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Novas coletâneas trazem discos fundamentais de Candeia e Cachaça |
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A Warner está lançando em junho uma nova série de coletâneas. É mais uma série caça-níquel, como todas lançadas por grandes gravadoras. Capas horrorosas, encartes pífios e uma seleção de músicas sem qualquer critério. Discos piratas são mais bem feitos. O nome da série é "Enciclopédia Musical Brasileira" e visa substituir a antiga e fora de catálogo "Mestres da MPB".
Nosso site é tão bom que também avisamos que discos você não deve comprar:-). Quem comprar os discos do Paulinho da Viola, Tom Zé ou Novos Baianos desta coleção é otário. Como já anunciamos aqui, discos destes artistas serão lançados dentro da coleção Dois Momentos da própria Warner. Esta coleção é uma exceção dentro da política das gravadoras, tem uma ótima remasterização e encartes originais. Espere por ela em vez de comprar esta coletânea vagabunda. Não jogue seu dinheiro fora. A mesma gravadora lançar os mesmos artistas em duas séries é mais um reforço para nossa teoria de que os funcionários de gravadoras são o paradigma da incompetência. A série tem outras coisas interessantes. Há discos do Jamelão, Lupicínio Rodrigues, Radamés Gnattali e Severino Araújo (estranha mistura), Jacob do Bandolim, Aracy de Almeida, Jards Macalé e Luis Melodia, Noel Rosa e Mário Reis (outra estranha mistura), Waldir Azevedo e Baden Powell. Nota triste pelo Lupi. Um dos pontos fortes da antiga Mestres da MPB era que, não só tinha o disco "Dor de Cotovelo" gravado pelo próprio Lupi em 73, como tinha um disco inteiramente dedicado às interpretações de Jamelão de suas músicas. Agora misturaram tudo sem qualquer critério. As músicas do disco do Macalé são do seu ótimo disco onde gravou apenas Geraldo Pereira, Paulinho, Lupicínio e Nelson Cavaquinho. Outro disco que deveria estar em catálogo. Estou colocando o repertório completo de vários discos da coleção como comentário desta notícia. Confira se quiser saber mais.
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Comentários dos leitores
Que fôlego, hein seu Paulo? Excelentes informações para cada um poder avaliar se os discos valem a pena para si. A julgar somente pelo repertório, embora a falta de critério seja realmente patente, outros discos da coleção, além dos recomendados, podem ser interessantes para quem não tem muita coisa dos respectivos selecionados, para ter uma idéia da grandiosidade de suas obras: Aracy de Almeida, Waldir Azevedo, Época de Ouro ( esse tem uma selação mais carne de vaca ). O próprio disco Noel / Mário Reis tem algumas coisas um tanto difíceis de encontrar por aí, como as preciosas gravações dos sambas de Sinhô, na virada das décadas de 20 para 30. Mas é claro que o ouvinte mais exigente deverá sempre preferir as excelentes coletâneas editadas pelo selo Revivendo, que recuperou para a era digital relíquias preciosíssimas da música brasileira, sempre acompanhadas de encartes primorosos assinados normalmente pelo competentíssimo Abel Cardoso.
Por fim, só pra chatear, até que as misturas que você achou estranhas não me pareceram tanto assim. Mário Reis foi, sem dúvida, ao lado de Aracy e Marília Batista, um dos principais intérpretes da obra de Noel, sozinho ou em dupla com Francisco Alves. De repente, serve para apresentar o grande intérprete para quem estiver mais atrás de alguma coisa do Noel. Quanto a Radamés e Severino, embora os estilos divirjam, trata-se de dois primorosos maestros e arranjadores brasileiros, indubitavelmente entre os principais deste século, em termos de competência e importância histórica, deles próprios e das orquestras que dirigiram marcando época. Já que foi dito que quem comprasse o disco dos Novos Baianos nessa coletânea da Warner é "otário", aproveito para lembrar que na coleçao "Best Sellers" a mesma Warner acaba de lançar integralmente, embora sem o título, os LPs seguintes dos NB, "Novos Baianos F.C." (1973) e "Alunte" (1974). O CD é duplo e vale muito a pena, tanto quanto o "Acabou Chorare", na minha opiniao.
