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O samba e o choro no festival de música da Globo

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Por Paulo Eduardo Neves
Publicada em 25 de Agosto de 2000 
Assunto: TV e Rádio

Epa! A pilha de notícias que temos para editar está nos fazendo chegar atrasados. De qualquer maneira aqui vão algumas dicas para ficar de olho nas músicas de gente ligada ao samba e choro no Festival de Música da Globo. Por causa do atraso, vou falar até de algumas que já foram desclassificadas. O melhor de tudo é que farei isto sem ter ouvido nenhuma música:-)

O samba mais forte parece ser o "Eu Só quero Beber Água" de Moacyr Luz. Já tem até um pessoal preparando uma torcida organizada para o Moa neste sábado. O coro que ele está levando vai ser de arrepiar, nada menos do que as pastoras da Portela (Doca, Surica, Eunice e Áurea) com o auxílio luxuoso de Teresa Cristina. Humm... acho que já sei para quem torcer. Tem também "Pra se Juntar a Nós" de Carlinhos do Cavaco e de Nilton Pinheiro. Carlinhos tem com prestígio no meio sambístico de Sampa, sendo considerado um dos bons compositores da nova geração. Duas que já foram desclassificadas, mas eram de uma turma boa: "Patifaria" de Rodrigo Lessa e "Imaginária" de Mário Sève e Suely Mesquita. Rodrigo é bandolinista e arranjador dos grupos Nó em Pingo D'Água e do Pagode Jazz Sardinha's Club. Mário é responsável pelos sopros da banda do Paulinho da Viola e também integrante do Nó. Concorrendo está ainda o samba-enredo "Terra à Vista" de Marco André Siso de Oliveira e Alfredo Oliveira que será interpretado pelo grupo Puxadores de Samba.

Além destas tem o "Chorinho em Mente", que pelo nome deve ter alguam coisa a ver com choro, intepretada pelo Preditando o Breque; tem o Vicente Barreto, músico com uns sambas bem legais, mas que é mais conhecido por suas músicas "Morena Tropicana" e "Cabelo no Pente" (parcerias com Alceu Valença) e "Hein?" (com Tom Zé); tá lá o Zé Renato que é cada vez mais sambista; outro que rodou na primeira eliminatória foi o Sérgio Santos, que faz um "samba soft" e tem muitas parcerias com o Paulo César Pinheiro.

Pelos comentários que tenho ouvido ninguém tem gostado muito das músicas do festival. Um de nossos leitores já me escreveu sugerindo uma das teorias conspiratórias mais bacanas que já ouvi. O Império Global estaria propositalmente promovendo um festival apenas com músicas ruins. Desta forma poderia afirmar categoricamente que "a música brasileira contemporânea não presta", justificando a abolição de música de qualidade de sua programação. A partir de então estaríamos sujeitos apenas a axé-bunda e sambanojo. Gostei da teoria!!! Dá até vontade de acreditar:-)). Independendo da qualidade do primeiro festival, é interessante ver a música brasileira saindo dos subterrâneos. Desconfio que nos antigos festivais, com poucas exceções, sobrava apenas um punhado de músicas boas. Com novas edições ele tenderá apenas a melhorar. Devemos louvar a Rede Globo pela iniciativa (Gulp! Nunca pensei que fosse escrever isto.).

Saiba mais sobre o Festival:
A Rede Globo mantém um site oficial com a listagem das músicas, suas letras e autores, tem ainda a Agenda das eliminatórias. Boas informações para quem conseguir ler a letra minúscula da tela. O mais bacana está no site da Som Livre. Você pode ler uma reportagem nada independente sobre a primeira fase do festival, mas o melhor são as páginas onde se pode ouvir as músicas concorrentes. Há clipes aqui e aqui.

Tem opiniões sobre as músicas? Sobre os músicos? Sobre o festival? Elogie ou piche, clique agora aí embaixo e publique seu comentário. Aqui não tem censura!

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Comentários dos leitores

Pela primeira vez fiquei decepcionada com os comentários da agenda. Vocês falaram do Festival de Música da Globo, citaram os conhecidos e merecidos Zé Renato e Moacyr Luz e não citaram o super talentoso Pedro Holanda com o excelente samba "Tempestade e Calmaria". Nesse marasmo musical, onde só as velhos nomes trazem algo de bom e novo, o jovem Pedro com sua sensibilidade poética, qualidade musical, com harmonias sutis mas sofisticadas, merecia ser divulgado na Agenda!

Branca Americano
Branca Americano
25 de Agosto de 2000 #

A música "Imaginária" do Mário Sève e Suely Mesquita ainda não foi apresentada, portanto continua com chances.
Helton Altman
Helton Altman
25 de Agosto de 2000 #

Caros amigos,

Voces já me desclassificaram, sem eu ter me apresentado
e nem terem conhecido minha música - Imaginária? Por
que? Me apresentarei dia 9/9. Retifiquem a nota,
porfavor.

Sobre a teoria de seu leitor, que grande bobagem... O
Festival é das poucas iniciativas na grande mídia de
revelar músicas novas. Procurem saber quem julgou e
quem julgará, entre no site e informem isso a galera!

De qualquer forma, parabéns pelo trabalho que vêm
fazendo em benefício da divulgação do samba e do choro.
Mente aberta! Valeu!

Aqui vai a ficha técnica da Imaginária:

Nome: "Imaginária"

Autores: Mário Sève (música) e Suely
Mesquita (poesia)

Intérprete: Carol Saboya, com

sax soprano (Mário Sève)
violões (Rogério Souza e Gabriel
Improta)
percussão (Celsinho Silva)
harpa e orquestra de cordas

Arranjo: Antonio Adolfo

Dia e local da apresentação: 9 de setembro
de 2000 no Credicard Hall (São Paulo)



Imaginária está entre as 48 canções selecionadas, de
cerca de 24.000 ouvidas, para o Festival. Imaginária é
uma espécie de choro-canção "etéreo ou futurista".

Mário Sève
25 de Agosto de 2000 #

O Joao Gilberto tinha razao. Estive no último sábado na segunda eliminatória do Festival da Música Brasileira e não pude deixar de reparar no péssimo som do lugar.Lembram quando o João Gilberto reclamou na inauguraçao da casa? Foi uma polêmica. Mas, a dura verdade é que em várias músicas, incluindo "Eu só quero beber água", do Moacyr Luz, não dava pra ouvir nada. O canto das Pastoras da Portela(Doca, Eunice, Surica e mais a cantora Teresa Cristina), infelizmente, foi abafado pela incompetencia do responsável pelo audio da casa. No entanto, nem mesmo o "som rouco" me impediu de ouvir composições horrorosas, reforçando mais uma vez o baixo nivel do festival. A verdade é que esse evento não pegou, mesmo que a globo insista em transformá-lo num superacontecimento como os festivais dos sessenta. Os tempos são outros e o público parece estar cada vez mais interessado em pão com bosta, de preferência com pouco pão.
Railídia Carvalho Szegeri
30 de Agosto de 2000 #

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