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O fiasco do Pagode do Trem

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Por Paulo Eduardo Neves
Publicada em 5 de Dezembro de 2000 
Estado: RJ 
Assunto: Shows e Rodas

Gente de mais e samba de menos. Assim pode-se resumir como foi o Pagode do Trem deste ano. Foi uma dificuldade ouvir samba por lá.

Isto para não falar na desorganização. Parece que a preocupação dos organizadores se resumia em exibir a marca dos patrocinadores e preparar o show para as câmeras de TV. Cuidados básicos não foram tomados, como abrir as roletas da pequena estação de Oswaldo Cruz para escoar a multidão. Sorte que, após meia hora de pessoas imprensadas, um perspicaz funcionário da ferrovia resolveu fazê-lo por iniciativa própria.

No embarque via-se que a quantidade de pessoas tinha multiplicado-se por cinco. Enquanto no ano anterior cada vagão tinha um grupo de músicos responsável, neste grande parte estava vazia. Deu-se ao luxo de não se conseguir fazer música em vagões com passageiros ilustres como Nelson Sargento e Camunguelo. Claro que na frente das câmeras não faltaram músicos em qualquer momento.

Depois do suplício de desembarcar em Oswaldo Cruz, deparava-se com dezenas de barracas postas lado a lado ao longo da rua. Absolutamente impossível fazer uma roda de samba decente lá. Como bem comparou nosso leitor Luis Filipe, aquilo ali parecia mais a Feira de São Cristóvão, com seu caos sonoro, do que um local para rodas de samba. Ah! Claro que todas as barracas tinham as marcas dos patrocinadores. Parece que a idéia era promover uma roda em quase toda barraca. Como isto seria feito sem que o som de uma atrapalhasse o de outra eu não sei. De qualquer maneira o barulho da multidão que andava pela rua foi suficiente para abafar as tentativas. As que aconteceram foram muito tímidas, sendo audíveis somente por quem estava praticamente dentro delas. Até em locais mais afastados, como o tradicional bar do Fininho, a roda estava super lotada, sendo um suplício ouvir a música. Era tanta gente que a cerveja acabou.

A favor o apoio que os sambistas deram à festa. Estavam lá Paulinho da Viola, Beth Carvalho (que até cantou em um palco montado por um bar), Velhas Guardas da Portela, Império e Mangueira, Walter Alfaiate, Nelson Sargento, Cláudio Camunguelo, Cláudio Jorge e um monte de gente que estou esquecendo agora. Para salvar a parte musical ainda consegui ouvir um bom samba no bar Buraco do Galo às 5h da manhã, quando boa parte da turba já havia ido embora. Salvou o lado da diversão, mas o evento não chegou aos pés dos anos anteriores.

Mais gente achou que o envento perdeu muito em comparação aos outros anos. Na nossa lista de discussão mandaram suas opiniões Frederico Bittencourt, Fernando Peixoto (que ainda viu pontos positivos), Luiz Elias Sanches e Luis Filipe de Lima. Uma sugestão maquiavélica que recebi foi de escrever para a FM O Dia (fmodia@odia.com.br) falando mal do envento. Quem sabe assim eles desistem de divulgá-lo ano que vem? :-)

E você o que achou? Acha que o evento está se descaracterizando? Que melhorou? Faça seu comentário aí embaixo e exponha seu ponto de vista. As críticas servem para tentar melhorar o evento no ano que vem. Quero estar lá de novo.