Corram, a série já está fora de catálogo.
A referência a Tom Zé na Agenda me desagrada um pouco. Nosso esaço já é tão pequeno... Será que vale a pena ocupá-lo com gente que nada tem a ver conosco? a) Nei Lopes
Não há como deixar um comentário de Nei Lopes sem resposta. Vamos então nos explicar.
Primeiro isto daqui é um site na internet, e não uma revista. Não temos limite de espaço, é tudo virtual. Mencionar artistas de outros estilos no meio de uma notícia, não tira espaço dos demais. Acho legal que mencionar no meio das notícias artistas de outros estilos que achemos interessantes e criativos, mesmo que nem todo mundo goste deles. É tudo a boa música brasileira que não toca nas rádios. Depois, a definição do que é samba e choro é meio difusa. Será que artistas como Jards Macalé, Chico Buarque, o pessoal da Bossa Nova, grupos como o Pagode Jazz Sardinha's Club fazem samba ou choro? Cada pessoa vai responder de uma maneira. A inclusão destes artistas no site acaba dependendo mais do gosto pessoal de cada editor. Eu, por exemplo, não sou grande fã de bossa nova, por isto não falo muito no site, já o Danilo, que edita notícias de Sampa, gosta muito, editando mais notícias neste estilo. Por fim, veja o que o próprio Tom Zé diz em uma entrevista ao mencionar um prêmio que ganhou: "...eu quero pleitear o título de sambista. Porque o que eu faço é samba e ninguém me chama de sambista! Eu só faço samba, bicho e baião de vez em quando, e não tenho o direito nem de ser de sambista. Vou pedir que para o ano eles façam um adendo e digam que eu sou sambista." Isto é um barato! Normalmente "sambista" é pejorativo, usa-se para desvalorizar o artista. O Paulinho da Viola por ser "sambista" nunca concorrem aos mesmos prêmios que músicos "de MPB" como Chico ou Caetano. Até ganha cachê menor. Mesmo assim o sujeito faz questão de ser chamado de sambista. Além disto, veja que há algumas músicas do disco em questão que são parcerias nada menos do que com Elton Medeiros. Existe alguma dúvida de que este é sambista?:-) Aproveito para fazer uma correção quanto aos discos do Tom Zé. Segui o que li nos jornais e falei bobagem. Os discos do Tom Zé da Warner não sairão na série Dois Momentos. Serão relançados sim, mas individualmente. Em comum apenas o fato de estar também sendo remasterizados pelo Charles Gavin. Este exemplar da Enciclopédia da MPB passa então a ser uma boa opção para quem quiser apenas uma coletânea da melhor fase do artista. A WEA colocou em seu site informações sobre toda a coleção Enciclopédia da MPB. Dá até para ouvir trechos de faixas.
Não sei se está fácil achar os CD´s da série por aí, por isso, lá vai: encontrei hoje vários nas Lojas Americanas do Passeio ( Centro) a R$ 8,70 cada um. Tinha da Aracy, do Tom Zé, do Jamelão, dos Reis da Voz, do Jackson do Pandeiro com Gordurinha... Mas não tinha os nossos maiores objetos de desejo - Candeia e Cachaça. Esses dois só encontrei no seu Oswaldo, que é um velho conhecido de quem costuma comprar discos de vinil e CD´s nos camelôs na rua Pedro Lessa, na Cinelândia. A banca dele é bem boa ( fui lá que encontrei um dia o clássico "Na Madrugada"!). Ele está vendendo os CD´s da série por 20 reais cada. O problema é que ele só tinha um do Candeia e um do Cachaça, e é claro que eu os levei... :-) Ele disse que talvez receba mais, mas não deu certeza, e sugeriu que quem trabalhe no Centro passe lá vez ou outra.
