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Sambistas veteranos tomam conta do CCBB no show "Meninos do Rio"

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Por Paulo Eduardo Neves
Publicada em 5 de Fevereiro de 2001 
Estado: RJ 
Assunto: Shows e Rodas

Esta é a estréia oficial da Carioca Discos, uma gravadora dedicada inteiramente ao samba. Seu primeiro disco é o "Meninos do Rio", um nome carinhoso para uma grande reunião de sambistas veteranos que não têm o merecido reconhecimento do grande público. Eles se apresentam nas próximas terças feiras no teatro 2 do CCBB.

Uma turma que entende do assunto é dona da gravadora, o produto Paulinho Albuquerque, uma turma do grupo Toque de Prima e o violonista, compositor e arranjador Cláudio Jorge, cujo segundo disco será também o segundo lançamento da gravadora.

Pelo menos aqui no nosso cantinho virtual, os Meninos do Rio são figurinhas fáceis. Alguns da turma dispensam apresentações, como Nelson Sargento, Monarco, Elton Medeiros e a "menina" do grupo, Dona Ivone Lara. Dos outros, muita gente vem das velhas guardas das escolas. Da Mangueira vem Jurandir, compositor de sambas-enredo e um dos melhores intérpretes da velha guarda verde e rosa. Jair do Cavaquinho, é o integrante da Velha Guarda da Portela. Seu Jair faz parte da história do samba, participou do show Rosa de Ouro, do grupo Voz do Morro e foi parceiro de Nelson Cavaquinho. Do Império Serrano, cuja velha guarda está cada vez melhor, vêm dois meninos, Nilton Campolino e Aluízio Machado. Campolino é o único remanescente da velha guarda original do Império, trazendo a tradição dos jongos do morro da Serrinha. É um mestre do partido alto, tendo dividido um disco com o legendário Aniceto do Império. Sua música "Delegado Chico Palha" é uma das melhores do último disco de Zeca Pagodinho, que também já gravou "Colete Curto". Aluízio Machado é nada menos do que o compositor que mais venceu sambas enredo na Império, talvez a escola que tenha as melhores composições neste gênero. Ele é, junto com Beto Sem Braço, o autor de "Bumbum, Paticumbum, Prugurundum" e "Mãe Baiana Mãe". Seu jeito dramático de cantar, sempre com muita gesticulação, é um barato. Completando os integrantes das velhas guardas, está Dauro do Salgueiro, parceiro de Nei Lopes e autor da excelente "Raio de Luar".

Das outras escolas que não têm uma velha guarda organizada, estão Luiz Grande e Niltinho Tristeza da Imperatriz Leopoldinense, e Baianinho da Em Cima da Hora. Luiz Grande tem várias músicas gravadas por Zeca Pagodinho e Bezerra da Silva, seu estilo é marcado por sambas engraçados e sincopados. Baianinho é autor de de "Ê Baiana", grande sucesso de Clara Nunes, e Niltinho de um dos sambas mais conhecidos do mundo, "Tristeza" (Tristeza, por favor vá embora...), uma parceria com Haroldo Lobo.

Os shows terão ainda o auxílio luxuoso de músicos que não estão no disco, Nei Lopes, Zé Luiz (da Velha Guarda do Império) e Casquinha (da Velha Guarda da Portela). Anote aí a programação:

  • Dia 6 - Nei Lopes (Vila Isabel); Jurandir da Mangueira (Mangueira); Luiz Grande (Imperatriz); Jair do Cavaquinho (Portela) e Zé Luiz (Império).

  • Dia 13 - Nelson Sargento (Mangueira); Aluízio Machado (Império); Dauro do Salgueiro (Salgueiro); Casquinha (Portela) e Niltinho Tristeza (Imperatriz).

  • Dia 20 - Monarco (Portela); Campolino (Império); Dona Ivone Lara (Império); Elton Medeiros (Aprendizes de Lucas) e
    Baianinho (Em Cima da Hora).


Acompanhando-os uma turma da pesada: Claudio Jorge (violão)/ Carlinhos Sete Cordas (violão sete cordas)/ Wanderson Martins (cavaquinho)/ Gordinho (surdo)/ Marcelinho Moreira (percussão)/ Armando Marçal (percussão)/ Ovidio Brito (percussão)/ Felipe de Angola (percussão) e o coro de Ary Bispo/ Cavalo/ Copacabana/ Jurema de Candia e Dinorah.

