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Riachão lança seu CD no Sesc Pompéia |
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Ainda que com um pouco de atraso, não podíamos deixar de registrar a presença do grande sambista baiano Riachão na terra da garoa, nesta quinta e sexta-feira no Sesc Pompéia, para o lançamento de seu segundo CD “Humanenochum” (quem souber como se pronuncia direito, cartas para a redação), que faz um grande apanhado da carreira do compositor, com grandes sucessos e também canções inéditas. Ele é, sem dúvida, um dos mais importantes nomes do time de bambas que segurou firme a tradição do samba na boa terra, ao lado de seu grande parceiro Batatinha e de outros excelentes compositores como Nelson Rufino, Ederaldo Gentil e Edil Pacheco. Participações especiais de Cássia Eller (quinta) e Tom Zé (sexta).
Voltar para Manchetes de Agosto de 2001
Comentários dos leitoresSaiu uma reportagem legal sobre o Riachão no Estadão. Não deixe também de ler este texto bacana sobre ele publicado em junho.
O espetáculo proporcionado por este bom baiano, muito arisco e de fala mansa, doce, como convém a um malandro da antiga, encheu os olhos de quem esteve no teatro do Sesc Pompéia e a mim deixou um sem número de reflexões. Eu que detesto as importações vocabulares, para definir Riachão, no entanto, não encontrei palavra vernácula que calhasse melhor que show man.Òtimo compositor, com sambas de uma linhagem (hoje em dia escassa) tão apropriada à alma galhofeira do brasileiro, com linguagem simples, temas cotidianos e muita, mas muita ginga e picardia. Bom cantor, daqueles que, a despeito da voz curta, sabem “dizer o samba” (como se usava antigamente, até para se marcar uma contraposição à maneira impostada de se entoar as valsas, modinhas e canções então em voga) com uma graça toda própria. Maravilhoso bailarino, sambou do alto de seus quase oitenta anos durante uma hora e quarenta minutos contados, sem parar, com um estilo e maestria dificílimos de imitar.
As refelxões? Bem... A maioria não deveria sair da minha mesa de bar. Mas por que nós, brasileiros, deixamos um verdadeiro Sam Davis Jr. do Recôncavo plantando jiló por trinta anos num ranchinho no Garcia? Por que esse samba baiano, tão singular, de uma levada que tenho grande dificuldade de reproduzir, floresceu tão pouco (ficou restrito a meia dúzia de bons compositores) numa terra tão fértil como a Bahia? Meu Deus, como esta terra brasileira é abençoada de ritmos e baticuns tão mesmos e tão diversos. Tem coco, embolada, choro, carimbó, jongo, calango, maxixe, samba. No samba, tem partido-alto, samba-canção, samba-choro, samba-enredo, amaxixado, samba de roda, de gafieira, sincopado, de breque. E o samba paulista é muito diferente do carioca, que por sua vez é diferente do baiano. E se faz bom samba no Maranhão, no Pará e em Pernambuco. E o Rio Grande, lá na pontinha, nos deu Lupicínio. Até quando vamos deixar que nos façam ouvir uma coisa só? Ou até quando nós mesmos, que escrevemos, tocamos, cantamos e ouvimos, insistiremos em cozinhar tudo no mesmo caldeirão? |
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