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Grupo Cravo na Lapela comemora 15 anos no Rival |
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Cravo na Lapela, surgiu em 85, oriundo de uma roda de samba semanal, aos sábados, Pagofone um pagode autêntico. no bairro do Cachambi, subúrbio do Rio. Nestes 15 anos construíram um currículo de peso. Acompanharam nomes como Aniceto do Império, Wilson Moreira, Monarco, Délcio Carvalho, Luiz Carlos da Vila, Herivelto Martins, Nelson Sargento e Beth Carvalho. Inauguraram, junto com Wilson Moreira, a casa de samba Candongueiro.
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Comentários dos leitoresNos mandaram um texto bem legal sobre o conjunto "Cravo na Lapela", confira:
Cravo na Lapela,um sopro pra auto-estima Em fins da década de 80, vivi a gestação de um sonho que não se deu à luz. O Centro Cultural Cacique de Ramos, carregando o karma da cultura em seu nome, não poderia mesmo frutificar. Era uma época estranha. Saíamos dos anos de chumbo, experimentamos uma dúbia transição - imersos na mediocridade - e desaguávamos na dinastia dos Fernandos. Calejados, já quase viciados em perdas, botamos a esperança debaixo do braço e fomos cantar em outra freguesia. Os mais jovens ainda regaram a velha tamarineira com o que restava de lágrimas. Vida que segue. Daquele tempo ficou a imagem de um grupo musical que não se contentava apenas em executar obras-primas de velhos sambistas. Os caras iam beber nas fontes primais do samba, não raro, permeadas de choros, maxixes e até lundus. Não se bastavam como refinadíssimos instrumentistas e afinadíssimos na arte do canto, esmeravam-se também como pesquisadores. Discutiam, por exemplo, sobre uma remota ?Rosa? gravada em maio de 37, cuja autoria era atribuída exclusivamente a Pixinguinha, quando, na verdade, fora um desconhecido mecânico do Méier - Otávio de Souza- quem a impregnara de ?sândalos olentes?. Que a melodia original de ?Último Desejo?, encontrava-se na gravação de Marília Batista e não na de Araci, a Dama do Encantado. Que Mano Elói teria levado o samba para Mangueira. Que ?seu? Carlos era, de direito, um fundador da Estação Primeira. Que... E, nesse clima, circulavam canções maravilhosas, pérolas buscadas em remotos oceanos. Naqueles papos, transpirava-se cultura. Só pra contrariar, esse grupo não contrariava suas raízes. Íntegro, mostrava sua cara por inteiro, nada de carametade. E assumia sua negritude sênior. O nome do grupo firmava-se sobre um símbolo de época, quando o lirismo e a elegância se complementavam. Evocava-se, com a flor exposta sobre o bolso do jaquetão, no lado esquerdo do peito, a sutileza romântica da digna malandragem. Lá pelos anos 20, o porta-machado do rancho Dois de Ouro, o introdutor do pandeiro no samba, João da Baiana, já quebrava o arrojo dos samangos com seu frágil e indefectível escudo. Pois não é que aqueles meninos, foram buscar naquele cravo na lapela, a marca de sua saga, de seu compromisso, da sua carta de princípios? ******* Conheci mais de uma formação do grupo Cravo na Lapela. Não há como esquecer do violão do Galak, da flauta do Vagner e de eventuais participantes como meus velhos parceiros Emilson e Renato (saudades do Samba Nosso de Cada Dia). Era uma turma de respeito, pois para vestir aquela grife, não se transigia quanto a exigência curricular e a prova de títulos, principalmente no quesito ?identidade e coerência?. Era imprescindível ser um amador na alma e um profissional na competência. A formação que em boa hora se reaglutina, me obriga a recorrer a um lugar-comum. É aquela história do vinho: quanto mais velho, melhor. Desde o memorável programa na TV Educativa, no qual o Cravo homenageava nada mais, nada menos, que Carlos Cachaça, observo hoje que o deus Kronos deu uma baita colher de chá aos caras e - incrível! - estão melhores. Como não