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"No Princípio, era a Roda", livro de Roberto M. Moura

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Por Paulo Eduardo Neves
Publicada em 24 de Dezembro de 2004 
Assunto: Livros

Mais uma leitura interessante para o verão. Está saindo pela Editora Rocco o livro "No Princípio, era a Roda" (ISBN 85-325-1790-0) do pesquisador Roberto M. Moura. O livro é fruto de sua tese de doutorado, em que coloca a roda -- tão ignorada pelos pesquisadores de nossa música -- como o núcleo motriz do Samba. Concordo plenamente. Estou ansioso para lê-lo, mas como ainda não o fiz, a melhor descrição fica por conta do autor em texto que reproduzo abaixo:

"Embora seja um ritual, com suas práticas consagradas pelo uso, cada roda de samba é única e irrepetível. Semanalmente, dezenas delas ocorrem no Rio de Janeiro e outras cidades brasileiras, obedecendo a uma estrutura padrão, com regras e modelos sempre muito claros para seus participantes.

Como em qualquer ritual, a roda preserva e atualiza o que está em sua origem. Nela, o que é tradição dialoga com o presente no curso da história. Tudo ocorre a partir das condições materiais possíveis, mas é imprescindível que os fundamentos sejam respeitados. Quer dizer, os participantes não esperam condições ideais para agir, mas jamais agem contrariando os cânones consagrados pela comunidade - até porque o mundo do ritual é "totalmente relativo ao que ocorre no cotidiano".

O que impressiona é que praticamente todos os autores que se dedicaram ao assunto, em dezenas de livros que formam a base do estudo do samba, não tenham destacado de modo convicto e irremissível o papel desempenhado pela roda como elemento fundamental na geração, preservação e divulgação do gênero musical que mais identifica o nosso país entre todos os que são originários do Brasil.

Como essa permanência e evolução se tornaram possíveis numa travessia de mais de cem anos, pontilhada por mudanças sociais, culturais e econômicas de todos os níveis?

Duas questões fundamentais: uma, a roda é anterior ao samba e não o contrário; outra, partindo da familiaridade que decalca a roda através dos tempos, ela é mais ''casa'' do que ''rua'', para usar a terminologia antropológica de Roberto DaMatta.

Em suma: é a roda que gera o samba, não o samba que gera a roda; da Tia Ciata ao Cacique de Ramos, a roda é a ambiência sonora que permite o aparecimento e, posteriormente, o desenvolvimento do samba. Relendo a nossa bibliografia musical, percebe-se com clareza esse dado histórico omitido, de tão óbvio: a roda precede o samba e é a sua matriz física. Ao formar a roda, no fundo do quintal, ainda sem saber que tipo de música sairia dali, o negro brasileiro estava no espaço da sua intimidade. Ao criar a escola de samba, transpôs para lá o mesmo convívio caseiro. Sentia-se em casa. Até que a escola cresceu demais. Virou rua - e o sambista voltou para a roda - isto é, voltou para casa. Extraído da tese de doutorado No princípio, era a roda: um estudo sobre samba, partido-alto e outros pagodes, defendida na Uni-Rio em 2003 e a ser publicada em livro este ano."

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Comentários dos leitores

"Amigos da Samba-Choro. Eu já comecei a ler o livro e é uma delícia. Pelo que percebi neste início de leitura, o Roberto Moura aproveita a sua própria trajetória de cidadão carioca envolvido com o Samba para contar a história deste universo. Quando eu acabar de ler o livro elogiarei mais (rsrs).
Aproveito o embalo para desejar a Paulo Eduardo, sua equipe e todos os assinantes e amigos da Samba-choro um feliz natal e um ano novo cheio de alegrias. Que em 2005 tenhamos força e inspiração para metermos a mão na roda no sentido de resolvermos os problemas que tanto pertubam nossas vidas brasileiras. Convido a todos a darem uma lida na mensagem de natal que deixei em meu blog (http://nasrodasdosamba.festim.net).
Beijos em todo mundo."
Cláudio Jorge de Barros
24 de Dezembro de 2004 #

