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Rodrigo Lessa sábado em Rio das Ostras (grátis) |
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O bandolinista e compositor Rodrigo Lessa iniciou a turnê de lançamento de seu novo disco, "Das Ilhas Mestiças". Neste sábado, dia 19, as músicas do cd serão mostradas num show gratuito em Rio das Ostras.
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Comentários dos leitoresTexto de divulgação?
…”Rodrigo Lessa junta e soma o que ficou de nós no meio do Atlântico com o que, recriado nas ilhas mestiças, jamais deixou de fazer parte de nós”. Alberto da Costa e Silva Rio de Janeiro, Cabo Verde e Cuba têm em comum, além de uma relação histórica com o cultivo da cana-de-açúcar e de serem banhados pelo Oceano Atlântico, inúmeras afinidades musicais. A presença constante da síncope na música; da música nos rituais resultantes do sincretismo religioso; e o uso do violão e da percussão como elementos-chave na instrumentação são alguns dos pontos que fluem nas mesmas águas. Das Ilhas Mestiças, o quinto cd do compositor e bandolinista Rodrigo Lessa, seu quinto exclusivamente autoral, bebe do caldo cultural que ebuliu de três séculos do tráfico de escravos. Alimenta-se da alegria da mestiçagem das etnias. Inspira-se na sensualidade da dança dos povos do Atlântico Negro. Concebido com admiração pela música dos três países, não é um disco acadêmico, mas antes um disco dançante e para cima. No Cabo Verde - arquipélago que o Brasil conheceu no século XVI, pois era entreposto dos escravos que os portugueses traziam para cá - Rodrigo Lessa calcou sua pesquisa musical. A intuição falou alto e as 12 faixas inéditas já haviam sido compostas antes da viagem realizada para aquele país em 2006. Para lá ele levou quatro bases gravadas e foi colher participações. Entre mornas, batuks e coladeiras, o cd contemplado pelo Programa Petrobras Cultural e patrocinado pela Petrobras ganhou corpo, convidados e a certeza de que tudo é mesmo uma só coisa. As composições e os arranjos de Lessa souberam sublinhar o singular e único de cada um desses lugares. Nelas, com espaço para improvisações dos convidados, as baixarias do violão brasileiro, o pontilhado das coladeiras caboverdianas e a técnica particular dos congueiros cubanos se aproximam a ponto de fundir-se em uma só composição-síntese, transatlântica. O disco foi gravado entre Lisboa e Rio, com participações internacionais dos cubanos Julio Padrón (cantor e trompetista) e Jose Izquierdo (congas), dos caboverdianos Toi Vieira (piano) e Vaiss (guitarra), dos cantores portugueses Janita e Vitorino Salomé, dos pianos de Tomás Improta e João Donato. Rodrigo Lessa (bandolim, bandarra, cavaquinho), Xande Figueiredo (bateria), Luis Louchard (baixo), Rogério Souza (violão) e Jaguara (percussão) formam a base, que conta ainda com luxuoso instrumental de Eduardo Neves (sax e flauta) Zé Carlos Bigorna (saxes), Nailson Simões e Jessé Sadok (trompetes), Celsinho Silva, Jorginho do Pandeiro, Bernardo Aguiar e Marcos Esguleba (percussões). Colaboram também Gabriel Improta (violão) e Chico Chagas (acordeon). Calango Mindelo, a faixa de abertura, traduz o clima do disco. Mindelo é o nome da cidade mais conhecida do arquipélago de doze ilhas (fica em São Vicente, terra de Cesaria Évora). A primeira levada é de coladeira; logo após, um fraseado lembra o choro de Honorino Lopes Língua de Preto; enquanto os baixos inspiram-se no sucesso Sodade, de Cesaria. Julio Padrón dá sabor cubano no fraseado super agudo no trompete. De mão cheia é choro rasgado, carioca. Destaque para o diálogo entre bandolim de Lessa e o violão de Gabriel Improta. Suave Dengo é delicada, feminina, pontuada pelo improviso do meio-chileno meio-cubano Jose Izquierdo. Porque que tem que ser assim é samba/sambalanço, prato cheio para Donato. Lessa conta: “Adorei essa faixa, ele tocando minha melodia e o arranjo tocando a melodia dele, já que na volta da introdução eu cito a Rã em outra harmonia.” A alegre Burrito brinca com o duplo significado da palavra em espanhol. Julio Padrón brilha e conduz o rico instrumental. A melódica Sonhos foge ao padrão do disco, e tem solo antológico de Tomás Improta. Sem Vergonha retoma o projeto de verdadeira fusão atlântica. Coladeira, salsa, maxixe e choro se alternam e se superpõem em vários discursos. Equador fica fronteiriça entre o o choro e o ijexa . Já Ponto de bala é samba-choro como manda as regras da arte. A faixa Ilhas Mestiças é uma viagem musical. “Uma introdução que eu gostava ganhou na sequência o piano do Toi Vieira, que arrasa em bom gosto e economia”. Cabe acrescentar que Toi Vieira é um dos principais compositores e arranjadores caboverdianos. Foi uma música dele, Falso Testemunho o despertar de Rodrigo Lessa para o país. Aresta America surgiu a partir de uma base destinada a um solo de percussão. Os cantores Janita e Vitorino Salomé dão um clima mouro. A faixa-bônus Rala Coxa se justifica. Composta em 2003 e já em dois discos de Paulo Moura e Rodrigo Lessa, preconizava a paixão do compositor pela música de Cabo Verde. Das ilhas mestiças é, na prática e no dialeto crioulo, “morabeza” - que significa “gozar a vida, bem estar, boa conversa”. Não é à toa que dá nome à única música que seu autor toca solo, em tons pastéis. É assim que o cd deve ser ouvido: uma boa conversa entre lugares que se afirmam e se reconhecem nos elos musicais e que, apesar da distância continental, têm muito a trocar. O cd pode ser adquirido na Rob Digital (tel 21-2195-4608) ou na página www.robdigital.com.br Consulte mais informações sobre o artista em www.rodrigolessa.com.br" |
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