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Comentários dos leitores

O Dia Nacional do Samba, no Rio de Janeiro, em sua versão 2000 já
sai em desvantagem na minha avaliação porque tem de competir com minha lembrança nostálgica em relação ao de 1999. Frente à expectativa que esta lembrança
criava, tinha que ser muito bom pra que eu saísse da Oswaldo Cruz
satisfeito.
Como já foi comentado na Lista, estava muito, muito, muito cheio mesmo. No trem dei sorte, pois no vagão em que fiquei foi uma galera do "Buraco do
Galo", com reforço de gente do "Samba de Chef", que é a nova geração do Cacique, que toca no Papo de Esquina. Demos sorte também de ficar perto dos
músicos e o trem foi beleza. Só dava pra sambar com os olhos, mas tava "bão" demais.
Também estranhei o palco. Palco é coisa de show, não de roda de samba, que é algo mais espontâneo e participativo. O palco serviu mais como forma
de dar destaque ao patrocinador. Perdeu o samba, em sua espontaneidade.
A melhor lembrança que tenho do ano passado foi justamente a das rodas de samba espalhadas pelo bairro. Segundo o Paulo Neves, a cada dois passos, você topava com uma roda de samba. Este ano, levava meia hora pra dar dois
passos, e você não encontrava a roda de samba que esperava.
Acho que se extrapolou o nível mínimo de organização necessário a
qualquer evento, chegando-se ao nível da burocratização, que inibe a espontaneidade. Isso desde a intervenção da imprensa na concentração na Central até a utilização do palco.
Outra coisa que me incomodou foi aquela camisa do pessoal da
"organização", com propaganda da emissora de rádio e escrito nas costas: "Realização (ou "Promoção", não lembro) Marquinhos de Oswaldo cruz". Não é
de hoje que sou admirador do trabalho do Marquinhos, desde o Acorda Oswaldo Cruz, passando pelos agitos na Lapa, seu trabalho como compositor e batalhador pela divulgação do bom samba. Mas acredito que detalhes como esse podem parecer pequenos, mas contribuem para pôr a perder o caráter coletivo e comunitário de uma iniciativa tão louvável,
contribuindo ainda para acirrar disputas e vaidades. Eu acho que o
evento é realizado por todos aqueles que acreditam nele, contribuem para sua organização, para sua divulgação ou, simplesmente, para o seu sucesso, participando das rodas. Mas fui informado que o evento era
realização de uma única pessoa!!??
A divulgação do evento pela malfadada emissora de rádio, me parece que não foi tão catastrófica como o Paulo neves imaginou que seria. Acredito
que tenha sido uma boa oportunidade para os ouvintes daquela emissora que atenderam ao chamado da propaganda por ela veiculada terem aquilo que
talvez tenha sido seu primeiro contato com o samba (exceto um ou outro bom samba que, muito raramente, toca naquela emissora, incluindo aí os do Marquinhos,
que ouvi dizer que andam tocando por lá, o que é muito positivo do ponto de vista da divulgação do samba de raiz). O problema foi a superlotação. No fininho e no Buraco do Galo, nem dava para respirar. Mas acredito que a
solução não seja a restrição na divulgação para reduzir o número de
pessoas. Quero mais que o evento cresça.
No Sem-Censura em que participou, o Marquinhos de Oswaldo Cruz falou em "ocupar" o outro lado do bairro. Talvez essa seja a solução para um movimento que, felizmente, está crescendo. Havendo maior quantidade de
espaços envolvidos, com maior número de rodas de samba, espalhadas pelo bairro, as rodas poderão ficar apenas suportavelmente cheias. Se o
movimento transbordar para Bento Ribeiro, Madureira, Cascadura, etc. melhor ainda.
Agora, quanto ao encontro dos Listeiros (desculpem, mas os nomes
tribuna e tribuneiros, pra mim têm outra conotação), não tinha como acontecer.
Aconteceu comigo algumas vezes de ver algum conhecido passar, mas até conseguir chegar até a pessoa, já era. Achar a barraca da Surica, então, só consegui por volta de 1:00h da madruga.
Agora, imagino que tenha ficado melhor depois que eu saí
(obviamente, não porque eu tenha saído), porque já estava esvaziando. Infelizmente tive
de ir embora, porque estava acompanhado da minha filhota (que só levei porque ela insistiu muito e porque não imaginei que iria ficar tão cheio), e ela não agüentou o tranco no sábado. Pensei em arranjar um lugar pra ela
dormir por lá, mas tava muito tumultuado, não consegui encontrar as pessoas, e ela tava de mau-humor, porque tinha conseguido se acidentar no trem quando ele ainda tava vazio e parado!
Por enquanto é isso.

Abraços,
Elias
Luiz Elias Sanches
5 de Dezembro de 2000 #

Essa fm o dia é uma enganaçao

Como eles podem patrocinar um evento de sambistas de RAIZ
se em sua programaçao ficam tocando fanque(vou passar cerol na mão)
Se esta m...não existisse,talvez o dia 2 de dezembro seria melhor e mais samba até o sol raiar

Abraços
pratatiago@hotmail.com
tiago prata
5 de Dezembro de 2000 #

Primeiramente tenho que dizer que eu não fui no Pagode do Trem. Nesses últimos três anos (quando tomei conhecimento) tive sempre um compromisso já agendado para esta ocasião.

Mas estranho as reclamações de todos do evento estar cheio e de ser divulgado por uma rádio. Sempre acreditei que o samba deve ser divulgado ao máximo, e seu objetivo tem que ser a popularização.

Melhor ainda sendo a rádio O Dia, conhecida pela baixa qualidade de sua programação. Sou da opinião de que estas bandas de Mauriciogode (o pagode mauricinho) acabaram criando um espaço para o samba, e na sua onda hoje temos Zé Pagodinho capitaneando um sucesso de vários sambistas mais tradicionais.

Não quero causar raiva em ninguém, mas já ouvi comentários parecidos nesses sentidos do Paulinho da Viola, do Martinho e do próprio Zeca.

Acho que cada um tem o seu espaço, e cada vez mais a boa música acaba ocupando o seu. Seria impensável uma patricinha a cinco anos atráz cogitar ir num show do Jorge Aragão. E hoje elas vão.

Concordo com todos que pelos relatos (lidos aqui e de alguns amigos que foram) que a organização deve ter pecado e sempre há os estrelinhas. Mas, no final das contas acho muito boa essa divulgação e um maior número de pessoas indo a eventos assim.