É sempre às terças no Teatro 2 do CCBB em dois horários, às 12h30 e às 18h30. Ingressos a R$6. Vale a pena comprar logo tudo de uma vez, pois os ingressos costumam esgotar. Para quem quiser ainda mais informações, estou colocando como comentário desta notícia o ótimo texto de divulgação do show, onde se fala um pouquinho de cada intérprete e das músicas que vão apresentar.

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Comentários dos leitores

DIA 06/02, às 12h30 e às 18h30

JAIR DO CAVAQUINHO - Portela/ NEI LOPES - Vila Isabel/ JURANDIR DA
MANGUEIRA - Mangueira/ ZÉ LUIZ - Império Serrano/ LUIZ GRANDE - Imperatriz
Leopoldinense

No primeiro dia do projeto "Os Meninos do Rio", 06 de fevereiro, o
Centro Cultural Banco do Brasil vai reunir no mesmo palco Jurandir da
Mangueira; Nei Lopes, da Vila Isabel; Jair do Cavaquinho, da Portela; Zé
Luiz, do Império Serrano, e Luiz Grande, da Imperatriz Leopoldinense.

Nascido em Campos, em 1939, Jurandir Pereira da Silva, o Jurandir da
Mangueira, veio para o Rio ainda garoto. Cantor de voz privilegiada, é
co-autor, em parceria com Hélio Turco e Comprido, entre outros, dos
sambas-enredo mangueirenses de 1969, 1971, 1978, 1984 e 1988, este o
antológico "Cem Anos de Liberdade: Realidade ou Ilusão?", uma das músicas
escolhidas para o show no CCBB. Jurandir vai mostrar ainda seu famoso samba
de quadra "Transformação" e "Vovó Chica", sucesso na voz de Beth Carvalho,
entre outras composições.

O portelense Jair do Cavaquinho selecionou cinco sambas de sua autoria
que prometem sacudir o público do CCBB. Entre eles, estão: "Vou Partir" (em
parceria com Nelson Cavaquinho), gravada por Elisete Cardoso em 65, "Quando
a cidade dorme" (também com Nelson), de 75, e o inesquecível "Pecadora",
sucesso gravado por Nara Leão em 76. O repertório inclui ainda "Barracão de
Zinco", sua primeira composição, gravada por Jamelão em 62. Nascido em
1922, Jair do Cavaquinho tornou-se conhecido ao participar do espetáculo
Rosa de Ouro, estrelado por Clementina de Jesus e Araci Cortes, em l965.
Também foi um dos destaques grupo A Voz do Morro, liderado por Zé Kéti.
Integrante do prestigioso conjunto da Velha Guarda de sua escola, antes de
ser "do Cavaquinho" foi Jair "do Tamborim", instrumento que tocava na
"Tabajara", como era conhecida a bateria da Portela.

Nascido no Irajá em 1942, Nei Lopes ingressou no Salgueiro aos 20 anos
e, lá, de simples componente, mais tarde, integrou a ala de compositores e
a da Velha Guarda. Em 1990 transferiu-se para a Vila Isabel, onde foi, por
duas gestões, diretor cultural. Seu CD mais recente, lançado este ano,
chama-se "De Letra & Música", no qual divide interpretações com Chico
Buarque, Alcione, Emílio Santiago, Martinho da Vila e Zeca Pagodinho, entre
outros amigos. Deste novo trabalho, Nei Lopes vai mostrar no CCBB o samba
"Senhora da canção", que compôs em homenagem a Dona Ivone Lara. Nei
selecionou ainda para cantar no CCBB o samba "Senhora liberdade", de 1980,
gravado por Zezé Mota, "Flor dos tempos", que compôs ao entrar para aVila
Isabel, e "Epopéia de Zumbi", samba-enredo de sua autoria para o
G.R.A.N.E.S. Quilombo, fundado por Candeia em 75, entre outros sambas.

Compositor de inúmeros sucessos gravados pelo grupo Fundo de Quintal e
outros intérpretes, Zé Luiz nasceu em 1944 e hoje faz parte da Velha Guarda
do Império Serrano. Entre os sambas de sua autoria que escolheu para cantar
no CCBB, estão sucessos como "Todo menino é um rei", de 78, e "Tempo Ê", de
76, (ambos em parceria com Nelson Rufino e Nei Lopes), além de "Malandros
maneiros", famoso na voz do saudoso Roberto Ribeiro.

