Agenda do Samba & Choro

Café Brasil, o primeiro de uma série de discos do Época de Ouro

Guia do
carnaval de rua do
Rio de Janeiro
 
 Página principal » Notícias » Notícias antigas

Receba grátis nosso informativo:


43888 assinantes
Exemplo | Cancelar | Trocar email Notícias enviadas às terças e sextas.


Assine em um leitor de notícias RSS


Se você gosta de nosso trabalho, nos apóie se tornando um Amigo do Samba-Choro.

Por Paulo Eduardo Neves
Publicada em 11 de Setembro de 2001 
Assunto: CDs

Este disco "Café Brasil" é uma façanha. A começar pelo time de músicos espetaculares que juntou. Foi lançado antes no exterior, onde já vendeu quase 100 mil cópias. Consegue agradar desde quem nunca comprou um disco de choro até a seus cultores. São vários os clássicos como "Noites Cariocas", "Brasileirinho" e "1 x 0". Apesar de serem músicas interpretadas em qualquer roda de choro, cada uma ganha um charme especial que resgata sua originalidade. "Noites Cariocas" vem com um instrumento raro no choro, o acordeon de Sivuca. "1 x 0" refaz o dueto de Benedito Lacerda e Pixinguinha com dois dos nossos maiores instrumentistas de sopros, Altamiro Carrilho e Carlos Malta. "Brasileirinho" vira um duo de bandolim e cavaquinho com os virtuoses Joel Nascimento e Henrique Cazes. O fato de ter várias músicas cantadas torna o disco ainda mais atraente para um público não acostumado a ouvir música instrumental. É um disco de estrelas, como Paulinho da Viola (sempre fantástico), Martinho da Vila e Marisa Monte. A produção é do Rildo Hora.

O disco foi feito especialmente para uma gravadora alemã, que o lançou na Europa e EUA antes do Brasil. Quando começou a ser vendido aqui, já era um sucesso de vendas mundial. Acredito que será o principal responsável pela divulgação do Choro no exterior, depois de penetrações de pequeno alcance, como as coletâneas do Jacob do Bandolim lançadas nos EUA e o grammy latino para o Paulo Moura, e até algumas que não agradaram o paladar estrangeiro, como o disco "Bach in Brazil". O triste é ninguém do Brasil ter investido antes no potencial do choro como música de exportação. Deve ser mais fácil exportar bundinhas.

Há alguns detalhes interessantes. O primeiro é que, ao contrário do anunciado, não é um disco apenas do grupo Época de Ouro. Os virtuoses do mais importante grupo de choro brasileiro são os responsáveis pela maioria das faixas, mas não tocam em todas, como na sublime interpretação de "Meu Primeiro Amor" de Pattapio Silva por Altamiro Carrilho e a pianista Maria Teresa Madeira. Outro segredo é que o Época de Ouro estava há uns 4 anos com um disco pronto, que contava com as participações de vários músicos em cujas gravações o grupo participou, como Marisa Monte, Paulinho da Viola e Elba Ramalho. Apesar de pronto, nunca nunca era lançado, não só devido à miopia das gravadoras, mas também por que seria um trabalhão conseguir a liberação de todos os artistas. Para completar o disco "for export" foram usadas 5 faixas deste disco já pronto. A boa notícia é que as faixas que sobraram, somadas ao sucesso do Café Brasil, serão a base para um novo disco do Época de Ouro. É sempre um prazer inenarrável poder ouvir o Dino no 7 cordas, o Ronaldo no bandolim, o Toni no violão, o Jorginho no Pandeiro, o César Farias no violão e o Jorge Filho no cavaquinho.

Na verdade o disco só tem um único Senão. O preço. Tá certo que é notório que a Warner é a gravadora que pratica os preços mais extorsivos, mas desta vez eles exageraram. Tem loja cobrando por este disco quase -- ai! -- 40 reais. Fique ligado que existem duas versões, uma "simples" e uma "luxo", que vem com um libreto de 44 páginas em uma capa de papelão. A grande dica é fugir da edição de luxo. E não é porque ela não cabe em seu porta-CDs ou por ser preciso derrubar mais árvores para fazê-la. As 9 páginas do encarte da versão simples já vêm com letras, nome de todos os músicos, fotos e comentários do Rildo Hora. A versão "luxo" nada acrescenta que valha, apenas tem as fotos um pouco maiores e uma tradução para o inglês cheia de erros. Não vale a pena. É possível encontrá-lo até por "apenas" R$22.

