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Clube do Samba continua, sempre iluminado por João Nogueira

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Por Paulo Eduardo Neves
Publicada em 5 de Janeiro de 2001 
Estado: RJ 
Assunto: Shows e Rodas

"É por isso que eu vivo no Clube do Samba
Essa gente bamba eu me amarro de montão
"
(João Nogueira)

Na década de 80, quando o Samba começou a ser abafado pelo mercado fonográfico e pela mídia cada vez mais controlada pelo jabá, João Nogueira fundou o Clube do Samba. Os bailes lotavam toda sexta feira, primeiro na sede do Flamengo no Morro da Viúva, depois na Barra da Tijuca. Era frequentado por uma turma da pesada, Beth Carvalho, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Clara Nunes, Roberto Ribeiro, Zé Ketti e Nei Lopes. Cuidando do som havia uma orquestra de samba só com monstros liderada por Wilson das Neves. Deste clube, João era o presidente.

Na década de 90 o clube virou um bloco de carnaval. Sem dúvida um dos responsáveis pela revitalização do cada vez mais animado carnaval de rua do Rio. A picardia de João e os sambas de cunho político ficaram sendo sua marca registrada. Mesmo já doente, ele fazia de tudo para pôr o bloco na rua.

Após sua passagem, a família e amigos resolveram não deixar a bola parar. O Bloco do Clube do Samba, sob a batuta da presidente Angela Nogueira, começa a ensaiar de 5 de janeiro a 23 de fevereiro na Fundição Progresso (Lapa), com a presença de convidados a cada sexta-feira, a partir das 19h. O tema de 2001 do bloco será seu eterno presidente, abordando os eventos que marcaram o ano (juiz Lalau, Wanderley Luxemburgo, Jorgina e outras histórias de corrupção). A ala de compositores do Bloco -- composta por Paulo César Feital, Paulinho Soares, Edmundo Souto, Luiz Carlos da Vila, Walter Alfaiate, Jorge Simas, Gisa Nogueira, Celso Lima, Athayde, Dalmo Castelo, Paulinho Tapajós -- se reuniu no último dia 26, no Restaurante Alcazar, e compôs, coletivamente, o samba deste ano, "Como Diria João". A letra do samba, assim como um texto de Antonio Carlos Athyade sobre o clube estão nos comentários desta notícia.

O Clube estréia nesta sexta (05) com uma super roda de samba. Ingressos a R$6. A medida que os dias forem chegando vamos divulgar os bambas convidados de cada dia. Participam desta primeira roda o Grupo do Gallotti, Hilton do Candongueiro, o Grupo Intimidade e sua madrinha atriz Susana Vieira, G.R.E.S. Escola de Samba Grande Rio, G.R.E.S. Beija Flor de Nilópolis, Martinália, Jaime Costa e Diogo Nogueira. Com certeza João estará lá também.

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Comentários dos leitores

COMO DIRIA JOÃO (CLUBE DO SAMBA 2001 - ala compositores)
Como diria João
Melhor é viver cantando
Contra essa corrupção
Se a coisa pega
Se segura meu irmão
Eu tô de saco cheio disso tudo
Mas eu não sou de ficar mudo
Prá não perder a tradição
Missão de carregar essa bandeira
Pôr que eu sou nó na madeira
Jamais gostei de armação

Chega de Ter Nicolau e Jorgina
Malandro roubando lá em cima
E o povo de pires na mào
O amor,
De Renatinha e Wanderley
Tem tantas contas que eu nem sei
Que até Luiz Estevão levou grana
Dancei
Nesse seu sonho de consumo
Fernando Pitta e a gente leva fumo

Bis Araponga grampeando
Cacciola deu no pé
Maradona cafungando na chuteira do Pelé

(qualé)

Assim, cheia de agouro e maus ventos
Foi-se a nau dos quinhentos
Na maior cara de pau
As pragas e ervas daninhas
As armas e homens de mal
Naufragam nesse carnaval

Bis Afundei e era um submarino
era um submarino
era um submarino


Paulo Eduardo Neves
5 de Janeiro de 2001 #

Como diria o nosso poeta, Paulo Cesar Pinheiro:

"A vida é mesmo uma missão
a morte é uma ilusão
só sabe quem viveu
pois quando o espelho é bom
ninguém jamais morreu"

Por isso, mais do que nunca, o grande mestre do samba, João Nogueira está mais vivo do que nunca!!!!
Leandro da Costa Saramago Pinheiro
5 de Janeiro de 2001 #

Como diria o nosso poeta, Paulo Cesar Pinheiro:

"A vida é mesmo uma missão
a morte é uma ilusão
só sabe quem viveu
pois quando o espelho é bom
ninguém jamais morreu"

Por isso, mais do que nunca, o grande mestre do samba, João Nogueira está mais vivo do que nunca!!!!