Carioca de 1946, Luiz Grande é compositor da Imperatriz e um dos
grandes estilistas do samba. Seu jeito peculiar de compor, com ênfase no
sincopado, está presente em memoráveis gravações de João Nogueira, como "A
força do samba" (1980) e "Maria Rita" (1978), esta uma das músicas que Luiz
escolheu para o show de abertura do projeto "Os Meninos do Rio" no CCBB. Em
parceria com Barbeirinho e Marcos Diniz, Luiz Grande tem também vasta e
bem-humorada obra, centrada no quotidiano das favelas, do subúrbio e da
Baixada. Desse repertório, selecionou duas composições inéditas para o
show: "Talento e sacrifício" e "CPI dos perucas de touro".


DIA 13/02, às 12h30 e às 18h30

NELSON SARGENTO - Mangueira/ ALUÍZIO MACHADO - Império Serrano/ CASQUINHA -
Portela/ DAURO DO SALGUERO/ NILTINHO TRISTEZA - Imperatriz

O projeto "Os Meninos do Rio", do Centro Cultural Banco do Brasil,
recebe, no dia 13 de fevereiro, os convidados Nelson Sargento, da
Mangueira; Aluízio Machado, do Império Serrano; Casquinha, da Portela;
Niltinho Tristeza, da Imperatriz Leopoldinense, e Dauro do Salgueiro.
O palco do Teatro 2 do CCBB vai tremer ao som do antológico "Bumbum
praticumbum prugurundum", de Aluízio Machado, em parceria com Beto Sem
Braço, de 1982, quando o Império Serrano fai o campeão do Carnaval. Esse é
um dos sete sambas-enredo compostos por Aluízio para o Império nas décadas
de 80 e 90. Nascido em 1939, Aluízio tem composições gravadas por Martinho
da Vila, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho e outros grandes intérpretes. Outras
músicas de sua autoria que vai mostrar no CCBB são "Minha filosofia" e
"Falange de Erê".

Nelson Sargento é apelido e nome artístico de Nelson Matos, sambista e
artista plástico. Nascido em 1924, faz parte da galeria da ala de
compositores da Mangueira. Seu primeiro grande êxito foi o samba-enredo
"Cântico à Natureza", também conhecido como "Primavera", que compôs em
parceria com seu padrasto Alfredo Português. Grandes sucesso do Carnaval de
1955, este samba foi eleito em 75 um dos mais belos da história da verde e
rosa. Prestigiado sambista, Nelson Sargento vai interpretar no CCBB, além
de "Primavera", clássicos de sua autoria como "Agoniza mas não morre",
lançado em 78 por Beth Carvalho, e "Falso amor sincero", de 79, entre
outras músicas suas.

Casquinha é apelido e nome artístico do carioca Oto Henrique Trepte
nascido em 1922, filho de alemão e negra. Compositor, membro fundador do
tradicional conjunto da Velha Guarda da Portela, divide com Paulinho da
Viola a autoria do samba "Recado", de 1965, uma das músicas que vai
mostrar no CCBB. Letrista irreverente e malandro, era considerado por
Candeia como seu parceiro mais próximo.

Dauro do Salgueiro nasceu na Tijuca, em 1935. Melodista inspirado, é
autor de grande sambas, ainda inéditos, que animaram o terreiro
salgueirense nos anos 60. No CCBB, vai cantar "Segredo das minas do rei
Salomão", samba-enredo de sua autoria e com o qual sua escola conquistou o
primeiro lugar no desfile de 1975. No repertório estarão ainda seu "Hino de
amor ao salgueiro", também de 75, e "Raio de Luar", sucesso na voz de
Alcione, entre outras composições.

Nascido em 1936, Niltinho Tristeza ganhou seu nome artístico (o civil é
Nilton de Souza) por conta de um sucesso que chegou aos 30 anos de idade.
Seu samba "Tristeza" (em parceria com o saudoso Haroldo Lobo), uma das
músicas brasileiras mais regravadas e conhecidas em todo o mundo,
tornou-se o grande sucesso do carnaval de 1966, na voz de Ari Cordovil.
Outro grande sucesso que Niltinho vai apresentar no CCBB, durante o show do
projeto "Os Meninos do Rio", é o samba "Chinelo novo", que compôs em
parceria com João Nogueira e que foi um dos mais populares do Carnaval de
1971. Entre outras músicas de sua autoria, Niltinho, integrante Ala de
Compositores da Imperatriz Leopoldinense, vai brindar o público do CCBB com
seu inesquecível samba-enredo "Liberdade, Liberdade", campeão de 1989.


