMOS UNS TRÊS Lps DE ZÉ TOBIAS ALÉM DE COMPACTOS DELE CANTANDO FREVOS AQUI PARA A NOSSA GRAVADORA MOCAMBO. Bernardo Alves- Loja Discos Raros-Recife-. Um pouco mais sobre José Tobias:
No começo dos anos 50, o então cantor da Rádio Borborema de Campina Grande, Gilvan Chaves, apresentou a seus ouvintes um cantor afinadíssimo, de voz grave e timbre metálico. E logo foi avisando: -Quem tiver rádio fraco e de pouca potência pode desligar! Porque a voz desse artista é tão forte que não é todo aparelho que resiste a ela, não! Por uma dessas raras coincidências, houve uma pane no transmissor no exato momento em que o cantor deu seu boa tarde aos prezados ouvintes. A emissora ficou fora do ar. Inúmeras pessoas em pânico, telefonaram para a Borborema indagando sobre o que fazer com os seus aparelhos danificados pelo "cantor da voz grossa". E foi daí que surgiu, no Nordeste, toda uma legenda em torno de José Tobias, o cantor de voz possante, "capaz de estourar válvulas de rádio e arrebentar agulhas de vitrola". O baixo-cantante José Tobias de Santana, ou simplesmente José Tobias, nasceu em 1928, no Recife. Teve a infãncia feliz dos meninos de subúrbio, criado entre peladas e correrias no Poço da Panela, em Casa Forte, na Várzea e em Olinda - esta, um amor seu que dura até hoje - e, antes de tornar-se cantor profissional, foi jogador de futebol e militar. Chegou a jogar no Santa Cruz ("time do meu coração"), levado pelo grande Tará, irmão de Orlando "Pingo de Ouro". Mas era época de guerra e o Recife era considerado ponto estratégico, zona de operações. Aumentando a mobilização militar, o soldado José Tobias ficou praticamente sem tempo para continuar defendendo as cores do time do Arruda. Abandonou, então, o profissionalismo. Mas, não o futebol, que continuou praticando, como velha paixão, em freqüentes peladas com amigos. Seus primeiros contatos com a música deram-se nas serenatas do sítio da Caiara, ao lado de Manu e de seu primo Ciço Marreca, tocador de violão. Tornando-se conhecido nas rodas seresteiras do Recife, foi fácil chegar ao rádio - o que ocorreu graças à providencial ajuda do jornalista Ubirajara Mendes, que o apresentou a Theóphilo de Barros Filho, então diretor da Rádio Jornal do Commercio, do Recife. Do rádio ao disco foi um pulo: graças a Theóphilo, conseguiu gravar em disco Star (Copacabana) "Acauã", de Zé Dantas, com memorável arranjo de Sivuca. Foi o primeiro sucesso. Da Rádio Jornal do Commercio - na época uma das mais importantes emissoras do Brasil - o prestígio de Zé Tobias começou a espalhar-se por todo o país. E quando, depois de algumas apresentações na Rádio Record de São Paulo, ele recebeu o convite de João Calmon para integrar o "cast" da Rádio Tupi, no Rio. Aceitou a proposta. Veio para o Sul no mesmo dia e no mesmo avião em que outro músico famoso, o acordeonista Sivuca, também deixava, de vez, o Recife. Isso foi em 1955. No Rio, José Tobias viu seu enorme talento ser reconhecido pelos mais famosos nomes da música brasileira e também - o que é mais importante - pelo grande público. Suas primeiras gravações tiveram excelente acolhida e aos poucos o Brasil foi descobrindo o "cantor da voz grossa" que o Recife lhe enviara. Ary Barroso, certo dia, descendo as escadas da Tupi, parou, extasiado, ouvindo a voz de José Tobias. Sentou-se num dos degraus e ficou esperando o programa acabar para dizer, emocionado, ao cantor: -Cante sempre assim. Não mude nunca. Com pouco tempo de Rio, José Tobias já era considerado uma das melhores vozes do rádio brasileiro. Sérgio Porto, o saudoso Stanislaw Ponte Preta, que tanta falta faz nos dias de hoje, considerava-o, mais que isso, o maior cantor brasileiro. Chegou até a imaginar o José Tobias num disco que seria uma espécie de antologia da canção brasileira - disco este que, temos certeza, será um dia produzido. Boêmio, freqüentador das rodas noturnas do Rio de Janeiro, amigo de Antônio Maria e Dolores Duran, José Tobias é hoje um homem internacional. E, se não estourou válvulas de rádio e agulhas de vitrola por este mundo afora, certamente deixou deslumbrados franceses, ingleses e germânicos com sua voz quente, redonda, grave, mas possante e terna como sua figura de pernambucano. ( Marcus Vinícius ) Este texto (incompleto) foi extraído da contracapa do disco: Série Grandes Autores, Grandes Intérpretes n.°1 (Copacabana, 1978) - Autor Joubert de Carvalho / Intérprete: José Tobias. Além desse disco, tenho outro, com produção de Hermínio Bello de Carvalho, de 1984. Chama-se "Rapsódia Brasileira" e tem José Tobias e Octeto Brasilis no lado 1 e José Tobias, Radamés Gnattali e Camerata Carioca no lado 2. E, aproveitando para dar mais informações sobre Tobias e sua voz maravilhosa, vou transcrever um trecho do belo texto da contracapa: (...) E essa rapsódia reúne músicas que estão no subconsciente nacional, e foi oportunidade para se agrupar alguns dos nossos melhores músicos em torno de uma das grandes vozes seresteiras do Brasil. Dele, Aurélio Buarque de Hollanda declarou em seu dicionário "ainda está faltando um adjetivo para qualificar a voz de José Tobias". Outro imortal, José Cândido de Carvalho, escreveu: "Cantor de mil cantorias, um dos gogós mais bem providos de bémois e sustenidos de todo o Brasil." ( Hermínio Bello de Carvalho ) Se eu morasse no Rio, não perderia por nada esse show de domingo no Orquídea e também nenhuma outra futura apresentação do José Tobias... |
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