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Como foi o Carnaval de rua carioca

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Por Paulo Eduardo Neves
Publicada em 21 de Março de 2000 
Assunto: Carnaval

Por incrível que pareça, passei o primeiro Carnaval de minha vida no Rio de Janeiro. E achei muito bacana! Resolvi escrever a respeito, como o texto é extenso, coloquei-o como comentário desta notícia. Se você recebeu esta notícia por email, clique para ler os comentários.

Quero duas coisas com o texto. Primeiro mostrar que o Rio também tem um bom Carnaval de Rua. Não se gasta um centavo para entrar em qualquer lugar, gasta-se apenas a cerveja a R$1. Não se resume tudo a bailes de putas e turistas nem ao Sambódromo (que infelizmente ainda não foi desta vez que conheci). Depois é para que vocês também compartilhem suas experiências. Comentem sobre o que gostaram e o que não gostaram. Assim reuniremos desde já dicas para o Carnaval do próximo milênio:-)

Digo desde já uma coisa que me impressionou, especialmente conhecendo outros carnavais de rua pelo Brasil, como o carnaval carioca é família! Não que estivesse todo mundo careta, pelo contrário. Só que não vi qualquer violência ou confusão, todo mundo se tratando com respeito. Uma coisa boa é que o transporte pela cidade é bem fácil, bastante ônibus e o metrô aberto 24h. Basta não dar mole de pegar o trajeto de algum bloco. Em matéria de música, o carnaval é fraco, mas pode melhorar.

Outra coisa, estou desde já arregimentando pessoas para, até o próximo ano, explodir todas as fábricas destes insuportáveis sprays de espuma, a praga deste carnaval.

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Comentários dos leitores

O Carnaval no Rio começa aos poucos. Há as escolhas de sambas de blocos e os ensaios de Escolas de Samba. No sábado duas semanas antes da folia de Momo, o primeiro do bloco saiu às ruas. O "Nem Muda nem Sai de Cima", comandado pelo Moacyr Luz e Aldir Blanc, se concentra em frente ao ótimo botequim da Dona Maria. A bateria, liderada por Beto Cazes e Jovi, é provavelmente a melhor dos blocos do Rio (o que não é muito difícil:-). Pena que o samba é bem fraquinho. Um pouco de falação demais na concentração, teve até discurso político, mas faz parte. O trajeto é curto e ninguém parece muito preocupado em cantar a música. O mais divertido mesmo foi fechar e andar a pé pelo meio da normalmente infernal rua Conde de Bonfim. Ter ficado na Dona Maria sentado, tomando cerveja e comendo os deliciosos petiscos do bar não teria sido uma má idéia.

No final de semana antes, saem os dois maiores blocos cariocas. O Simpatia É quase Amor no sábado, e o Suvaco de Cristo no domingo. Duas unanimidades entre as pessoas com quem falei. O Simpatia antes do Carnaval todos acham o melhor desfile de bloco. O público é bem diferente de durante o carnaval, sendo basicamente composto de cariocas. Dando um brilho especial ao desfile, o horário de verão permite que se veja o pôr do sol quando o bloco está na praia. Impressionante é como a mulherada sofre para ir ao banheiro no Simpatia, todos os bares impedem o acesso. Não fosse o MacDonalds e a Letras & Expressões, era impossível. Coisas da burguesia de Ipanema. Banheiros públicos já! No final vi a única confusão de toda a folia. A notória incompetência da polícia carioca se faz presente com os policiais chegando atirando para cima e criando pânico. Parece que tudo se resumiu a alguns furtos. O Suvaco, por sua vez, ganha o título de pior bloco, devido especialmente a seu público de playboizada jiujitisso. Sorte que este ano não pude ir. Não encontrei uma única pessoa que tenha gostado.