Outra dica para aliviar seu bolso é participar da promoção da Warner. Eles estão sorteando 5 exemplares do disco. As chances de ganhar devem ser bem boas, pouquíssimos serão os com saco suficiente para preencher os enormes formulários de cadastramento exigidos pelo sítio deles.

Se você já estava feliz que será lançada uma continuação deste disco, pode se animar ainda mais. Nosso leitor americano Mike Quinn está produzindo mais três discos do Época de Ouro. Que beleza! Depois de passar anos sem ser possível comprar um único de seus discos, vários estarão em catálogo. O primeiro já está gravado. Será apenas de clássicos do choro, os desavisados acharão até que é uma coletânea. Conterá só músicas de autoria de Pixinguinha, Nazareth e Jacob do Bandolim, como "Tenebroso", "Vibrações", "Odeon" e "Brejeiro". O segundo disco pegará as raridades, apenas com choros pouco conhecidos. O terceiro homenageará os grandes instrumentistas de sopro, como Abel Ferreira, Luis Americano e Severino Araújo. Eles pretendem chamar alguns dos melhores instrumentistas de sopro, especialmente clarinetistas, para participações especiais. Ainda não há previsão de lançamentos destes discos, já que estão esperando o Época de Ouro saborear um pouco seu sucesso internacional. Pra quem reclamava de falta de discos do Época de Ouro, está na hora de se preparar para o banquete.

Aproveite para ler algumas das críticas e reportagens sobre o Café Brasil: NO (por Paulo Roberto Pires), Tribuna da Imprensa e O Globo (por João Máximo). Não perca a chance e também faça um comentário sobre o que achou do Café Brasil.

Voltar para Manchetes de Setembro de 2001

Enviar por email | Imprimir

Comentários dos leitores

O jornal ESTADO DE MINAS, com sede em Belo Hiorizonte/MG, publicou nesta terça-feira, 11/09, na página 6 do caderno EM Cultura, crítica do jornalista João Paulo Cunha sobre o disco do grupo Época de Ouro. O jornal pode ser acessado no endereço http://www.uai.com.br/em.html
Aqui vai uma cópia.

Bons tempos, ótimo disco
(João Paulo)


O choro é nosso gênero musical que melhor transita entre as tradições popular e erudita. É uma música que exige grande virtuosismo dos intérpretes e, ao mesmo tempo, consegue imediata comunicação com o público. Estes elementos despertaram o interesse na gravadora Teldec, que encomendou a Rildo Hora a produção de Café Brasil, uma antologia belíssima de clássicos do choro, tendo ao centro o grupo Época de Ouro e uma constelação de nomes do primeiro time da música brasileira. O tom do disco não é de comemoração ou homenagem, mas de pura criatividade, com arranjos modernos e improvisos sofisticados e deliciosos. Lançado no mercado europeu, na esteira do sucesso de Bach in Brasil, de Henrique Cazes (um dos melhores discos instrumentais da história da nossa música), ele chega agora ao Brasil.

O grupo Época de Ouro, criado em 1966 para acompanhar Jacob do Bandolim, se apresenta na maioria das canções. É sempre um prazer ouvir Dino 7 Cordas, César Faria (pai de Paulinho da Viola) e Jorginho do Pandeiro criando os desenhos harmônicos e rítmicos para músicas como Noites Cariocas (com Sivuca), Treme-Treme e Mariana. Um dos destaques do disco é o resgate do choro cantado, com as participações de Leila Pinheiro, João Bosco, Paulinho da Viola, Martinho da Vila e Ademilde Fonseca. Sem deixar de lado a força instrumental e criativa das composições, os arranjos reservam à voz um papel de destaque em diálogo com os instumentos. No caso de Títulos de Nobreza, a canção praticamente se desdobra entre o balanço do Época de Ouro e os scats de João Bosco.

Além do Época de Ouro, Rildo Hora convocou grandes músicos que deram sua contribuição na renovação de obras primas. É o caso de 1x0, que tem um dueto fantástico de Carlos Malta no saxofone e Altamiro Carrilho na flauta (que lembra os contrapontos de Pixinguinha e Benedito Lacerda) e que abre ainda espaço para o trabalho do regional. Altamiro apresenta ainda a valsa-choro Meu Primeiro Amor, com Maria Teresa Madeira ao piano. Uma das faixas mais interessantes do disco, propõe um falso duelo entre o bandolim e o cavaquinho. Geralmente, na tradição dos chorões, em festa de um instrumento o outro não entra. Joel Nascimento e Henrique Cazes mostram a capacidade expressiva e de timbre de cada um deles, desmanchando a briga em pura festa.

