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Série de shows no CCBB homenageiam a Divina Elizete Cardoso

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Por Paulo Eduardo Neves
Publicada em 3 de Abril de 2000 
Estado: RJ 
Assunto: Shows e Rodas

Mais uma série de shows de qualidade este mês no Centro Cultural Banco do Brasil. A homenageada da vez é a maior cantora brasileira de todos os tempos, a Divina Elizete. Serão quatro diferentes shows, cada um mostrando uma diferente faceta da Enluarada. O bacana do roteiro dos shows é mostrar como como ela sempre esteve à frente dos mais importantes movimentos da MPB. A responsabilidade é grande, mas juntaram um time de cantoras de primeira. Garantindo a qualidade, a direção musical fica por conta de Maurício Carrilho. Anote os shows em sua agenda. Depois de assistir algum, aproveite para voltar no site e fazer seu comentário a respeito.

  • BONECA DE PICHE por Soraya Ravenle - 5 a 8. Única das cantoras da nova geração que se apresenta, Soraya começou a ficar conhecida por sua participação no grupo de samba Arranco (ex-de Varsóvia) e teve um merecido reconhecimento por sua interpretação de Dolores Duran no musical sobre sua vida. Na apresentação estarão os clássicos, músicas de Ataulfo Alves, Orestes Barbosa e Noel Rosa. O nome do show vem do espetáculo que a Divina dividiu com o genial Grande Otelo em 39.
  • CANÇÃO DO AMOR DEMAIS por Alaíde Costa - 12 a 15. Quem foi que gravou o primeiro disco de bossa nova? Elizete, claro. Era o Canção do Amor Demais, apenas com músicas de Tom e Vinícius, e que já contava com o revolucionário violão de João Gilberto em algumas faixas. A escolha da intérprete não poderia ser mais apropriada. Alaíde foi cooptada por João Gilberto e gravou em 59 um dos primeiros discos do gênero. Talvez você conheça a voz de Alaíde por seu dueto com Milton Nascimento em "Me Deixa em Paz" (Monsueto/Amorim) do fundamental disco Clube da Esquina.
  • ELIZETE SOBE O MORRO por Áurea Martins - 19 a 22. Quem foi que gravou o primeiro disco apenas com samba de morro? Você falou Elizete? Então acertou. A excelente veterana Áurea Martins não podia ser melhor escolha para interpretar as músicas de Cartola, Nelson Cavaquinho e Zé Ketti.
  • UMA ROSA PARA PIXINGUINHA por Zezé Gonzaga - 26 a 29. Quem foi a cantora que estava com Radamés Gnattali, Joel Nascimento e a (então) garotada do Camerata Carioca no seu trabalho de renovação do choro? Acho que não preciso responder. Neste legendário show a turma renovava as obras de mestre Pixinguinha. Se você correr, ainda compra (só hoje) o disco do show original a um ótimo preço no terrível site da Atração. Clássica é o nome do belo último disco da Zezé, e não há definição melhor para sua voz e interpretação.


Os shows acontecem sempre no Teatro III do CCBB, de quarta à domingo às 18h30. Preço: R$10, com desconto para estudantes. Ingressos já estão à venda para todos os shows.

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Comentários dos leitores

Apesar da bela homenagem, é sempre bom lembrar da falta de discos em catálogo da Elizete, como o faz Mauro Dias neste artigo.
Paulo Eduardo Neves
6 de Abril de 2000 #

Considero lamentável a postura do filho da Divina Elisete, quase impedindo a realização da homenagem à grande cantora. Ele pleiteava, na justiça, direitos autorais (!!!) e de imagem - v. JB de sábado, 15/04, caderno B. A juíza Diana Neri Gripp acabou reconsiderando sua decisão inicial de não permitir a realização dos espetáculos, mas não poderão haver imagens nos programas e galhardetes, nem slides nos shows. A produção garante que ainda estava em negociações com o herdeiro quando tomou conhecimento da medida judicial.

Vejam se é possível: por causa de R$ 10.000,00 o sujeito quase impede que Elisete receba a mesma bela homenagem que artistas da estatura de Pixinguinha, Adoniran, Chico Alves e Nelson Cavaquinho receberam nos belíssimos espetáculos do CCBB. É realmente valorizar muito pouco a memória de sua própria mãe.
Fernando Luiz Peixoto Guimarães
17 de Abril de 2000 #


A Sra. Justiça acabou acatando o pedido do filho da Divina e, por decisão judicial, o show foi cancelado!
Ficamos nós todos de ingressos na mão, recebendo justificativas evassivas e inconformados de termos sido privados de um grande espetáculo.
Enfim, mais uma decisão judicial, com base no arcabouço legal, cuja sobra das brigas familias/direitos autorais atinge aqueles que só querem ouvir a boa música.
Viva a Sra Justiça e os bons filhos que defendem a memória familiar em troca de R$!
Assim comemoramos nossos 500 anos!
Nós próximos 500 anos, espero que isto esteja resolvido e meus descendentes possam homenagear a DIVINA e outros mais! Afinal, a esperança é a última que morre!
Carmen Lucia Evangelho Lopes
22 de Abril de 2000 #

Tenho 22 anos e sou fã da cantora Diana que canta aquela música assim:
Peço perdão mais uma vez se compliquei sua vida... e essa: está feliz agora que feliz aniversário amor, está feliz agora, depois que tudo acabou
Christian Rocha da Costa
6 de Março de 2003 #

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