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Jongo: palestras com Délcio Teobaldo às terças no Centro (grátis)

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Por Eugênia Rodrigues
Publicada em 12 de Novembro de 2007 
Estado: RJ 
Assunto: Outros

Nos dias 6, 13 e 20 de novembro, serão proferidas palestras musicadas sobre jongo no "Caixa Cultural", o centro cultural da Caixa Econômica Federal. Os encontros, gratuitos, são responsabilidade de Délcio Teobaldo, uma das maiores autoridades do país no assunto. Confira a programação completa abaixo enviada. Parece bem completo o evento, pena que o horário é ingrato (15 horas)...

Jongá - Cantos de fé, de trabalho e de orgia
Encontros musicais debatem cultura popular, apresentam documentários inéditos e lançam grupo de cantadoras de canavial

Os jongos matriciais, as benzas, as ervas de ajuda e os ofícios de fé e de cura da Zona da Mata Mineira e Norte-Sul Fluminense são temas de três palestras musicadas que o etnomusicólogo e documentarista Délcio Teobaldo realiza nos dias 6, 13 e 20 de novembro, no Teatro de Arena, da Caixa Cultural Rio. A entrada é franca.

Nos encontros na Caixa Cultural, Teobaldo falará sobre as transformações pelas quais as culturas oral-rítmicas têm passado nos últimos 40 anos. O público poderá ouvir e debater sobre ritmos pouco difundidos e que têm perdido sua história ao longo do tempo. Três dessas manifestações culturais serão abordadas: As Ladainhas de Maricá, região metropolitana do Rio de Janeiro; os Cantos de Canavial de Ponte Nova, Zona da Mata mineira; e o Jongo Rural, de Angra dos Reis.

Além dos pontos, cantos e percussão no tambor escavado em tronco de mutamba, as palestras serão ilustradas pelos documentários "Ladainhas, rezas e ofícios de fé e de cura...", "Cantos de Calamboteiros" e "Morre Congo, fica Congo".

Os dois primeiros documentários são inéditos e serão lançados durante o evento na CAIXA Cultural. Já "Morre Congo, fica Congo" (2001), que traz os depoimentos dos cinco últimos cantadores do Jongo Rural de Angra dos Reis, fez o circuito internacional nas mostras: "Festival de Cinema e Vídeo de Udine" (Itália); "16º The International Documentary Film Festival of Marseilles" (França, 2005); "XV Festival de Documentários Latino Americanos (Londres, 2005).

Nascido e criado na tradição dos caxambus e dos ritos judaico-cristãos, no interior de Minas Gerais, Délcio Teobaldo escolheu o Jongo como mote das palestras porque, segundo ele, dos três modelos de cultura apresentados, o Jongo ou Caxambu foi o que melhor soube enfrentar as mudanças e tirar proveito delas.

Teobaldo utilizou os saberes do passado para interpretar o mundo, identificando grupos, preservando laços familiares e restabelecendo a harmonia com a terra de origem.

Palestras

As palestras terão os seguintes temas: "Fé - Onde termina o sincretismo e começa a concessão; "Terra e plantas - Os saberes relacionados aos ritos de plantio, de cuidados e de colheita"; e, "Tradição x mercado - Cultura autóctone e simulacro".

Programação especial

No último encontro, dia 20 de novembro, será feita a primeira apresentação pública das personagens do documentário "Cantos de Calamboteiros". São sete cantadoras, ex-cortadoras de cana-de-açúcar do município de Ponte Nova que, em função do filme, se reuniram trinta anos depois para reviver suas histórias. Nos versos improvisados e à capela, elas cantam a vida na roça; lamentam o trabalho compulsório, louvam o amor e celebram a amizade.

Durante os encontros o público terá a oportunidade de conhecer e ouvir a percussão do tambor preparado com as ervas de ajuda e ouvir a percussão das talas de bananeira, como ensina a tradição banta dos cumbas, jongueiros velhos, conhecidos como feiticeiros da palavra"
.

Serviço

Espetáculo "JONGÁ - Cantos de fé, de trabalho e de orgia", criação de Délcio Teobaldo
Caixa Cultural RJ – Teatro de Arena
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25 – Centro (Metrô Carioca)
Tel: 21 2544-4080 / 7666 / 1099
Em cartaz: 6,13 e 20 de novembro de 2007
Horário: 15h
Duração: 70 minutos
Acesso para portadores de necessidades especiais
Entrada: franca
Sítio da CAIXA Cultural: www.caixacultural.com.br
Informações para imprensa:

Coloquei nos comentários desta notícia outras informações.

