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Grupo Cravo na Lapela comemora 15 anos no Rival

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Por Paulo Eduardo Neves
Publicada em 14 de Dezembro de 2000 
Estado: RJ 
Assunto: Shows e Rodas

Cravo na Lapela, surgiu em 85, oriundo de uma roda de samba semanal, aos sábados, Pagofone um pagode autêntico. no bairro do Cachambi, subúrbio do Rio. Nestes 15 anos construíram um currículo de peso. Acompanharam nomes como Aniceto do Império, Wilson Moreira, Monarco, Délcio Carvalho, Luiz Carlos da Vila, Herivelto Martins, Nelson Sargento e Beth Carvalho. Inauguraram, junto com Wilson Moreira, a casa de samba Candongueiro.

Neste dia 18 de dezembro às 19h estarão fazendo a comemoração de seus 15 anos no Teatro Rival. No show está prometida a participação de ex-integrantes do grupo e de vários sambistas. O Rival fica na Rua Álvaro Alvim nº 33 - Centro - Tel. 240 4469 - Ingressos a R$10.

O grupo é atualmente formado por Marquinho China (cavaquinho e voz), compositor parceiro de Zeca Pagodinho, Nelson Sargento e Arlindo Cruz; Jotabê (violão 6), compositor parceiro de Jorge Aragão, fez parte da 1ª formação do Grupo Fundo de Quintal e é autor da música Malandro, em parceria com Jorge Aragão, sucesso na voz de Elza Soares; Negão da Abolição (pandeiro e voz), percussionista e compositor, que recentemente assinou a parceria gravada no CD dos Compositores do Buraco do Galo, do Bairro de Oswaldo Cruz; Tião (surdo e voz), músico e intérprete que se estaca pelo tom grave na voz, músico integrante do pagode da Tia Doca, Pastora da Velha Guarda da Portela; Alexandre "Maionese" (flauta) integrante da segunda formação do Grupo, substituindo o flautista Wagner Moreira que participou até 95, quando o grupo se desfez.

Josimar Monteiro - violão 7 - músico também da segunda formação, participou até 95, atulamente integra a
Velha Guarda da Mangueira, como violonista e diretor musical.

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Comentários dos leitores

Nos mandaram um texto bem legal sobre o conjunto "Cravo na Lapela", confira:



Cravo na Lapela,um sopro pra auto-estima

Em fins da década de 80, vivi a gestação de um sonho que não se deu à luz. O Centro Cultural Cacique de
Ramos, carregando o karma da cultura em seu nome, não poderia mesmo frutificar. Era uma época estranha.
Saíamos dos anos de chumbo, experimentamos uma dúbia transição - imersos na mediocridade - e
desaguávamos na dinastia dos Fernandos. Calejados, já quase viciados em perdas, botamos a esperança
debaixo do braço e fomos cantar em outra freguesia. Os mais jovens ainda regaram a velha tamarineira com
o que restava de lágrimas. Vida que segue.

Daquele tempo ficou a imagem de um grupo musical que não se contentava apenas em executar
obras-primas de velhos sambistas. Os caras iam beber nas fontes primais do samba, não raro, permeadas
de choros, maxixes e até lundus. Não se bastavam como refinadíssimos instrumentistas e afinadíssimos na
arte do canto, esmeravam-se também como pesquisadores. Discutiam, por exemplo, sobre uma remota
?Rosa? gravada em maio de 37, cuja autoria era atribuída exclusivamente a Pixinguinha, quando, na
verdade, fora um desconhecido mecânico do Méier - Otávio de Souza- quem a impregnara de ?sândalos
olentes?. Que a melodia original de ?Último Desejo?, encontrava-se na gravação de Marília Batista e não
na de Araci, a Dama do Encantado. Que Mano Elói teria levado o samba para Mangueira. Que ?seu? Carlos
era, de direito, um fundador da Estação Primeira. Que...

E, nesse clima, circulavam canções maravilhosas, pérolas buscadas em remotos

oceanos. Naqueles papos, transpirava-se cultura. Só pra contrariar, esse grupo não contrariava suas raízes.
Íntegro, mostrava sua cara por inteiro, nada de carametade. E assumia sua negritude sênior.

O nome do grupo firmava-se sobre um símbolo de época, quando o lirismo e a elegância se
complementavam. Evocava-se, com a flor exposta sobre o bolso do jaquetão, no lado esquerdo do peito, a
sutileza romântica da digna malandragem. Lá pelos anos 20, o porta-machado do rancho Dois de Ouro, o
introdutor do pandeiro no samba, João da Baiana, já quebrava o arrojo dos samangos com seu frágil e
indefectível escudo.

Pois não é que aqueles meninos, foram buscar naquele cravo na lapela, a marca de sua saga, de seu
compromisso, da sua carta de princípios?

*******

Conheci mais de uma formação do grupo Cravo na Lapela. Não há como esquecer do violão do Galak, da
flauta do Vagner e de eventuais participantes como meus velhos parceiros Emilson e Renato (saudades do
Samba Nosso de Cada Dia). Era uma turma de respeito, pois para vestir aquela grife, não se transigia quanto
a exigência curricular e a prova de títulos, principalmente no quesito ?identidade e coerência?. Era
imprescindível ser um amador na alma e um profissional na competência.