Na quinta, o Escravos da Mauá confirma a expectativa gerada por seus divertidos ensaios. Depois do Simpatia de antes do Carnaval, achei o melhor bloco do Rio. O samba era ótimo, tinha o melhor carro de som e uma turma super animada. Muito legal desfilar pelas ruas vazias do Centro. Saí no meio para pegar outro desfile que acontecia na mesma hora, o Meu Bem, Volto Já. Devia ter continuado no Escravos. Encontro o que seria o normal dos outros blocos, um terrível carro de som. Uma pena, pois o samba tinha uma divertidíssima letra, que não pôde ser ouvida.

Agora na sexta o Carnaval começa oficialmente, o Carmelitas sai em Santa Tereza. Por ser em Santa, o público é bem legal, encontro pessoas que não via há anos. Divertido ver todo mundo com capuzinho de freira, pena que tinha a pior bateria de todas. Duro de aguentar. Depois é hora do Concentra mas não Sai, bloco da Beth Carvalho que acontece em frente ao bar Severyna em Laranjeiras. A idéia que criou o bloco é bem divertida. Chegou-se à conclusão de que o mais divertido são as concentrações, então resolveram fazer um bloco que não desfila, apenas concentra. Costuma ser muito legal pois não tem samba fixo, Galloti lidera o pessoal interpretando sambas e marchinhas da antiga. Infelizmente este ano foi um fiasco:-(. Tinha tudo para ser ótimo, estava cheio de gente. Só que não havia som, apenas as pessoas a dois passos dos músicos conseguiam ouví-los. Histórias desencontradas tentavam explicar a ausência da Beth Carvalho e de um som decente, todas colocavam a culpa em um dos novos donos do bar. Grande desperdício. Fuga de lá para o Bip-Bip. Infelizmente o bloco já tinha saído, foi só o tempo de tomar uma cerveja antes de ir para casa.

Sábado é dureza, o dia começa cedo. A partir das 10h -- de manhã! -- sai o tradicionalíssimo Cordão da Bola Preta, uma das melhores coisas do carnaval do Rio. O bloco é na verdade um trio elétrico que toca de marchinhas antigas ao bom samba da Mangueira deste ano, sem esquecer a música do bloco. Chego já perto de meio-dia, com o bloco entrando na Rua da Carioca. Estar acordando, o calor, a multidão e, principalmente, ainda não ter tomado nada fazem com que se custe a entrar no clima. Claro que isto é resolvido rapidamente:-), e logo fica tudo divertidíssimo. Encontro amigas que fizeram o que deve ter sido o melhor programa da véspera, foram à quadra da Mangueira, depois à praia e direto ao Cordão. Uma boa alma com uma mangueira molha e refresca os foliões. O bloco vai até a Praça Tiradentes e volta. Muito bom! Uma dica: vá em frente ao Cordão que o aperto é menor. A prefeitura bem que podia coibir o estacionamento na Rua da Carioca neste dia. O fluxo seria bem melhor.

Após o almoço é a vez do Barbas, tradicional bloco de Botafogo. Andando de minha casa em Copa até a concentração, cruzamos com o bloco Dois pra Lá, Dois pra Cá, da Academia de Dança Carlinhos de Jesus. Turma desanimada e ainda com uma corda cercando o bloco. Só entrava quem comprasse a camisa. Furadíssima. Passamos direto para o Barbas, que já tinha saído. O melhor de tudo vinha na frente: um carro-pipa. O carro-pipa vai molhando os animadíssimos foliões, o que descontrai ainda mais todo mundo. Tenho inclusive uma sugestão para melhorar ainda mais o bloco. Como o carro de som era um lixo e não dava para escutar patavinas da letra do samba mesmo, tirem ele e ano que vem coloquem dois carros-pipas. Vai ser ainda mais divertido:-)

