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Bloco Saideira do Méier prepara escolha de samba |
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O bloco Saideira organiza para este domingo (7) mais um encontro com samba preparativo para o Carnaval, será no boteco Favo de Mel (em frente ao Sindicato do Chopp no Méier) das 17h às 22h. As inscrições estão abertas e o tema é o legendário bloco Chave de Ouro do Méier. A iniciativa do bloco surgiu a partir da revolta de moradores ao ver apenas funk nas ruas suburbanas. Nos comentários desta notícia estou colocando textos que os organizadores enviaram falando de como surgiu a idéia do bloco e de como era o Chave de Ouro.
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Comentários dos leitoresI) Bloco Carnavalesco Saideira do Méier Antes de pensarmos em fundar um bloco de carnaval, sentíamos um certo vazio cultural no Méier e regiões vizinhas. Falamos principalmente de cultura popular e de samba, visto que somos apreciadores do gênero e sempre o procuramos em outros bairros do subúrbio, do centro e da zona sul, sempre lamentando a sua ausência no bairro, apesar de escolas de samba tradicionais, como a Lins Imperial, serem próximas. Cabe uma diferenciação do que é samba do ritmo massificado e popularizado nos meios de comunicação como pagode. Estamos falando de um ritmo tradicional e carioca por excelência, a que todos têm se referido como samba de raiz e que entendemos ser o partido alto e os belíssimos sambas de décadas passadas resgatado em boas rodas. Somado a esse sentimento de resgate de uma tradição, temos a indignação ao percebermos que o carnaval do Méier abriu espaço para o baile funk (no carnaval passado, sob certo patrocínio de um certo vereador em reeleição), justamente na área conhecida como Chave de Ouro, que foi no passado palco de um dos blocos mais curiosos e tem nas proximidades uma das escolas mais antigas da cidade, o Arranco do Engenho de Dentro. A rua Borja Reis no último carnaval não parecia uma rua do subúrbio carioca. Como amantes do samba e das tradições populares, como amantes dessa cidade e de seu carnaval, resolvemos dar início ao BC Saideira. Aqueles que quiserem somar sua vontade de samba, carnaval e cultura aos nossos ideais, sintam-se bem-vindos para colaborar e ajudar a pôr mais um bloco na rua. II) Bloco da Quarta-Feira de Cinzas da Chave de Ouro: " Conta-se que no bairro do Engenho de Dentro, na quarta-feira de cinzas, um grupo de rapazes, liderados por Wilson Macaco, resolveu pregar uma peça no cinema que tinha o mesmo nome do referido bairro. Foram ao morro e pegaram dezenas de pardais no visgo, colocaram-nos em sacos e caixas de sapatos e quando a porta lateral do cinema se abriu ao final de uma das sessões, invadiram o espaço sem serem notados. Então, no meio da sessão cinematográfica eles soltaram os pássaros, causando enorme pânico entre os assistentes. O gerente do cinema não permitiu que ninguém saísse, chamou a polícia, criou-se a encrenca e a rapaziada ficou deveras aborrecida com o fato, jurando vingança. No ano seguinte, também na quarta-feira de cinzas, foram tirar a forra, mas o gerente, já precavido, havia chamado a polícia e ocorreu outra confusão. Revoltados os rapazes passaram a depredar a entrada do cinema atirando pedras, fazendo ameaças. Com a polícia no encalço, eles se posicionavam bem à distância e ficavam sambando para desafiar os policiais que viviam que nem tontos tentando prendê-los. Gostando da brincadeira, pelos anos seguintes eles passavam um certo "livro de ouro" (um caderno onde anotavam as doações em dinheiro arrecadadas no comércio local para ajudar a brincadeira carnavalesca). Aqueles comerciantes que não colaborassem tinham suas portas apedrejadas. E lá vinha a polícia de novo. E tome cacetada, gás lacrimogêneo e amigos e familiares juntando-se em torno dos camburões para conferirem se havia algum conhecido ou parente entre os presos. Até que houve um acordo com o chefe de polícia e os "organizadores" do bloco, numa quarta-feira de cinzas, quando selou-se a "paz" da seguinte forma: não haveria mais corre-corre e nem perseguições por parte da polícia que passaria a acompanhar o bloco para protegê-lo (ou vigiá-lo?). Mas o delegado, sobre o coreto, após fechado o trato contra a vontade do povo, recebeu uma tremenda vaia dos que queriam continuar na "ilegalidade"." (Lula Dias) Sobre o BC Chave de Ouro é importante lembrar que hoje é uma lenda para os moradores do bairro. Passado mais ou menos duas décadas ainda se fala no bloco que para muitos era coisa de estudantes comunistas e subversivos ou gente que queria desafiar a Igreja e continuar o carnaval em um dia santo. Vale também ressaltar a coragem em se provocar a polícia em qualquer época, principalmente nos anos da ditadura militar. A agitação provocada pelo Chave de Ouro nos remete ao entrudo, brincadeira reprimida pela elite governante no início do século XX. No Rio de Janeiro, desde o século XVIII, a brincadeira do entrudo consistia em, nos dias do carnaval, atirar limões de cheiro em transeuntes distraídos. Os limões de cheiro eram pequenas frutas de cera cheias de água que quando atiradas encharcavam suas vítimas, provocando muitas confusões. Essa prática era tida como selvagem e vulgar e foi banida para que o carnaval carioca se elitizasse e nada viesse a dever ao carnaval europeu com bailes de máscaras e muita pompa, de preferência com o povão se contentando em apenas assistir aos desfiles dos ricos, tendo suas práticas sempre proibidas ou vigiadas, o que nos faz retomar aos motivos de inaugurarmos um bloco para o primeiro carnaval do século XXI, que tem por objetivo a vontade de brincar o carnaval de rua como todo bom carioca (e suburbano) sabe brincar! Passado um século ainda temos muito o que resistir e preservar em termos de cultura popular na cidade. Quebre a direita e mude a esquerda! Vá para o Saideira! Saideira: - Cor: vermelho. - Carnaval 2001: Homenagem ao Chave de Ouro. Contatos: sbfara@mobinet.com.br / 289 39 24 - Sandra Fará 241 43 50 - Mariângela Carvalho / 625 1010 - Fátima Lyrio |
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