Aproveito para avisar a quem não os tem que os CD´s são exatamente como o Neves falou: encarte pobre, capa feia... Mas as músicas, gente... Sem comentários. tudo muito bem valeu mesmo. Agora meus amigos coloquem na praça o trabalho de CARLOS NOBRE por favor pô o cara teve a sua época e um vozeirão. Muito obrigado e espero a compreensão de vcs.
sem mais: Celestino Moçada:
Comprei 4 discos da Enciclopédia de Música Brasileira, cerca de 1 da manhã de ontem (não conseguia dormir, e o supermercado que vende é 24 horas): - Aracy de Almeida - Candeia - Jamelão - Carlos Cachaça Estou ouvindo agora, enquanto trabalho, a Aracy. A Daniella deve lembrar-se de uma discussão sobre ela, lá na rec.music.brazilian, em que eu dizia que a Aracy era mais lembrada no Brasil como jurada do Sílvio Santos. Que injustiça, eu já sabia mesmo sem nunca tê-la ouvido. Agora, com esta primeira audição da voz da Dama da Central, tenho os primeiros comentários: "Feitiço da Vila", com a orquestra de Francisco Sergi, tem aquele ar hollywoodiano do início do século, e a voz da Aracy deixa uma primeira impressão, pra quem nunca escutou mas ouviu muito comentário, de uma cantora mais bem-comportada do que se esperava. Os vibratos estão lá, os portamentos, falta é mais ginga. Essa é a Aracy? Pareceria, se não pelo anacronismo, que está tentando o estilo da Elizeth... A ginga aparece em "A tua vida é um segredo", de Lamartine, e "Camisa amarela", do Ary Barroso, que desmentem a idéia que eu tinha de que Aracy só cantava Noel. A primeira com a Orquestra Tabajara do Severino, são mais soltas e Aracy já interpreta mais, é mais divertido. "Se eu morresse amanhã de manhã" (Antonio Maria), "Quem vem pra beira do mar" (Caymmi), "Tenha pena de mim" (Cyro de Souza/Babahu - ?!?) e "Quando tu passas por mim" (Antonio Maria/Vinícius - sic, com acento - de Moraes) têm valor histórico, mas pouco mais que isso. "Quando tu passas por mim" tem um eco de banheiro, mas pode ser defeito nos meus fones do trabalho. A orquestra também acelera e atrasa às vezes. "Bom dia tristeza"... bem, acho difícil alguma interpretação me agradar depois de ter ouvido Roberto Ribeiro no "Meus Momentos" do Adoniram Barbosa, com introdução do próprio Adoniram: "A tristeza é um bichinho que só tem pra roer. E como rói, a bandida. Parece rato em queijo parmesão". Mas também há que se levar em conta que Aracy cantou bem antes. E por aí segue o CD, com interpretações históricas de músicas históricas... Ao mesmo tempo eu esperava mais, ou talvez menos. Muita expectativa leva inevitavelmente a frustração. Os textos do Tárik que acompanham cada volume não compensam a falta de fichas técnicas, ainda que ele no caso do Cachaça liste os intérpretes no próprio texto. Este texto é uma "costura" entre a biografia e o repertório apresentado no CD, com a falta de emoção característica de um pesquisador pouco envolvido. Tárik parece não ter gostado do que ouviu. Conforme for ouvindo os outros, mando mais resenhas. 'Bração do Pimenta. Para o povo de SP:
A Fnac tem todos os CD's da coletânea por menos de R$ 10,00 !!! Aproveite enquanto durar... Mais SP...
No Mappin tá R$ 8,90, mas não tem o do Candeia. Na Americanas do centro tá o mesmo preço, mas além de não ter o do Candeia não tem o do Carlos Cachaça também. PS: Só vi 3 do Carlos Cachaça no Mappin! Na Seis de Ouro da Sete de Abril (Sao Paulo, SP) eu paguei 9,90 tanto no do Candeia quanto no do Carlos Cachaca.