Quando o Barbas está entrando na Álvaro Ramos saio para o Centro, para ver o desfile das escolas na Rio Branco. As escolas são bem pobres, mas depois de ouvir vários blocos de Zona Sul, as baterias cadenciadas são um grande alívio para os ouvidos. Grande parte do público era formado por turistas estrangeiros. Como já estamos no Centro, próxima parada é o Baile Popular na Cinelândia. Muito legal o show apenas com marchinhas de carnaval, com famosos nomes do Rádio. Nada menos do que Emilinha Borba, Marlene, Virgínia Lane e outros. Às vezes rolava até uns frevos clássicos como Vassourinhas e Valores do Passado. Opa! Está na hora de ir para a Lapa, onde está prometido um show de samba. Dá para ir a pé, as ruas estão tranquilíssimas. Cadê a tal violência do Rio? Chegando na Lapa, aproveita-se o show do Farofa Carioca para descansar. À uma da manhã em ponto -- surpresa! -- começa um super show de samba com Monarco, Nelson Sargento, Wilson Moreira, Xangô da Mangueira, Luis Carlos da Vila, Mauro Diniz, Dorina, Marquinhos de Oswaldo Cruz e Tia Surica. A banda que acompanhava não ficava para trás, só gente como João de Aquino, Galloti, Zero, Trambique e outros. Cada um cantava apenas 4 ou 5 músicas. O show foi até as 3h. Ufa! Não sobrava mais nada de mim. Hora mesmo de ir para casa.

O que restou de mim ficou no domingo com uma dúvida mortal: o dia oficial do Simpatia é Quase Amor ou a galera do Cordão do Boitatá que toca maracatú, marchinhas e ciranda e iria sair na Lapa? Fui no Simpatia, vários amigos estariam lá. Desta vez estava bem mais cheio, difícil até de se mexer. Depois dos sprays de neve, a segunda coisa mais chata do carnaval são os ambulantes que seguem os blocos com imensos carrinhos com cerveja. Não se pode nem evoluir em paz:-) Desta vez a polícia não deixou entrar na Joana Angélica, continuando o bloco pela Av. Atlântica. Ótima idéia. A partir de então abriu mais espaço e ficou bem melhor. Mesmo assim rolou um arrependimento de não ter ido conferir o pessoal do Boitatá, de quem ouvi ótimos relatos. Fica para a próxima. Acabando o bloco, rolou ainda uma carona para a Lapa. Mais samba. Muito bom de novo, mas precisava o show ser praticamente idêntico ao do dia anterior? Começava a cansar.

Novo dia, é o dia oficial do Bloco de Segunda. O bloco rejeitou o que era provavelmente o melhor samba deste ano, o divertidíssimo Genérico de Imozec É Rolha. Não fez a menor diferença, o carro de som era outro lixo e não dava para entender nada mesmo. Depois de um tempo os blocos com som e bateria ruins repetindo a mesma música por horas começam a cansar. Acho que bebi pouco neste dia:-). De lá várias dúvidas sobre Terreirão, Sambódromo ou Rio Branco. Resultado? Lapa, claro. Terceira vez o mesmo show? Pôxa, também começa a encher. O Monarco sozinho segurava um show de 2 horas sem repetir músicas. Para que todo mundo cantando sempre as mesmas coisas? O melhor foi ter pego antes o show do sempre ótimo Jards Macalé. Pra lá de Bagdá, tinha que se apoiar no pedestal do microfone para cantar Ataulfo Alves, Geraldo Pereira e Ismael Silva. Desta vez tinham dado a dica: depois do show o Galloti leva uma turma para o boteco em frente ao Semente e leva uma roda até o sol raiar. Este dia não rolou:-( Cama.

Último dia é a vez do Clube do Samba, tradicional bloco do João Nogueira. Presença de sambistas ilustres como Walter Alfaiate. Furadíssima! Mais um bloco com corda. É o Rio imitando o que a Bahia tem de pior. Fuga rápida para a Rio Branco. Foi uma das melhores coisas de todo carnaval. Era o dia dos desfiles de blocos. Estava passando um bloco afro que cantou algumas músicas do baiano Ilê Ayê. Depois alguns blocos pequenos e animadíssimos, como o Bloco do Bigode e o Bloco do Embalo de São João de Meriti. Fechando o carnaval de Rua da Rio Branco, já perto de 23h, sai o melhor: Cacique de Ramos. Ao contrário dos blocos da Zona Sul, os blocos de embalo cantam algumas vezes cada música e então trocam. Bem melhor! O Cacique só cantou musicão, como o Samba do Arerê (último sucesso da Beth), Coisinha do Pai e a apoteose final com Vou Festejar. Foi a melhor coisa do Carnaval!