A formação que em boa hora se reaglutina, me obriga a recorrer a um lugar-comum. É aquela história do
vinho: quanto mais velho, melhor. Desde o memorável programa na TV Educativa, no qual o Cravo
homenageava nada mais, nada menos, que Carlos Cachaça, observo hoje que o deus Kronos deu uma baita
colher de chá aos caras e - incrível! - estão melhores. Como não há lipoaspiração pra alma, nem silicone
pra sensibilidade, tudo me faz crer que o talento, como o universo, é matéria em expansão.

Aí vejo Marquinhos China, inspiração à flor da pele, o cavaco dócil, subserviente aos seus comandos, a voz
brincando com os timbres... por vezes, um farfalhar de seda; por outras, plácidos veludos. Manifestado,
recebe Paulinho da Viola, Monarco da Portela e , acreditem, Clementina de Jesus. Eu tenho o privilégio de
conhecer muitas obras do China, mas acho que nenhum ser humano, por mais nicolau que seja, mereceria
passar por esta vida sem ouvir O Dono da Voz., uma comovida homenagem ao maior orixá vivo do samba
carioca: ?seu? Hildemar Diniz.

Negão da Abolição está sempre na área. Perambulando por todos os pagodes - um dom da ubiqüidade -, é
encontrado no Candongueiro, na Surica, no Renascença e sempre ostentando o vigoroso epíteto. A
flagrante incompatibilidade de seus apetrechos físicos com o apelido, lhe valeram alguns sucedâneos mais
coerentes, tais como Neguinho da Abolicinha e Pretinho Básico. Mas se o referencial for o pandeiro, não
tenham dúvidas. É o Negão da Abolição.

Sempre alinhado, perfumado, voz mansa... o mingau sumindo pelas beiradas, vem de longe o Tião. É
fundador de quase todos os pagodes que nasciam, febrilmente, lá pelo início dos anos 80. Arlindinho, Beira,
Doca, Pagode da Intendente , Careca; nenhum desses cafofos passou imune ao surdo gostoso do Denzel
Washigton da Beira do Rio. Aliás, até hoje, soa-me um tanto ambíguo esse surdo gostoso a ele dirigido por
uma vetusta senhora dos tempos da Intendente.

Oito anos de auto-exílio em terras d'além mar reenergizaram meu camarada JB. Falar do seu curriculum seria
chover no molhado, mas, considerando a curiosidade dos não-iniciados, vale lembrar de Cabelo Pixaim,
Logo Agora, Bar da Esquina, Pedaço de Ilusão e do samba que, provavelmente, abriu os caminhos para a
vitoriosa trajetória de Jorge Aragão: o emblemático Malandro. JB é um dependente químico da harmonia, é
um garimpeiro incansável de achados melódicos. Mas não fica só aí: seu texto poético é de primeiríssima
grandeza; lavra a palavra, trabalha a idéia e nos ensina - professor que é - que poeta sabe se defender.

Maionese (flauta) e Josimar (sete cordas) são conhecidos dos tempos de Lapases. Compunham o Bem
Brasil, belo grupo de choro, sobre o qual escrevi, na época, com referência a seus integrantes: são
dotados do mesmo DNA musical daqueles chorões que frequentavam as tertúlias de Jacob e do anárquico
Sovaco de Cobra. Maionese, ainda garotão, com aqueles óculos de menino cdf, mantinha com a flauta uma
alegre intimidade, ao mesmo tempo em que a respeitava com religiosa reverência. Duelava com os bordões
bordadores do ?sete? de Josimar, um índio paraoca, cuja a arte produz o milagre de fazer confluir as
generosas águas de baixo curso do Amazonas, com o nosso cândido mangue da Praça XI, cenário da
?pequena África?, reino de Tia Ciata

***********

Não quero encerrar este texto do jeito chororô do início. Não quero a esperança debaixo do braço, nem
cantarei em outras freguesias, porque, já cascudo, aprendo que o Rio de Janeiro é minha intransitiva
freguesia . Quero sim que esse espetáculo, no Rival, seja o passaporte para a definitiva afirmação dessa
entidade do bem chamada Cravo na Lapela. Seria um presente pra nossa sensibilidade, um sopro pra nossa
auto-estima, um bálsamo pra nossa aviltada alma carioca. A mediocridade não pode , não deve, não há de
vicejar. Que venha o Cravo na Lapela, e que permaneça.

Perenal como a Rosa de Pixinguinha ...e de Otávio de Souza.

Rio, 05/12/00/simão
Paulo Eduardo Neves
13 de Dezembro de 2000 #

Aí galera ! Quem puder assitir a esse show com certeza saíra do rival com a alma lavada! Já vi os caras tocando, e é o mais puro dos puros samba de raíz !! Vamos lá dar uma força !!! Salvem o samba de raíz !!!!!!!
Lucio Marcos
15 de Dezembro de 2000 #

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