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Comentários dos leitores

"JONGÁ - Cantos de fé, de trabalho e de orgia


Dia 06/11/07

PRIMEIRO ENCONTRO/CANTOS DE FÉ

ABERTURA: Neste segmento composto de 6 pontos ("Bendito louvado seja", "Ô Maria, ô Iaiá", "Nego que tá fazendo", "Tambor, tambor", "Já caminhei", "Tira o pé"), saúdam-se os santos do céu e os da terra. Seja a terra de origem, a terra herdada ou o desterro.

TEMA: Fé. Onde termina o sincretismo e começa a concessão.

Antes do ritmo e da dança, a dinâmica dos Jongos se concentra na palavra. No verbo. Um elemento com que os praticantes dessa cultura dialogam, desafiam e se igualam com o os seus e com o mundo. Nos Jongos, diz-se que a palavra tem peso, tem força, tem forma, socorre, mas também mata. Tudo passa pela fé, pela comunhão coletiva própria dessa cultura que até hoje encobre, sob a fragilidade visível do Sincretismo, a grandeza dos seus fundamentos.

DOCUMENTÁRIO/SINOPSE: "Morre Congo, fica Congo". Memória da terra, saudades do local de origem, recuperação da auto-estima e magia, revelados pelos últimos mestres praticantes do Jongo Rural de Angra dos Reis: Carmo Moraes, na época, com 82 anos de idade; Dona Luisa, 67; Zady Rita, 62; Rosalvo Bernardo, 57 e Zé Adriano, 78.


Documentário exibido em Rede Nacional (TV Cultura, São Paulo), programa Zoom; encerrou a mostra "Da chanchada à feijoada – O cinema negro no Brasil" (Museu da Imagem e do Som, São Paulo); encerrou o "II Festival de Arte Negra – FAN" (Belo Horizonte – MG); convidado para exibição no Encontro Latino Americano de Culturas, México; na IPCTV, de Tóquio; no "III Discovering Latin America Film Festival; Festival de Cinema e Video de Udine (Itália) e no "16º The International Documentary Film Festival of Marseilles" (França, 2005). "Morre Congo, fica Congo" já foi matéria nos programas "Revista do cinema Brasileiro" (Rede Brasil, DirecTV) e "Canal Brasil" (GNT). Abriu em novembro 2004, no Cine Olido, São Paulo, O "Seminário Diversidade Cultural Brasileira; Interculturalidades (UFF/05); XV Festival de Documentários Latino Americano (Londres, 2005).


Ficha: "Morre Congo, fica Congo", (Die Congo, remain Congo). (www.dgtfilmes.com.br). 2001, DV, 15 minutos, cor, legendado inglês. Délcio Teobaldo, pesquisa, argumento, roteiro final e direção geral; Toni Nogueira, diretor de fotografia; Jorge Pessano, roteiro; Nair Borges, produção; Guará Rodrigues e Marco Túlio, som direto; Otávio Costa, edição; Badu Nogueira e Thiago Teobaldo, assistentes.


Dia 13/11/07

SEGUNDO ENCONTRO - CANTOS DE TRABALHO


ABERTURA: Estes cantos ("Com Deus me deito", "Acorda Maria", "Dona Maria Mucama", "Pega a vassoura", "Cativeiro taí") servem para identificar grupos, fazer firula à mulher amada ou entoar lamentosos para exorcizar a memória do trabalho compulsório.


TEMA: Terra e plantas.

Os saberes relacionados aos ritos de plantio, de cuidados e de colheita.

Se morre alguém e o corpo não é encontrado, oficializa-se o enterro, substituindo o defunto por um tronco ou cacho de bananas. Mas a mesma bananeira que leva para o túmulo a energia em transformação, cede seus talos, fibras e folhas, para a confecção de brinquedos e outros ornamentos. A bananeira é a planta mítica dos Jongos, porque, assim como eles, ela tem as faces do choro e do riso; da morte e da vida.