As melhores faixas de um disco todo ele excelente são Brejeiro, de Ernesto Nazareth, que ganha um arranjo moderníssimo para bandolim (Pedro Amorim) e clarinete (Paulo Sérgio Santos) e André de Sapato Novo, com a mesma formação, com o cavaquinho de Luciana Rabello e o violão de Maurício Carrilho. Em Sarau para Radamés, um encontro para fechar o disco integrando várias gerações de chorões, instrumentistas e arranjadores, com Paulinho da Viola e Cristóvão Bastos (piano) convidando o produtor Rildo Hora para tocar sua harmônica. Um cuidado do coração a mais em um disco cheio de gentilezas com o Brasil.
Mário Sérgio Brant Fernandes
11 de Setembro de 2001 #

Depois do comentário de Mário Sergio, não ficou quase nada para dizer. Só que o cd é uma beleza, não pode faltar!!! Dificil dizer qual a melhor das músicas desse cd. Todas de uma qualidade incrível. A versão de Sarau para Radames é ótima. O choro que canta Paulinho, Martinho,João Bosco, Marisa, e.... Época de Ouro, Mauricio, em fim se continuar vou terminar falando de todas as músicas. Quem gosta do choro, deve comprá-lo (ou gravar, ou pedir, ou.. sei lá... mas tem que ter).
DANIEL GILIBERT
16 de Setembro de 2001 #

PROGRAMA DO JÔ: EPOCA DE OURO X FUNDO DE QUINTAL.
HÁ POUCO TEMPO ESTAVA ASSISTINDO AO PROGRAMA DO JÔ, E FIQUEI A PRINCIPIO FELIZ, EM SABER QUE UM DOS SEUS CONVIDADOS SERIA O GRUPO EPOCA DE OURO, CHORÃO COMO SOU, NÃO PODIA JAMAIS PERDER ESTA OPORTUNIDADE DE VER E OUVIR ESTE GRANDE GRUPO, MAS QUAL FOI A MINHA MAIOR DECEPÇÃO COM UMA ENTREVISTA QUE SE LIMITOU A FALAR SOBRE A CAPA DO DISCO, PEDIR PARA CADA MUSICO FAZER UM SOLO E A COMENTAR QUE O GRANDE CESAR FARIAS ERA PAI DO PAULINHO DA VIOLA, MOBTRANDO ASSIM UM TOTAL DESCONHECIMENTO DA HISTORIA DO GRUPO. POR OUTRO LADO,
MAIS RECENTEMENTE ESTAVA LÁ TAMBEM O GRUPO FUNDO DE QUINTAL PARA LANÇAR O SEU NOVO CD, COM ELES FOI DIFERENTE, O JÔ SABIA QUASE TUDO, SE NÃO SABIA PERGUNTOU SOBRE A FORMAÇÃO ANTIGA, FORMAÇÃO ATUAL, QUEM ERA CARIOCA, QUEM ERA PAULISTA, CRIAÇÃO DE NOVOS INSTRUMENTOS, ENFIM UM SHOW. AGORA EU PERGUNTO PORQUE ESSA DIFERENÇA ENTRE OS DOIS GRUPOS?
GILDO DO PANDEIRO
17 de Setembro de 2001 #

tenho grande interesse em adquirir o cd cafe brasil. moro em joao pessoa-paraiba, e em nossas lojas ja procurei e nao encontrei o cd. existe condicoes de voces me indicarem onde poderei encontra-lo e se possivel indicar lojas onde poderei adquiri-lo atraves de e- mail ou compra atraves de cartao de credito. aguardo noticias atraves meu e-mail. obrigado.
ELIU LUNA
3 de Novembro de 2001 #

Disco bellissimo che, oltre ad essere anche gradevolissimo riveste un importante significato di documento storico riguardo al choro cancao.
Ottima performance di tutti gli esecutori.
Disco da ascoltare in ogni modo.
Pasquale
Pasquale Sacceddu
24 de Novembro de 2002 #

Índice
Manchetes de Setembro de 2001

<< Anterior
"Todas", o novo disco de Jorge Aragão

Próxima >>
Rodrigo Lessa lança segundo CD solo, "Feito a Mão"


» Envie esta notícia para um amigo

» Imprima esta notícia


Notícias | Casas com música | Artistas | Tribuna Livre | Artigos e debates | Fotos | Partituras | Compras | Amigos do Samba-Choro | Busca

Receba notícias sobre samba e choro por email:

Contato | Privacidade | Sobre este sítio
©Copyright 1996-2012
Samba & Choro Serviços Interativos LTDA
(Todos os direitos reservados).