Acabando o Cacique, o Baile da Cinelândia estava divertido com muitas marchinhas de carnaval. Não tinha mais saco mesmo de ver o show da Lapa com as mesmas músicas. Uma hora a Virgínia Lane resolve cantar algumas marchinhas de carnaval mudernas que estariam em seu novo CD. Nossa! O pessoal do Tchan ficaria ruborizado com a grosseria das letras. Fuga rápida para o Bip-Bip, onde não havia mais nada além dos bêbados em frente ao bar. Mal dá tempo de pegar uma cerveja e Alfredinho fecha a porta. Fim de carnaval.
Paulo Eduardo Neves
21 de Março de 2000 #

Bom, meu Carnaval, mesmo, passei em Ouro Preto (ao contrário do que haviam alardeado, foi uma droga). Mas, como no fim de semana anterior ao Carnaval eu havia ido no sábado ao Simpatia e domingo ao Devassos da Cardeal, fica aqui meu comentário sobre ambos:
Simpatia - Gostei bastante, foi, como o Paulo disse, bastante animado. Só acho que já tá na hora de o samba dos blocos serem intercalados com outras músicas. Pô, ficar horas e horas ouvindo a mesma música - bonita, aliás - não é tão agradável. Acho que nem os mais tradicionalistas podem negar o quanto seria bom ouvir também Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, marchinhas de Carnaval, sambas-enredos imortais como "E lá vou eu..." Poderia rolar ora o samba do bloco, ora um outro samba legal... (nada de sambanojo, evidentemente).

Devassos da Cardeal - Acho que pouca gente deve conhecer o Devassos da Cardeal, não é? É um bloco novo de Santa Teresa, que se concentra na rua Cardeal Leme, paralela à Rua do Oriente. É do tipo concentra mas não sai - e que concentração... Fica um grupo nota 10 tocando o melhor do samba, de Noel a Zeca Pagodinho. Não percam no próximo Carnaval! Aliás, segundo o Marcelo Barbosa, o organizador, deve rolar uma vez por mês roda de samba no local (Bar do Gallo). Mas ainda não há nada de certo. Qualquer novidade eu digo pra vocês.

Eugênia
Eugênia Rodrigues
21 de Março de 2000 #

Pensei em dar uma geral no que aconteceu neste Carnaval, mas o Paulo Neves falou tudo... O cara andou por todos os lados, ou melhor, por todos os blocos!!! Haja disposição e grana pra cerveja!!!
;-)))))

Bem, vou então reforçar as dicas dos melhores blocos no Carnaval 2000. Na verdade, espera-se que no próximo ano a alegria, o bom samba e o som de qualidade continuem sendo a fórmula do Bloco Escravos da Mauá para animar a galera. Porque foi exatamente isso que eles conseguiram. Desde a concentração, no Largo de São Francisco da Prainha (bem pertinho da Praça Mauá) até o passeio pelas ruas do Centro, o bloco foi nota 10 em evolução, quero dizer, em animação! Valeu mesmo. Foi a grande sensação do Carnaval.

Imperdível também é o Bloco do Bip Bip. Além de tradicionalíssimo, o lugar tem todo o carisma necessário para agradar boa gente! Sem o Bip Bip, o Carnaval de rua do Rio perderia muito de sua alegria.

Daniela damaso
21 de Março de 2000 #

De fato o carnaval do Rio tem feito muito bonito nos últimos tempos. Essa onda de revitalizar o carnaval de rua, especialmente os blocos, tem nos dado opções ótimas de folia, que foram muito bem descritas pelo "folião maratonista" Paulo Eduardo Neves. Então, quero fazer meu comentário em cima de uma coisa que o Paulo falou.

