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Um repertório diferente quarta no Trapiche e quinta no Mistura

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Por Eugênia Rodrigues
Publicada em 16 de Outubro de 2006 
Estado: RJ 
Assunto: Shows e Rodas

É ótimo cantar um samba que a gente conhece de cor. Mas esse prazer caminha junto com outro – o do aprendizado de novas composições. E isso é maravilhoso. No último mês, tive a oportunidade de, em dois locais diferentes, conhecer vááários sambas incríveis. E venho deixar estas dicas para os leitores.

Primeiro foi quando fui à roda das quartas do Trapiche Gamboa. Já conhecia a casa, claro, mas nunca tinha ido nesse dia. O nome do grupo ainda não é tão conhecido - "Samba de Fato" - mas seus componentes já são familiares a quem freqüenta as rodas do Rio: Pedrinho Miranda, Pedro Amorim, Alfredo del Penho, Paulino Dias e Clarice Magalhães. O repertório é uma aula. Tem músicas de compositores menos conhecidos, e também músicas de compositores famosos mas que quase não são tocadas. Então, eles tocam Wilson Moreira, mas é, por exemplo, em "Peneira e Pilão"... e tocam Candeia, mas a música escolhida pode ser "O Último Bloco"... e tem Roque Ferreira, com "Cavalo de São Jorge" (dele e PC Pinheiro), recém-gravada por Nilze Carvalho... e quando comparece Martinho da Vila, é, por exemplo, em "Roda Ciranda", uma música linda que ele fez para a Alcione e a Betânia. É uma noite "Lado B", digamos assim – de muitas canções eu não sei o nome nem os autores, então nem tem como escrever aqui. Ah, e é uma oportunidade de conferir as composições próprias do cantor e violonista Alfredo Del Penho – como "Caso Encerrado". Aliás, ele está preparando um disco solo, vamos aguardar!

Já para as quintas-feiras, a dica é o show que Pedro Paulo Malta e Ana Costa estão fazendo no Mistura Carioca.
Conforme já noticiamos . Além do talento vocal da dupla, o repertório, tenha certeza, está excelente, selecionado que foi por Lefê Almeida e Mariozinho Lago. É simplesmente um passeio pelo Rio de Janeiro. O jornalista João Pimentel, do Globo, escreveu um texto em que conta que a idéia nasceu quando Lefê e Mariozinho, atravessando a cidade - a cada vez que passavam num bairro começavam a cantar um samba que falasse do local.

A viagem que acontece no Mistura começa no coração da cidade, com músicas em louvor ao Estácio, à Lapa, à Cinelândia... Nesse percurso, podemos ouvir "Sambista Cinelândia" (Custódio Mesquita/Mário Lago"), "A Dama do Cabaré" (Noel Rosa)...

De lá, passamos pela Zona Sul do Rio, ouvindo o "Samba do Avião" de Tom Jobim, na doce voz de Ana Costa, "Botafogo, Chão de Estrelas" (os vascaínos Paulinho da Viola e Aldir Blanc são os compositores desta lindeza, a qual termina com os versos "sou a estrela solitária/botando fogo no crepom azul do mar...")... E aí chegamos à Zona Norte, com Cartola, Noel, Aldir, com Wilson Batista cantando o Salgueiro.... Ao aportarmos no subúrbio, ouvimos músicas que homenageiam o Irajá, o Méier, Madureira... Registre-se a interpretação sentida de PP Malta em "Caco Velho" (Ary Barroso).

O show tem autores dos quais, provavelmente, você nunca ouviu falar: conhece o Colombo? E Paulo Emílio? Os dois estão no programa.

Boa diversão!

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Comentários dos leitores

Corrigindo Bohêmios de Irajá.
Anderson Baiaco
17 de Outubro de 2006 #

Nunca fui no de quinta, mas pelo menos em relação à quarta assino embaixo! O samba do Trapiche está de altíssimo nível. Além dos músicos, que nem se comenta, o repertório é muito diferente do que tocam na grande maioria das rodas. Já aprendi mt lá, inclusive músicas lindas do Alfredo del Penho e do Pedro Amorim. Sempre vale a pena!
Patricia Barrozo Netto
17 de Outubro de 2006 #

Cara Eugênia, embora longe do Rio (onde tenho dois filhos)haverei de ir assim que der às duas opções de bar que você indica no seu feliz texto "Um Repertório Diferente..."
Enquanto lia você, eu me via no Bip Bip, em Copacabana, onde estou no domingo à noite, sempre que consigo deixar o Litoral Norte paulista (onde moro, em São Sebastião)para reviver o meu amado Rio de Janeiro onde morei por alguns anos. Ali naquele templo do samba, quase sempre concluo o quanto desconheço o repertório de samba, haja vista a quantidade de músicas tocadas que, sobre elas, às vezes, mal consigo cantarolar. É uma experiência enriquecedora. Só estou menos por fora do repertório depois de ouvir e ouvir e ouvir o disco que o Bip Bip lançou e que tem jóias raras como "Reunião de Condomínio", de Paulinho do Cavaco, por exemplo.
É isso. A sua observação é perfeita (em tese, somos propensos a ouvir músicas conhecidas, cantar junto, etc)e deliciosa de ler. Seja em paz, Ivan Quadros.
Ivan Quadros
18 de Outubro de 2006 #

Eugência,

Sabe se o Pedro Paulo e Ana já gravaram o show em CD?

Abraço,
Jorge Moraes
20 de Outubro de 2006 #

Pela "urgência", saiu Eugência. Desculpe Eugênia. Mas, pelo menos, já temos o primeiro verso de um samba em homenagem a você...
Jorge Moraes
20 de Outubro de 2006 #

...não, Jorge! Ainda não ;) Vamos torcer, pq merece um disco, sim!

Abração, Eugênia.
Eugênia Rodrigues
20 de Outubro de 2006 #

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