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Carlos Mauro,do Tio Samba, critica as leis sobre imagem

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Por Eugênia Rodrigues
Publicada em 2 de Abril de 2009 
Assunto: Outros

O cantor Carlos Mauro, do grupo Tio Samba, redigiu uma mensagem para os leitores, músicos e classe artística em geral, mas sobretudo para os parlamentares do país. Trata-se de um tema relevante e espinhoso, mas é nosso papel, como amantes do samba e do choro, repensar a legislação brasileira ligada aos direitos autorais e de imagem. Inúmeras foram as vezes em que músicos reclamaram comigo que queriam incluir no disco a música de um compositor falecido, mas a família estava pedindo tanto dinheiro que a inclusão ficou inviável.

Leia abaixo o texto dele.

"No material de divulgação do espetáculo "É Batata!", não há a utilização do nome Carmen Miranda, nem das expressões "Pequena Notável", "Lady of the Tutti Frutti Hat", "Brazilian Bombshell" e qualquer outra identificada exclusivamente com Carmen. Isto é porque a família de Carmen registrou todas essas expressões (inclusive a grafia "Carmem Miranda", com Carmen escrito com "m" no final), e detém os direitos exclusivos para a utilização comercial dessas "marcas registradas". Por ocasião do show no Centro Cultural Carioca (CCC) que aconteceu em nove de fevereiro deste ano, o Tio Samba pagou R$ 300,00 à família da Carmen, pois os responsáveis pela programação do CCC estava com medo de a casa ser processada e embargada pelo uso não autorizado do nome e da imagem da cantora (já que iríamos usar os quadros do museu Carmen Miranda para decorar as paredes do CCC). Porém, nesse novo show no CCC e nas outras apresentações do "É Batata!", faremos referência a Carmen apenas de maneira indireta em nosso material de divulgação, mencionando a sua data de nascimento, as canções que ela consagrou com sua voz e o fato de ela ter sido, pelo menos para a maioria dos brasileiros, a maior cantora brasileira (apesar de ter nascido em Portugal) dos anos trinta. Porque, se não fizermos assim, teremos sempre que pagar quantias cada vez maiores à familia da Carmen a cada show que fizermos com esse repertório.

Os produtores estão todos assustados com essa verdadeira extorsão artística que está ocorrendo. A produtora de Wagner Tiso, por exemplo, me disse que a família da Carmen cobrou o valor astronômico de R$ 400 mil para a utilização do nome e da imagem da Carmen num projeto que englobaria vários espetáculos em todo o Brasil, com exibição gratuita para o público, que contariam com Wagner Tiso acompanhado por uma orquestra completa interpretando o repertório da Carmen. Resultado disso: Ataulfo Alves (cujo centenário de nascimento também acontece em 2009) passou a ser o homenageado do projeto.

Isso, na minha opinião, é muito ruim para a cultura brasileira. Faz com que uma cantora monumental e referencial no contexto histórico da música popular brasileira, como o é Carmen Miranda, seja menos festejada e tenha sua importante obra, a magia e luminosidade de suas interpretações menos apresentada, menos redescoberta, menos conhecida. Se a nossa legislação que trata de direitos da personalidade (os direitos ao uso do nome, da imagem, da voz) permite que um absurdo como este aconteça, se o texto legal não é bom o suficiente para que ocorra a distinção entre a utilização do nome ou da imagem de Carmen Miranda apenas para comercializar produtos não culturais (camisetas estampadas, por exemplo) e a menção do nome de Carmen em um tributo em homenagem a sua importância como cantora de nossa música, então a lei deve ser mudada imediatamente. Pois deve ser um objetivo do Estado brasileiro a preservação e divulgação de sua memória cultural.

Não há problema, entretanto, que a imprensa fale "espontaneamente" que o "É Batata!" é um espetáculo em homenagem ao centenário de Carmen Miranda. A alusão "espontânea" da imprensa não configura, em nossa legislação, uso comercial indevido de marcas e imagens. A imprensa está protegida por lei especial. E é isso que devemos torcer para que aconteça. E que, se possível, seja divulgada a importância do nosso show, ainda que não possamos aludir de forma direta e franca à nossa homenageada".

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Comentários dos leitores

Tem muita coerência o texto e a reivindicação de Carlos Mauro. O Bruno e o Paulinho também sofrem agruras com o excelente filme "Candeia-eu sou povo" justamente por não poder recheá-lo com músicas do mestre Candeia e colocá-lo em exibição, pelos mesmos motivos. Vamos separar cultura de comércio!!!!!
VICENTE FERREIRA DA SILVA FILHO
2 de Abril de 2009 #

Gerações futuras terão quase nenhum conhecimento sobre Carmen(Carmem), talvez alguma coisa na internet. É urgente separar a cultura da parte comercial. Se continuar como está, seremos um povo sem face.
teresinha lopes corrêa
3 de Abril de 2009 #

Grande Carlos Mauro. Quanto tempo!
Um dos meus projetos foi aceito no Sesc aqui em Curitiba. Já estou preocupado apesar de serem quatro musicas de compositores que não são de Curitiba - Pixinguinha, Waldir, Jacob e K-Ximbinho. Vou olhar com mais cuidado estes trens.
Beijo Eugenia - saudades
abraço Carlos
Saudações curitibanas
anildo - cimples ocio
3 de Abril de 2009 #

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