Ei, secretamente a Som Livre colocou de novo em catálogo o genial disco "Portela, Passado de Glória" da RGE, o primeiro disco da Velha Guarda da Azul e Branco e que foi produzido pelo Paulinho da Viola.
Se o disco é importante? Bom, simplesmente antes dele não existiam Velhas Guardas de escolas de samba. Já se usava o termo velha guarda, como em "Pixinguinha e o Conjunto da Velha Guarda" e até mesmo a expressão "Jovem Guarda" surgiu como contraposição. Nesta época os músicos já começavam a deixar de ser os integrantes mais importantes das escolas. Paulinho então reuniu em 1970 os bambas de Oswaldo Cruz e criou o conjunto denominado de Velha Guarda da Portela. Como primeiro resultado saiu este disco com jóias como Quantas Lágrimas de Manacéa ("Ah! Quantas lágrimas, eu tenho derramado..."), Desengano (Aniceto), Sofrimento de quem Ama (Alberto Lonato), Levanta Cedo (Rufino), Cocorocó (Paulo da Portela) e Alegria Tu Terás (Antonio Gaetano). Músicas tão poderosas que são até hoje cantadas com entusiasmo nas rodas de samba. Se você gosta de samba e ainda não o tem, faça um favor a si mesmo e compre-o correndo.
Uma curiosidade, nenhum dos membros da Velha Guarda atual participa do disco como integrante do conjunto. O único integrante oficial na época, Monarco, não pôde comparecer às gravações porque estava na estiva (literalmente!). Jair do Cavaquinho e Casquinha participam como músicos convidados, o primeiro tocando -- claro -- cavaquinho, e o segundo surdo, instrumento hoje sob a batuta de seu filho, Cabelinho.
Mesmo depois deste disco maravilhoso, a Velha Guarda somente voltaria a gravar no final da década de 80 com as produções do japonês Tanaka. Discos que até hoje nunca foram lançados por aqui em CD:-( Uma vergonha nacional!
A Som Livre, que é a atual dona do catálogo da RGE, também está prometendo lançar em breve vários dos discos originais do acervo da gravadora. A RGE foi a principal responsável pelo lançamento de discos do movimento do pagode -- o de verdade! -- no início da década de 80. Devem aparecer por aí originais de Zeca Pagodinho, Jovelina, Leci Brandão e outros. Aguardem.
Parece que quem se preocupa mesmo com a cultura deste País são pessoas que revivem o movimento quase diariamente, como nosso grupo de samba e tantos outros grupos de raiz e vocês da agenda que defendem a bandeira do samba e não esquecendo daqueles que indiretamente participam carregando este estandarte.
"Reviver raizes é aprender a plantar e cultivar"