Ao falar do carnaval do Rio, Paulo disse que "não se resume tudo a bailes de putas e turistas nem ao Sambódromo". Queria manifestar minha indignação com a expressão "bailes de putas" que é realmente ofensiva. Os "bailes de "putas" acontecem porque, entre outros motivos, tem muita gente cheia de dinheiro que adora um turismo sexual, até pedofilia. Então Paulo, essas "putas", que são mulheres assim como eu, servem muito mais aos prazeres dos outros, e leia-se outros como homens, do que aos seus.

Este tipo de comentário desvia, prática milenar, a atenção de uma coisa que é mais profunda, que são as fortíssimas redes de prostituição. Esses bailes são, antes de mais nada, a demonstração do poder dessas redes que contam com pessoas poderosas para sua manutenção. Dizer que são "bailes de putas" é "jogar pedra" nas pessoas erradas, é como dizer que a pedofilia acontece porque as criancinhas dão mole, elas seduzem os mais velhos. E por fim: vão-se as "putas" e ficam as redes e os fregueses, esses últimos pessoas de família acima de qualquer suspeita.


Ranúsia dos Santos
21 de Março de 2000 #

Paulo Eduardo, carioca da gema, passou seu primeiro Carnaval no Rio. Eu, paulista, o passo lá já há 12 anos seguidos, desde quando essa coisa do Carnaval de rua ainda estava redespertando na Zona Sul. Por isso a gente não precisa mais fazer a via sacra completa ( haja disposição, hein Paulo? ), já dá pra sacar o que presta e o que não vale a pena.

Para mim, a grande nota este ano foi realmente o desfile do Escravos, que ainda não tinha presenciado, pois sai na quinta-feira à noite, o que dificulta pra quem não é do Rio. Belíssimo samba - um dos melhores que tenho ouvido nesses desfiles de bloco em todos esses anos - e muita animação.

O Bola é a melhor coisa do Carnaval do Rio, há muito tempo, na minha opinião: o mais democrático, o mais animado, o mais etílico e o mais família. Aquela gente toda e nunquinha vi nem um tapinha na cara que fosse. Todo mundo brinca, mexe com os outros numa boa, no espírito do mais autêntico carnaval. Mas de ano a ano está enchendo de gente de uma maneira quase insuportável. Esse ano, pela primeira vez, não consegui, pasmem, me meter no meio da muvuca e tive que acompanhar meio de esguelha. Pra se ter uma idéia, quando comecei a acompanhar, o bloco chegava na Praça Tiradentes cerca de meio-dia. Dessa vez, as informações deram conta de chegou quase três horas da tarde. Cinco horas de desfile, simplesmente não dá. Alô diretoria do Bola!!!!!! Vamos ver se a gente pensa em alguma coisa pra dar uma jeito nisso, mudar o trajeto, sei lá.

O grande Concentra Mas Não Sai, uma das grandes sacadas do carnaval da Zona Sul, foi realmente uma tragédia, a nota negativa deste Carnaval. Era, em termos musicais, o melhor evento do Carnaval do Rio, com um pessoal da pesada levando os melhores sambas enredo e marchinhas de todos os tempos. Uma pena. Vamos torcer pela recuperação no ano que vem.

Pra não ficar repetindo as impressões dos companheiros, só uma notinha sobre o Terreirão. Aquilo já foi uma delícia. Enquanto as globais e socialites dominavam a festa na Sapucaí o pessoal do samba mesmo, o sambista comum, que é a fim de brincar no Carnaval, tomava conta da Praça Onze. Era uma grande festa e as "comunidades" se concentravam pelos meandros das barraquinhas apertadas. Ali já bebi com Délcio Carvalho e conheci Bicho Novo, o primeiro mestre sala das escolas de samba do Rio, da histórica Deixa Falar. Vi ali minha primeira roda de partido alto. Aí, certo dia, eles resolveram organizar a brincadeira ( “...e a gente não precisa/ que organizem nosso Carnaval” ). Cercaram a praça, meia dúzia de boxes dentro, passou-se a pagar R$2,00, me parece, para entrar. No que botei os pés lá dentro tinham dois bigodudos dando um dos maiores malhos que já presenciei. No trajeto até o primeiro bar, levei umas três cantadas. De homem. Procurei o pessoal do samba, as rodas de batuque e de partido. Cadê? Vi numa barraca mestre Delegado, o bailarino, corri até lá pensando ter encontrado a salvação. Só achei, mesmo, reclamações e lamúrias. Neste ano não mudou muito. Na segunda-feria anunciaram a presença de Monarco, Walter Alfaiate, Ary do Cavaco, Dorina, Marquinhos de Oswaldo Cruz, Mauro Diniz. Interromperam a sucessão interminável de pagodinhos meia-boca, cada um cantou três músicas, total de uns quarenta minutos. Voltou a pagodaiada néo-brega. Uma pena.
Dica: quem estiver por ali, o negócio agora é o Terreirinho, ou seja, as cercanias da praça para onde se transportaram as mesmas barraquinhas que faziam a bagunça no Terreirão dos bons tempos. Mas já não pe a mesma coisa.