Leandro Saramago
Leandro da Costa Saramago Pinheiro
5 de Janeiro de 2001 #

CLUBE DO SAMBA

UM BREVE RELATO DE SUA HISTÓRIA

Fundado em 5 de maio de 1979, o Clube do Samba alcançou sua maioridade e pretende um futuro altamente promissor.
Comprometendo-se em criar um importante espaço cultural, com uma proposta sócio cultural consistente, contou desde de sua fundação com a participação de figuras da maior expressão no cenário de nossa música popular.
Quando, então no final dos anos 70, a música brasileira vinha, nas nossas estações de rádio e televisão, sendo preterida pela música de discoteca, produto genuíno da indústria estrangeira e por ela financiada, o Clube do Samba surgia para impor uma explícita resistência àquela situação que minimizava os espaços para as nossas autenticas manifestações populares e condenava as nossas futuras gerações a desconhecer seus verdadeiros valores.
Levantando uma bandeira, ao mesmo tempo social e cultural, o Clube do Samba apresentava-se decidido à agigantar-se em defesa da nossa cultura artística tanto quanto da sua comunidade, compositores, músicos e cantores, abrindo-lhes oportunidades de empregos e um campo fértil à criatividade.
Presidido desde sua fundação pelo compositor e cantor João Nogueira, falecido em junho de 2000, o Clube do Samba soube reunir artistas como Clara Nunes, Alcione, Beth Carvalho, Roberto Ribeiro, Martinho da Vila, D. Ivone Lara, Paulo César Feital, Chico Buarque, Elizeth Cardoso, Paulinho da Viola, Cartola, entre tantos outros, para – cantando e levando alegria ao Rio e ao Brasil – juntar num movimento memorável sua voz à voz do povo.
Pelo Clube do Samba passaram legítimas e expressivas figuras da música brasileira. Foi lá que ganharam espaço os grandes sambistas Nelson Cavaquinho, Monarca, Padeirinho Da Mangueira, Babaú, Nelson Sargento, Velha Guarda da Portela, Velha Guarda da Mangueira, Anescarzinho, entre muitos outros, sambistas que eram ignorados e que hoje são celebridades, músicos que não tinham como exercer suas atividades ante o desemprego a que eram forçados pela invasão impiedosa dos ritmos estrangeiros.
A idéia da fundação do Clube do Samba surgiu da necessidade de se dispor de um local onde aqueles idealistas pudessem se reunir para discutir e lutar por todas as questões relativas ao samba, um lugar de referência para a cultura do samba de raiz, algo genuinamente brasileiro.
Pôr oportuno vale lembrar um pouco da história do Clube do Samba, num depoimento de João Nogueira:
“Lembro – me que o Clube do Samba tornou-se realidade entre muitos goles de uísque e cerveja bem gelada, quando AUSTREGÉSILO DE ATHAYDE, JOSÉ RIBAMAR COIMBRA, DR. EDGARD ARAÚJO e eu traçamos a ata de sua fundação. Era janeiro de 1979 e ali, em minha casa, no Méier , tivemos a nossa primeira sede que durou seis meses.
Lá fizemos rodas de samba inesquecíveis às sextas – feiras. O Clube do Samba reunia cerca de mil sócios que pagavam uma anuidade pré - estabelecida e gozavam de descontos em nossos eventos. Com aquele pagamento o clube podia se manter confortavelmente. Era um clube de salão, totalmente familiar.
Nossas sedes foram cinco: a minha casa, no Méier, depois ficamos dois anos na sede do Flamengo, no Morro da Viúva, passamos pela Associação dos Servidores Civis do Brasil, em Botafogo, e pelo Clube Municipal, na Tijuca, até chegarmos à sede da Barra da Tijuca.
Angela Nenzy
5 de Janeiro de 2001 #

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Jorge Simas
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Benza, Deus (Rob Digital)
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