Amigos,é engraçada essa história das origens,seja do samba ou de qualquer coisa;essa nova formação academicista de jornalistas preocupados com o imediatismo das notícias prá atender a velocidade do mundo global,sem aprofundamento(vejam como as notícias sao as mesmas em todos os canais),e o pouco espaço dado aos verdadeiros Jornalistas,contribuem pra a omissao de verdades que o tempo se encarregará de mostrar...no Maranhao,mesmo,nas 45 diferentes formas rítimicas,temos 2 tipos de Samba:um q lembra o antigo samba da Portela,dos anos 40 com alguma pequena diferença e um, executado pelos "Blocos de Rítimos",típico,de onde há até uma estória de q o Olodum teria "chupado"e posto os timbales encima pra dar uma disfarçada...rs...numa certa época,bati fortemente,contra umas idéias de imitaçao do Samba carioca,das escolas de samba(q hj parece mais marcha,pela velocidade),num Projeto apoiado pelo Minc prá ensinar as crianças a imitar o Rio;ora pra que tal desperdício,se temos 2 formas nossas,maranhenses de tao belo vigor?Chega,já é hora de mostrarmos outras formas ,tantas deste País desconhecido(dizem q o Amazonas tem mais de 200 formas rítimicas desconhecidas).Espero,q um dia essa centralizaçao do "sul Maravilha"possa se estender ao Brasilzao e revelar quanta coisa linda ainda está escondida de todos!!!Aproveito prá agradecer a bela contribuiçao e dedicaçao do Paulo Neves à nossa Mpb e lhe desejar,bem como a todos um FELIZ NATAL e q tenhamos a consciência voltada para o verdadeiro significado do Natal:o nascimento de Jesus,o nascimento de possibilidades espirituais maiores e melhores,dentro de nós!!!Abraços e felcidades a todos!!!Ubiratan Sousa.
ubiratan Sousa
24 de Dezembro de 2004 #

Amigos do Samba e Choro,

Tb já comecei a ler o livro (em meio à confusão das festas de fim de ano) e estou gostando muito. Por enquanto o que eu destaco no livro é o uso das categorias "casa" e "rua" desenvolvidas por Roberto Damatta para estabelecer a comparação entre a roda e a escola de samba. Espero que, ao longo da leitura, esta comparação nos permita refletir sobre a profissionalização do carnaval e suas consequências; e sobre a riqueza social e cultural que o samba carrega com toda a sua diversidade.

Pegando carona neste comentário, aproveito para desejar ao Paulo Neves, aos editores e amigos do Samba e Choro um Feliz Ano-Novo repleto de saúde e paz, e com um pouco de dinheiro no bolso também (que é sempre bem vindo).

Um grande abraço,
Wallace
Wallace Roberto Santos de Farias
27 de Dezembro de 2004 #

Ainda não tive a oportunidade de comprar esse livro,mas talvez possa ser um otimo livro.
Possuo um livro do Roberto Moura,sobre o divino Cartola é simplesmente um dos melhores livros de pesquisa de um sambista,que já li.
Um abraço e que o samba(o verdadeiro samba),nunca saia dos nos coraçoes.
Fabio Ricardo de Paula
27 de Dezembro de 2004 #

é o cacique de ramos lembrar neoci,beto sem braço,tio helio,fuxico o cacique de agora tem :banana (neto do joão da bahiana e filho do neoci uns fundadores do funde quintal,marcio vanderlei,fabio filho do birany,marcinho,renatinho é a renovação viva o samba viva o cacique de ramos.
Claudinha
3 de Janeiro de 2005 #

enviar partituras
marcos
3 de Janeiro de 2005 #

Já li o livro e achei sensacional, mas acho que o Roberto Moura que escreveu o livro do Cartola é outro, a quem inclusive o Roberto M. Moura faz várias referências nesse trabalho.
Arthur Felipe Mitke Moreira
14 de Janeiro de 2005 #

"No Princípio, era a Roda" é um belíssimo livro!!! Pena que a editora foi relaxada na revisão, pois há erros na numeração das notas e algumas nem sequer existem ao final do livro. Mandei um e-mail para a editora Rocco fazendo este comentário, mas nem se deram o trabalho de responder. Gostaria que alguém que já leu o livro todo, me confirmasse este erro.
Abraços.
Marcelo Costa da Silva
8 de Abril de 2005 #

Caro Paulo, o livro do Roberto, como eu previa, é um estouro. Bem escrito e fundamentado. Recomendo. Gostaria de lembrar que no meu livro "Batuque na cozinha" (Casa da Palavra/Senac Rio, 2004), lançado ano passado, as tias da Portela (Doca, Eunice, Dona Neném e Surica)defendem com ardor a mesma tese, que as rodas não só são a matriz como o núcleo de resistência do nosso samba. Todas elas protagonizaram - e ainda protagonizam, graças a Deus! - rodas memoráveis. Também recomendo a leitura! Um abração.
Alexandre Medeiros
8 de Abril de 2005 #

Aproveito para concordar com os comentários do Marcelo Costa. A edição do livro foi uma tristeza. Notas no final do livro já são um saco, com a numeração errada então tornam-se totalmente inúteis.
Paulo Eduardo Neves
13 de Abril de 2005 #

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