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Uau! Primeiro disco de Canhoto da Paraíba relançado em CD |
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Se a escola de violões é a melhor do mundo, Francisco Soares de Araújo, o Canhoto da Paraíba, é um dos mais surpreendentes expoentes. Seus choros têm um sotaque nordestino delicioso. Seu estilo de tocar é único. Como era obrigado a compartilhar o instrumento com os irmãos, não podia inverter as cordas, o que o fez tocar em um instrumento afinado para destros. O pai não conseguia ensinar-lhe: "Ih, meu filho, tem jeito não. Pra lhe ensinar tem que botá de cabeça pra baixo ou diante de um espelho". Teve que aprender tudo sozinho. "Eu não queria participar daquelas rodas (de choro) como músico. Quando vi o Canhoto tocar fiquei tão entusiasmado que me toquei. Era tão sublime, tão tecnicamente perfeito. Acho que o Canhoto me influenciou a tocar, mais do que meu pai e Jacob (do Bandolim)." Quer mais? Então veja este trecho de entrevista de um dos mais perfeccionistas músicos brasileiros, Jacob do Bandolim. Ele está mostrando uma gravação e falando de 1959, quando recebeu a excursão de músicos nordestinos em sua casa. Veja que ele se refere a Canhoto por seu apelido de "Sacristão", que ganhou quando criança como assistente do padre de sua cidade. Fala aí, Jacob: "... O problema aqui nesta gravação do Chico Soares reside apenas em que vocês pra executarem estas músicas gravadas, vocês vão virar canhotos de uma hora para outra. E só assim, porque o homem tem o diabo no corpo. ... Nós vivíamos a correr de um lado para outro, a tocar para uns, para outros, e todos queriam conhecer o Sacristão, que aliás era o vedete do grupo. E observe bem que você não vai encontrar qualquer erro da parte dele. Quero afirmar a você, sob palavra, que durante os 15 dias que esse homem permaneceu aqui, em nossa casa em Jacarépaguá, este homem repetiu estas músicas várias vezes, dezenas e dezenas de vezes, em vários lugares, nas condições mais absurdas, sentado confortavelmente ou não, num ambiente agradável ou não ... , nas condições mais absurdas. De manhã cedo, às 6h da manhã, ele às vezes me acordava tocando violão. Adormecia tocando violão. Dentro de uma simplicidade tremenda sem errar nem uma nota! Eu nunca vi Sacristão errar uma nota! ... o homem tocava mesmo, não era brincadeira. Os outros tinham suas falhas, suas emoções, suas emotividades, mas o Chico Soares, não. Tocava rindo na minha cara, com um sorriso muito ingênuo de quem não estava fazendo nada de mais. Um artista enterrado lá em Recife ... é digno de toda nossa admiração, de todo nosso respeito, porque ele encarna nesta figura, uma porção de brasileiros que vivem enterrados por estes rincões afora, verdadeiros valores completamente no ostracismo ..." Para conhecer mais sobre o Canhoto da Paraíba e este disco, recomendo a leitura desta excelente reportagem do Jornal do Comércio de Recife que nos foi enviada pela nossa leitora Ana Paula Portella. Tirei dela boa parte das informações para escrever esta notícia. Leia também na página do SESC de São Paulo, um ótimo artigo sobre ele por Arley Pereira e um trecho de sua entrevista para a série de discos "Música Brasileira deste Século vol. 4". Além deste disco "extra" do Sesc, o violonista Mauricio Carrilho tem uma gravação de Canhoto e promete um dia lançá-la como um CD pela sua gravadora Acari Records. Para relembrar: em breve dou mais notícias de como encontrar este primeiro disco. E viva Canhoto da Paraíba!
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Comentários dos leitores Conheço alguns choros executados pelo Canhoto. Realmente ele é diferente e extraordinário.Tem muita habilidade no dominio instrumental. E diga-se que tais coisas fiquem escondidas, reconditas no Brasil!...
Paulo, sou musico profissional e desde 1996 venho desenvolvendo um trabalho sobre a obra de Canhoto. Fico muito contente cada vez que vejo o nome do Canhoto vindo a tona. Trata-se de um musico excepcional, que faz um choro realmente especial e que merece ser cada vez mais e melhor difundido por nossa tão famosa escola de violoes
Canhoto é a coisa mais incrível que já ouvi em termos de violão!! Sou paraibano, mas dificilmente aqui na nossa terra ele é lembrado. Mas precisamos nós, todos os violonistas, a exemplo de Yamandú Costa, Toquinho, João Gilberto, etc, lembrar e dar a ênfase que esse grande músico merece. Como violonista e historiador, pretendo fazer um projeto de pesquisa a respeito da música nordestina, em especial dos violonistas. Qualquer material ou informação sobre o Canhoto pode ser mandada para meu endereço de e-mail.
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