Abraços
Jorge Roberto Diniz Martins
5 de Dezembro de 2000 #

Essa radiozinha vagabunda acabou com o pagode do trem. Li os comentários e só discordo da comparação com a feira de São Cristóvão. Não vou há muito tempo lá, mas o mafuá no pavilhão tem tudo a ver, pois as pessoas não vão ali só para ouvir repentistas e sanfoneiros. Afinal, lá é uma feira. Tem gente que só vai ali para comer sarapatel e comprar rede. O trem parou, rapaziada/ Chegou a hora de sair dessa furada!
Ano que vem estou fora, a menos que os organizadores se toquem.
José Sergio Rocha
5 de Dezembro de 2000 #

Como disse o Lúiz, eu também tinha uma lembrança nostálgica do Pagode do Trem de 1999. Por conta disso, fiz muita propaganda do evento por minha conta e mobilizei vários amigos pra ir na edição 2000. Foi uma decepção, não tanto pela quantidade de gente, mas pela falta de samba. Espero que o Marquinhos e quem mais estiver na organização leia a Agenda e esses comentários. FALTOU SAMBA!!
Rosana Rodrigues Heringer
5 de Dezembro de 2000 #

Se nao fosse o Paulinho...

* Me desculpe Carmem, abracei o seu amado... Foi o que valeu ...

Este foi o primeiro ano que embarquei no trem... Nao encontrei ninguém da lista, vi de longe o Luiz Felipe...
Muito, muito cheio, sorte dos paulistas... Acredito que vcs sim, souberam comemorar. No ano que vem, com certeza vou para SAMPA, pois morri de inveja dos comentários quanto a organizaçao...
Só nao façam muitos comentários para nao correrem o risco da FM O DIA divulgar...
Um abraço
Ilza
Ilza Medeiros Machado
5 de Dezembro de 2000 #

Entendo que deve ser realmente muito difícil organizar um evento tão grande como o Pagode do Trem. Porém, esse não foi o primeiro ano em que ele aconteceu e os organizadores poderiam ter minimizado alguns dos problemas que ocorreram, principalmente porque havia apoio comercial de váras empresas, o que com certeza evitou as dificuldades financeiras. Além disso, as tradicionais rodas que já se organizavam desde a Central, se dividindo pelos vagões, esse ano não foram vistas. Acho que mais importante do que atrair multidões é atrair os músicos que vão animar a festa, pois sem eles o dia do samba perde o sentido. Espero que no p´roximo ano tenhamos melhor sorte, apesar do apoio da FM O Dia.
PAULO CESAR NUNES DOS SANTOS
6 de Dezembro de 2000 #

O BONDE ALEGRIA DESCARRILHOU...

Caramba, que furada foi esse Pagode do Trem! Quando cheguei à Central, já fiquei horrorizada com o excesso de vedetagem, boiolagem, filmagem - sei lá, com aquele ar de concentração de desfile das escolas de samba do grupo agora chamado “especial” (“Marcha, soldado...”). Enfim, muita palhaçada pro meu gosto, muita gente querendo aparecer e pouca alegria e autenticidade. Isso poderia levar a pensar que, ao menos, havia uma certa “organização” (para o bem ou para o mal) - mas não. Era tudo uma zona só. Ora, se o aumento da divulgação fatalmente faz aumentar o público, então seria necessário fazer as adaptações necessárias ao acréscimo de pessoas tanto na Central, como em Oswaldo Cruz, o que não foi feito. Além disso, um aperto a gente até agüenta, mas com boa música, com clima bom - e, principalmente, com lugar pra fazer xixi. Que eu saiba, só havia um banheiro ali perto das barracas em Oswaldo Cruz. Quanto à música... Olha aqui, Waguinho (é isso?), Alexandre Pires e quejandos têm de ser barrados quando se comemora o Dia do Samba. Ainda se fosse o funeral do samba... Claro que também havia gente boa tocando samba bom (quase não dava pra ouvir, mas havia), mas eu fiquei tão assustada com o escrotossambelexo mexendo a bundinha com a batata enfiada na terra - e a vassoura quebrando pra lá e pra cá, varrendo os cacos da boquinha da garrafa -, que resolvi ir embora.

Eu sinceramente não sei que tipo de divulgação foi feito na rádio FM O Dia, por exemplo. Posso estar errada, mas provavelmente a mensagem atraiu gente que adora o Salgadinho, as batatas etc. (acho que esse é o público da emissora, estou falando M...?) e, com isso, tanto essas pessoas como as pessoas que gostam de samba saíram decepcionadas com o evento. Então é assim: se aquele era o Trem do Samba, o trem descarrilou. Ano que vem talvez eu faça um retiro espiritual na primeira semana de dezembro...
Andréia M. Silveira
7 de Dezembro de 2000 #

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