INÉDITO

DOCUMENTÁRIO/SINOPSE: Ladainhas, rezas e ofícios de fé e de cura... registra um ofício da Ladainha de Promessa, na cidade de Maricá (região metropolitana do Rio de Janeiro), com depoimento dos seus últimos apontadores. Aos contos e casos de magia, comuns a esta cultura, somam-se outras práticas comuns na região, como as rezas, os banhos e a medicação com ervas, também feitas com a intenção de restabelecer a harmonia física e social das famílias e dos grupos.


É curiosa a inter-relação das três culturas (a Ladainha, a Reza e a Medicina Popular) a partir de um elemento comum: o porco. No primeiro caso, o animal aparece como a representação do desordeiro e do maligno; no segundo, ele é o necessitado e, no terceiro, é o bendito, quando é revelado o poder curativo das suas entranhas (o fel).


As Ladainhas (no plural porque existem dois tipos: a Ladainha de Defunto, para encomendar um corpo e a Ladainha de Promessa, para agradecer uma graça alcançada), que têm uma liturgia marcada pelo sincretismo, eram uma prática comum na cidade até as últimas três décadas. A partir de então começaram a perder seus fiéis para as igrejas evangélicas e o interesse das gerações mais novas que as desconhecem e, por isto, "não acreditam na eficiência delas". Quem revela é Gilberto Ferreira da Silva Filho, o "Betinho", o último é único apontador (rezador) de Ladainhas de Maricá.


Ficha: "Ladainhas, rezas e ofícios de fé e de cura...", DGT Filmes (www.dgtfilmes.com.br) 2004, DV, 27 minutos, cor. Délcio Teobaldo, pesquisa, roteiro, produção executiva e direção geral; Toni Nogueira, diretor de fotografia e câmera; Maurício Falcão, som, luz e edição; Gabriel Góes, mixagem de som; Thiago e Felipe Teobaldo, assistentes de produção.


Dia 20/11/07

TERCEIRO ENCONTRO/CANTOS DE ORGIA


ABERTURA: Os pontos ("Eu vim de Angola", "Tem pau no mato", "Casa comigo", "Moça bonita", "O galo e o pinto", "Tatu tá véio", "Tô procurando peixe") louvam a folgança, o gozo, o alcance do êxtase e da santidade através do prazer.

TEMA: Tradição x mercado

Cultura autóctone e simulacro.

Em menos de cinco décadas, o carro de bois que movimentava a economia pastoral-agrícola e inspirava quase toda a criação popular, foi substituído pelos bens disponibilizados no mercado global. Ao contrário do que muitos pensam, essa mudança não causou danos irreversíveis nas culturas populares. Sejam nos Jongos, que se mantêm pela palavra, cuja dinâmica é capaz de recriar o mundo ou em culturas similares onde vale a lição de que "o novo não se firma se não se apoiar no velho".


INÉDITO

DOCUMENTÁRIO/SINOPSE: Cantos de Calamboteiros. O registro foi feito nos bairros de Fátima e São Pedro, no município mineiro de Ponte Nova, onde ex-cortadoras de cana-de-açúcar relembram a vida na roça, antes de se mudarem para a cidade. Eles ilustram as lembranças com os cantos que falam do trabalho compulsório, do amor e da amizade.


Ficha: "Cantos de Calamboteiros". DGT Filmes (www.dgtfilmes.com.br) 2007, DV, 27 minutos, cor. Délcio Teobaldo, pesquisa, argumento, produção executiva e direção geral; Toni Nogueira, diretor de fotografia e câmera 1; Maurício Falcão, edição; Nicodème de Renesse, som direto; Nathalie Joiris, assistente técnica; Virgínia Siqueira, coordenação de produção; Ricardo Motta, coordenador de produção local; Paulo Henrique de Carvalho, produção; Felipe Teobaldo, assistente de produção e câmera 2; Milena Campos, assistente.


CONVIDADAS: Grupo formado por 7 mulheres (Raimunda Silva dos Santos, Maria Antônia Domingues, Maria das Graças Hipólito, Maria Cecília Guilherme, Neusa da Silva Luz, Maria da Conceição Lopes, Antônia Aparecida Rogério), que guardam na memória os cantos de trabalho entoados nos canaviais e cafezais de Ponte Nova, Zona da Mata mineira."
Eugênia Rodrigues
12 de Novembro de 2007 #

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