Última nota: saudades dos desfiles das escolas em Bonsucesso e na Vinte e Oito. Saudades de uma grande batucada de esquina, lá pros lados da Abolição, não sei mais achar o boteco.

Salve o ( ainda ) melhor Carnaval de rua do Brasil!
Fernando José Szegeri
21 de Março de 2000 #

Além da campanha contra essa neve nojenta, conclamo as mulheres a lançarem também uma campanha para a instalação de banheiros públicos perto dos trajetos dos blocos e eventos. Foi duro ficar bebendo durante horas e ter que pedir pelo amor de deus em botecos para ir nos banheiros mais estranhos que ja vi na vida!
Christiane de Assis Pacheco
21 de Março de 2000 #

Foi bastante interessante notar como o carnaval de rua no Rio está ganhando força novamente. Mas isso todo mundo já está falando.
Quero registrar aqui a decepção com o Clube do Samba do João Nogueira. Cordão de isolamento, palavras de ordem, patrocínio... Não põe corda no meu bloco nem vem com teu cargo chefe, já dizia o samba do João Bosco e Aldir. A gente não precisa que organizem nosso carnaval!
Pra terminar a história, eu e meus amigos desistimos e fomos atrás do bloco da rua Santa Clara que vinha passando em sentido contrário. Um cara batendo um tamborzinho, outro tocando uma cornetinha, meia dúzia de pessoas, mas dava de dez a zero em espontaneidade e animação.
PORRADA NO FABRICANTE DO ISPREIZINHO!!!!
Marcelo Paiva da Motta
21 de Março de 2000 #

Já que a Ranúsia ficou indignada com meu cometário, escrevo para me defender. Primeiro estava querendo criticar os bailes, não as moças. O Rio (e o Brasil) tem muito turismo sexual, esta é a base da propaganda do país que se faz lá fora. Acho que temos mais a oferecer em termos de belezas naturais e cultura, este é um dos motivos de existência deste site. Usar outros termos mais politicamente corretos não mudaria a frequência dos bailes, muito menos a intenção de quem participa deles.
Paulo Eduardo Neves
22 de Março de 2000 #

Lamento que vc não dê valor aos termos politicamente corretos, pois ao usá-los e senti-los enquanto
princípios de convivência ajuda no combate às discriminações, afinal isso é uma das coisas que nos
diferenciam daqueles que usam expressões pejorativas e, assim, alimentam no imaginário popular a intolerância à diversidade.

As pessoas que são responsáveis por emitir opiniões públicas têm, ou deveriam ter, mais cuidado com "esses detalhes".

Se o que você queria falar não era aquilo, então não precisava ter dito, simples, né?

Agoraaaa, concordo plenamente com vc quanto às belezas do Rio, é bem verdade que um pouco manchadas nesse último verão. Mas este lugarzinho é realmente abençoado por Deus e bonito por natureza, acho que alguém já disse isso antes...