há lipoaspiração pra alma, nem silicone pra sensibilidade, tudo me faz crer que o talento, como o universo, é matéria em expansão. Aí vejo Marquinhos China, inspiração à flor da pele, o cavaco dócil, subserviente aos seus comandos, a voz brincando com os timbres... por vezes, um farfalhar de seda; por outras, plácidos veludos. Manifestado, recebe Paulinho da Viola, Monarco da Portela e , acreditem, Clementina de Jesus. Eu tenho o privilégio de conhecer muitas obras do China, mas acho que nenhum ser humano, por mais nicolau que seja, mereceria passar por esta vida sem ouvir O Dono da Voz., uma comovida homenagem ao maior orixá vivo do samba carioca: ?seu? Hildemar Diniz. Negão da Abolição está sempre na área. Perambulando por todos os pagodes - um dom da ubiqüidade -, é encontrado no Candongueiro, na Surica, no Renascença e sempre ostentando o vigoroso epíteto. A flagrante incompatibilidade de seus apetrechos físicos com o apelido, lhe valeram alguns sucedâneos mais coerentes, tais como Neguinho da Abolicinha e Pretinho Básico. Mas se o referencial for o pandeiro, não tenham dúvidas. É o Negão da Abolição. Sempre alinhado, perfumado, voz mansa... o mingau sumindo pelas beiradas, vem de longe o Tião. É fundador de quase todos os pagodes que nasciam, febrilmente, lá pelo início dos anos 80. Arlindinho, Beira, Doca, Pagode da Intendente , Careca; nenhum desses cafofos passou imune ao surdo gostoso do Denzel Washigton da Beira do Rio. Aliás, até hoje, soa-me um tanto ambíguo esse surdo gostoso a ele dirigido por uma vetusta senhora dos tempos da Intendente. Oito anos de auto-exílio em terras d'além mar reenergizaram meu camarada JB. Falar do seu curriculum seria chover no molhado, mas, considerando a curiosidade dos não-iniciados, vale lembrar de Cabelo Pixaim, Logo Agora, Bar da Esquina, Pedaço de Ilusão e do samba que, provavelmente, abriu os caminhos para a vitoriosa trajetória de Jorge Aragão: o emblemático Malandro. JB é um dependente químico da harmonia, é um garimpeiro incansável de achados melódicos. Mas não fica só aí: seu texto poético é de primeiríssima grandeza; lavra a palavra, trabalha a idéia e nos ensina - professor que é - que poeta sabe se defender. Maionese (flauta) e Josimar (sete cordas) são conhecidos dos tempos de Lapases. Compunham o Bem Brasil, belo grupo de choro, sobre o qual escrevi, na época, com referência a seus integrantes: são dotados do mesmo DNA musical daqueles chorões que frequentavam as tertúlias de Jacob e do anárquico Sovaco de Cobra. Maionese, ainda garotão, com aqueles óculos de menino cdf, mantinha com a flauta uma alegre intimidade, ao mesmo tempo em que a respeitava com religiosa reverência. Duelava com os bordões bordadores do ?sete? de Josimar, um índio paraoca, cuja a arte produz o milagre de fazer confluir as generosas águas de baixo curso do Amazonas, com o nosso cândido mangue da Praça XI, cenário da ?pequena África?, reino de Tia Ciata *********** Não quero encerrar este texto do jeito chororô do início. Não quero a esperança debaixo do braço, nem cantarei em outras freguesias, porque, já cascudo, aprendo que o Rio de Janeiro é minha intransitiva freguesia . Quero sim que esse espetáculo, no Rival, seja o passaporte para a definitiva afirmação dessa entidade do bem chamada Cravo na Lapela. Seria um presente pra nossa sensibilidade, um sopro pra nossa auto-estima, um bálsamo pra nossa aviltada alma carioca. A mediocridade não pode , não deve, não há de vicejar. Que venha o Cravo na Lapela, e que permaneça. Perenal como a Rosa de Pixinguinha ...e de Otávio de Souza. Rio, 05/12/00/simão Aí galera ! Quem puder assitir a esse show com certeza saíra do rival com a alma lavada! Já vi os caras tocando, e é o mais puro dos puros samba de raíz !! Vamos lá dar uma força !!! Salvem o samba de raíz !!!!!!!
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