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"Eu quero é Rosetar": Sururu na Roda canta Haroldo Lobo até 17/2

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Por Eugênia Rodrigues
Publicada em 14 de Janeiro de 2010 
Estado: RJ 
Assunto: Carnaval

"Eu Quero É Rosetar - 100 anos de Haroldo Lobo" é o nome da série de shows (desenvolvida pelo pesquisador Carlos Monte) que o Sururu na Roda faz toda quarta no Centro Cultural Carioca. A homenagem é ao carioca autor de mais de 600 músicas, que já fez todos nós cantarmos.

A série vai até 17 de fevereiro. Arranjos do Sururu, do violonista Serginho da Glória e do pianista e acordeonista Marcelo Caldi. Participação adicional dos músicos Marcelo Caldi (teclados e acordeon), P.C. Castilho (sopros), Serginho da Glória (violão) e Naife Simões (percussão).

Couvert a R$ 20, show às 21h.

Segue abaixo o texto com que o querido amigo Gerdal J. de Paula saudou o show.

"Ao lado de Braguinha, Lamartine Babo e João Roberto Kelly, o guarda municipal Haroldo Lobo, nascido na Gávea em 1910, figura como um dos quatro grandes do repertório de marchas carnavalescas, para o qual concorreu com o maior número de gravações e de sucessos - das mais de 600 músicas que lançou, quase 500 foram para o carnaval, de 1934 a 1965, ano de sua morte. Contando o mais das vezes com o apoio valioso de Milton de Oliveira, parceiro e caititu, Haroldo foi o cidadão-folia por excelência, sempre à frente do carnaval de rua e de salão do Jardim Botânico, onde morava, extraindo de uma anedota ou de um fato do cotidiano, por exemplo, a seiva com que nutria suas composições de sucesso. Nesse bairro, servia-se do Carioca, clube do qual foi presidente, como um termômetro de aceitação de seus sambas e marchas. Músicas ali lançadas informalmente com um ano de antecedência em relação ao seu registro em disco e que, no carnaval seguinte, animavam os brincantes de toda a cidade e de todo o país. Assim, por exemplo, seus amigos e os sócios do clube conheceram, em primeiro grito, "Serpentina", em 1949, que, um ano depois, se incorporaria ao nosso patrimônio cultural, cantada a plenos pulmões nos dias de Momo. Também liderou por muitos anos, desde o início da década de 40, o Bloco da Bicharada, cujos integrantes, majoritariamente ligados ao Carioca, com fantasias de animais à base de arame e papel, percorriam o bairro em desfiles memoráveis que divulgavam não só a produção de Haroldo como a de outros compositores.

Se "Índio Quer Apito", gravada pelo baiano Walter Levita, "Verão no Havaí", por Francisco Alves e Dalva de Oliveira, "A Coroa do Rei", por Dircinha Batista, e "Pescador", pelo conjunto Quatro Ases e um Curinga, são marchas que faziam de Haroldo Lobo um peixe dentro d`água no carnaval, evoluindo com invejável desenvoltura, seus sambas para o período não ficavam atrás. Simplesmente exemplares são "Juro", gravado por J. B. de Carvalho, "E o 56 Não Veio", por Deo, "Pra Seu Governo", por Gilberto Milfont, "Emília", por Vassourinha, e "Rosalina", joia redescoberta por Toquinho, conhecida primeiramente na voz de Jorge Veiga. Por meio do Caricaturista do Samba, Haroldo colheria, fora do carnaval, os frutos do sucesso de "Recado Que a Maria Mandou" e "A Mulher Que Eu Gosto", ambos os sambas em parceria com Wilson Batista, e "Amanhã Tem Baile", em disco de Vassourunha, e "Porteiro, Suba e Veja", em registro de Patrício Teixeira, mostrando, portanto, que o seu talento criativo cortejava ainda a cadência mais lenta e menos vibrante dos "hits" de "meio de ano", como se dizia.

Também as noites de Santo Antônio, São João e São Pedro não eram noites comuns para Haroldo Lobo, mas de céus inspiradores de canções. Em cada estrela dessas noites um sucesso a iluminar e animar as festas juninas e, em particular, a movimentação dos pares nas quadrilhas, com "A Sanfona do Mané", "Lá Vem a Rita", "O Sanfoneiro Só Tocava Isso", "Dia dos Namorados", "O Baile Começa às Nove" etc. À dessemelhança de outros expoentes de sua geração, como Ari Barroso e Lamartine Babo, este também um grande compositor junino, Haroldo sempre esteve à sombra de sua obra. Embora expansivo com os amigos, era um homem de trato habitualmente reservado e arredio a entrevistas. Talvez por isso seja, para muitos, aquele ilustre desconhecido de músicas tão manjadas e curtidas, tanto ao som de metais em brasa momesca quanto ao som de sanfonas invernais. Um pelé da inspiração buriladamente simples, de largo apelo popular, que viveu tão discretamente como morreu, num 20 de julho, em seu apartamento na Rua Faro, no Jardim Botânico, vítima de sorrateiro enfarte, na calada da madrugada, há quase 45 anos"
.

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Comentários dos leitores

LOBO NA PRAÇA

Nunca há tempo ruim
Para o bom sempre na moda.
Do princípio até o fim
Ouço o Sururu na Roda.

O conjunto agora está
Esquentando até o fogo.
No “Eu quero é rosetar”
Do saudoso Haroldo Lobo.

Este homenageado
Quando chega ao centenário.
Qualidade do passado
No presente em relicário.

Mais completo o embalo
Se maiores informações
Em pequenos intervalos
Entre os blocos das canções.

Mas não tira mesmo o brilho
De toda programação.
Com vocês eu compartilho
Essa recomendação.

Antonio Francisco
Catete
Antonio Franciisco da Silva
16 de Janeiro de 2010 #

O SURURU NA RODA é uma das mais brilhantes jóias musicais dos últimos tempos. A qualidade musical deste grupo transcende o imaginável. è uma delícia ver e ouvi-los sempre. Com certeza amanhã estarei lá.
Um abração a todos.
josé medeiros machado
20 de Janeiro de 2010 #

Mais importante do que ouvir o "Sururu na Roda" e assistir às suas apresentações, com o seu som equalizado e metálico, que encanta a todos nós, além do grande profissionalismo dos seus componentes, com a esplendosa Nilze Carvalho à frente. Parabéns pela grande homenagem ao mestre Haroldo Lobo, cuja grande obra está sendo resgatada.
Paulo Roberto Ferreira de Souza
25 de Janeiro de 2010 #

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