Estamos de bem?
Ranúsia dos Santos
22 de Março de 2000 #

Este ano só pude sair no Bloco de Segunda, em Botafogo, que é um dos que mais gosto, mas desta vez me decepcionei. O som estava péssimo, não dava para entender a letra, a música nem ouvir os nstrumentos. Aliás teve um momento em que alguns músicos pararam de tocar e até melhorou. O samba era fraco, não "pegou". No final, fiquei esperando para ouvir antigas músicas de carnaval como sempre faziam assim que a percussão pára e sabe o que puseram para ouvir? FUNK!!! Inacreditável.

Nos finais de noite íamos para os Arcos da Lapa pois rolava um show com ótimos sambistas. Só que no final lá vinha de novo o tal de funk, num volume insuportável. Agora, por que não um grande baile de carnaval com uma boa orquestra? Acho que estão empurrando esse funk na marra, pois ele não anima a moçada. Tinha muita garotada lá, mas era no samba que todo mundo se animava. Rio de Janeiro é samba!!!

Tenho uma sugestão para os blocos de rua: Esse carnaval de bloco fica repetindo o mesmo samba durante horas, e isso é muito chato. E olha que isso é opinião quase que geral. Por que não cantar o samba escolhido intercalado com outros dos outros anos e também aquelas músicas antigas que todo mundo gosta de cantar? A prefeitura dá tanto dinheiro para as Escolas de Samba, que já tem patrocínio de tudo que é lado - podiam dar alguma verba para melhorar a qualidade dos carros de som dos blocos. E olha que isso não é caro.

Também concordo com você em relação aos jatos de espuma. Aquilo é uma química que fica grudada na nossa pele, cai nos olhos, na cerveja ... Saudades das serpentinas e confetes coloridos... Esse carnaval de rua tem tudo para ser a maior festa. Vai gente de tudo que é jeito: novo, velho, criança, cachorro, rico, pobre, fantasias improvisadas e cheias de criatividade e todo mundo quer é cantar, ficar alegre. Ninguém está ali para fazer pose pra revista ou se promover. Bem, conte comigo também, para essa empreitada.
Maria do Céu
23 de Março de 2000 #

Com relação ao Bloco das Carmelitas, ele também sai no ultimo dia de carnaval, na terça, não seria demais comentar que o bloco percorre as ruas sinuosas de um bairro singular no Rio de Janeiro. Devido a sua condição geográfica( situa-se numa parte elevada da cidade), Santa Teresa é cortada por ladeiras, geralmente de paralepípedos, e escadarias não raro com piso tipo pé-de-moleque, e apresenta locais com belas vistas para o centro da cidade e para a Baía da Guanabara, inclusive no trajeto do Bloco. Ainda por essa condição, a restrição a construção de edifícios preservou um casario antigo de interesse arquitetônico e histórico. Augusto Mendes/Santa Teresa/Rio
Augusto Mendes
24 de Março de 2000 #

Quero falar sobre o "Cordão do Boitatá", um bloco carnavalesco como todos deveriam ser.
Foi uma sorte mesmo conhecer esse Grupo de pesquisadores da música de carnavais antigos. A concentração este ano foi no domingo, aos pés dos Arcos da Lapa, perto da casa do Tá na Rua!, do Amir Hadad. Saímos pelas ruas do chamado Rio Antigo (Carioca, Gonçalves Dias, Largo de São Francisco...) e uma de nossas mais belas paradas foi às portas da Confeitaria Colombo, onde cantamos a marchinha "Sassaricando". A rua estreitinha, as pedras da calçada, a cor do início da noite, tudo reverberava a alegria da gente: palhaços, pernas-de-pau, bailarinas, havaianas, todos em "fantasia de sujo", um delírio só.
Ano que vem tem de novo: eu vou. E convido quem aprecia a vir de diabo, pierrô, colombina, arlequim, baianinha, prisioneiro, sheik, caveira, morcego, grega...
Beleza demais o "Cordão do Boitatá".
Nanci Gonçalves da Nóbrega
30 de Março de 2000 #

Fiquei muito agradecido ao Paulo pelo "passeio turístico". Me deu uma boa visão dos blocos de rua na cena carioca. Eu gostaria muito de saber mais a respeito dos blocos e dos seus enredos...
david
26 de Janeiro de 2002 #

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