DIA 20/02, às 12h30 e às 18h30

MONARCO - Portela/ BAIANINHO - Em Cima da Hora/ CAMPOLINO - Império
Serrano/ D. IVONE LARA - Império Serrano/ ELTON MEDEIROS - Aprendizes de
Lucas

Encerrando a série de shows "Os meninos do Rio", no dia 20 de
fevereiro, sobem ao palco do Teatro 2 do Centro Cultural Banco do Brasil
Monarco, da Portela; Nilton Campolino e Dona Ivone Lara, ambos do Império
Serrano; Baianinho, da Em Cima da Hora, e Elton Medeiros, da Aprendizes de
Lucas.

Baianinho, na carteira de identidade Eládio Gomes dos Santos, nasceu
em Salvador, Bahia, em 1936, mas veio para o subúrbio carioca de Cavalcante
com 10 anos de idade. Clarinetista na banda da escola onde estudou, em 1959
participou da fundação da Escola de Samba Em Cima da Hora. Compositor e
cantor de timbre personalíssimo, é autor de diversos sambas-enredo com
que sua escola desfilou. Entre eles, o belo "O saber poético da literatura
de cordel", de 1973, que será apresentado no CCBB. Outra composição de sua
autoria que estará no show é o sucesso "Ê, Baiana", gravado por Clara Nunes
em 1971.Baianinho vai mostrar em primeira mão duas composições inéditas: "O
homem" e "Como dói a saudade".

Monarco (de "monarca", por conta de uma fantasia de rei que vestiu na
infância) é apelido e nome artístico de Hildemar Diniz, ex-contínuo,
guardador de carros e feirante, nascido em 1933. Compositor, cantor e
cavaquinhista, foi, durante algum tempo, o mais jovem integrante do
conjunto musical da Velha Guarda da Portela, do qual se tornou líder após
a morte de Manacéia, em 1995. Com obra gravada em disco desde 1957, é
autor de sambas registrados por Martinho da Vila, Clara Nunes, Beth
Carvalho, Zeca Pagodinho e outros intérpretes de renome. Com sua grave e
aveludada voz, que já lhe rendeu o Prêmio Sharp de melhor cantor de samba,
Monarco vai brindar o público do CCBB com grandes composições de sua
autoria, como o samba "Passado de Glória", gravado por Paulinho da Viola em
1970, e "Vai vadiar", sucesso na voz de Zeca Pagodinho, entre outras.

Nascida em 1922, Dona Ivone Lara, a primeira dama do samba, pertence a
uma das famílias fundadoras do Império Serrano, escola em que integrou a
ala das baianas, e para a qual compôs, em parceria assinada por Silas de
Oliveira, Mano Décio e Bacalhau, o samba-enredo de 1965 (Cinco Bailes da
História do Rio), apontado por Sérgio Cabral em seu livro "As Escolas de
Samba do Rio de Janeiro", como o grande sucesso popular da avenida. Além
deste samba-enredo, Dona Ivone Lara vai cantar, de sua autoria, sucessos
como o inigualável "Sonho Meu", gravado por Maria Betânia, e "Acreditar",
gravado por Roberto Ribeiro, entre outros sambas.

Também da Velha Guarda do Império Serrano, apresenta-se no CCBB o
jongueiro e curimbeiro Nilton Campolino. Nascido em 1930, foi integrante do
G.R.A.N.E.S. Quilombo, fundado por Candeia em 1975. Em 1977 gravou em dupla
com o legendário Aniceto do Império, o LP "O Partido-alto de Aniceto e
Campolino". Entre as músicas que selecionou para os shows no CCBB, estão o
samba "Menino de 47", em homenagem a sua Escola, "Colete Curto" e "Delegado
Chico Palha", gravado por Zeca pagodinho em seu último CD.

Elton Medeiros , nascido em 1930, é um dos grandes nomes do samba.
Egresso da Escola de Samba Aprendizes de Lucas, é exímio ritmista com a
caixa-de-fósforos e tem forte formação de teoria musical. Um dos parceiros
mais constantes de Paulinho da Viola, Elton Medeiros vai apresentar no CCBB
pérolas como o antológico "Mascarada", que compôs em parceria com Zé Keti,
em 1964, além dos sambas "O sol nascerá" (em parceria com Cartola), também
de 64, Pressentimento (parceria com Hermínio Belo de Carvalho), de 73, e
"Conselho" (em parceria com Kleber Santos), de 66.
Paulo Eduardo Neves
5 de Fevereiro de 2001 #

Infelizmente não pude assistir ao Show Meninos do Rio pq estava em férias,como posso conseguir o CD?
Agradeço desde já.
Abraços a todos inclusive Zé Luiz.
Míram
Miriam Tereza Menezes Bandeira
3 de Abril de 2001 #

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