Mais uma vez as gravadoras mostram que não existem para trabalhar e divulgar um artista, e depois disso pensarem no lucro. O principal é o lucro imediato, depois pensam nos músicos... Por isso e muito mais eu defendo a idéia de que as pessoas tem mais é que boicotarem as gravadoras mesmo. Pirateiem, gravem em mp3, etc. Mas não dêem dinheiro à esses representantes dessa indústria cultural que está assolando cada par de ouvidos desse país
Vocês sabiam que o disco em vinil do Carlos Cachaça não contém as duas últimas músicas do CD?
Pois é, eu tenho o vinil e nele só constam as doze primeiras músicas. A ordem das músicas também não é a mesma. Para quem quiser ouvir o CD na sequência em que foi planejado, aí vai a lista: FACE A 1 - Todo Amor 2 - Quem me vê sorrindo 3 - Amor de Carnaval 4 - Crueldade 5 - Se Algum dia 6 - Não me deixaste ir ao Samba FACE B 1 - Harmonia em Mangueira 2 - As Flores e os espinhos 3 - Cabrocha 4 - Juramento Falso 5 - Clotilde 6 - Alvorada A vantagem do vinil é que contém um encarte de quatro páginas (duas folhas frente e verso) com um longo texto de Roberto Moura e várias fotos do querido Cachaça (incluindo fotos de sua companheira Clotilde - a tal da música -, de Cartola, Zica etc). Há também uma ficha técnica na contra-capa do LP. Para quem não sabe, o disco foi gravado em Julho de 76 pela Discos Continental. O fato do CD começar por Alvorada e Quem me vê sorrindo é obvio. As músicas em parceria com o Cartola tem mais apelo (sentimental e comercial). Quanto a Lacrimário, penúltima do CD, eu já conhecia do vinil "O fino do Samba", coletânia com vários nomes do nosso samba. Não sei em que disco foi lançada originalmente. Já "Não quero mais amar a ninguém", até hoje só conheço pelo Cartola. Talvez compre o CD para conferir. Obrigado ao Henrique pelo comentario acima, eu estava para perguntar se a ordem das musicas do Carlos Cachaca esta' certa, pois a do "Axe'" do Candeia nao esta'. Ai' vai a ordem original, seguida da ordem de faixas em que voce deve programar seu CD player para ouvir o disco com foi lancado originalmente:
Lado 1 1. Pintura sem Arte 2. Ouro, Desca do seu Trono / Mil Reis 3. Vivo Isolado do Mundo / Amor Nao e' Brinquedo 4. Ze' Tambozeiro Lado 2 1. Dia de Graca 2. Gamacao / Peixeiro Granfino / Ouco uma Voz 3. O Invocado / Beberrao Programe seu CD na seguinte ordem para ouvir o "Axe'", e nao o volume 29 da "Enciclopedia Musical Brasileira": 2, 4, 1, 7, 3, 5, 6. Para ouvir o disco do Carlos Cachaca na ordem original, programe o seguinte: 5, 2, 4, 6, 7, 3, 9, 10, 11, 12, 8, 1 Fico bastante feliz que a Warner tenha se esforcado tanto em consertar os discos originais extraindo a capa e encarte e revendo a ordem das faixas. Realmente era indispensavel. O "Axe'" e' de 1978, e vinha com um texto ocupando metade da contracapa falando do disco, e outro bem grande no encarte falando de cada musica. Vinham tambem, claro, a ficha tecnica completa do disco e as letras. A proposito, alguem sabe me dizer se vale comprar o volume do Mario Reis / Noel Rosa? Faz tempo que quero comprar algum CD do Mario Reis, mas parece que vai sair um volume exclusivamente dele na nova leva da serie Raizes do Samba, entao estou na duvida se espero ou nao. Comprei o do Noel e Mário Reis e fiquei meio insatisfeito. Apesar das excelentes músicas, o disco é muito curto. São apenas 7 músicas de cada. A parte do Noel tem mais valor histórico, já que ele não era um grande intérprete. O do Mário Reis é ótima. Você pode também tentar ver na Revivendo.
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