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Zicartola, livro de Maurício Barros de Castro

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Por Paulo Eduardo Neves
Publicada em 24 de Dezembro de 2004 
Assunto: Livros

Com Cartola comandando a música e Dona Zica na cozinha, o Zicartola foi a mais importante das casas de samba. Quem quiser conhecer um pouco mais de sua história, pode conferir o recém-lançado livro Zicartola, do pesquisador e jornalista Maurício Barros de Castro. O livro é resultado da tese de mestrado em Memória Social do jornalista, que entrevistou alguns de seus mais importantes frequentadores, como Paulinho da Viola, Hermínio Bello de Carvalho, Sérgio Cabral, Elton Medeiros, Nelson Sargente, Carlos Lyra.

O livro sai dentro da coleção Arenas do Rio, bancada pela Prefeitura do Rio e lançada pela editora Relume Dumará (ISBN 85-7316-368-2). Como os demais livros da coleção, é curto, tem cerca de 100 páginas, uma boa leitura para um final de semana ou um dia na praia.

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Comentários dos leitores

Eis o release oficial do livro:

No início da turbulenta década de 1960, funcionou em um sobrado da rua da Carioca uma casa de samba. Que também era um restaurante. E que se tornou um reduto dos principais nomes da cultura brasileira da época, um espaço onde, durante quase dois anos, foi o ponto de encontro da Zona Norte e Zona Sul cariocas.

Este lugar era o Zicartola, a casa de samba comandada por Dona Zica, na cozinha, e Cartola, na música. Seu sucesso podia ser medido pela fila quilométrica à sua porta, que se estendia até a Praça Tiradentes, formada em sua maioria por jovens universitários e intelectuais de esquerda. Além dos encontros memoráveis que abrigou, a casa foi também o embrião de eventos marcantes como Opinião e Rosa de Ouro e foco da resistência cultural aos tempos sombrios que se anunciavam com o golpe de 1964.

Ao mesmo tempo que deu espaço para o surgimento de uma nova geração do samba e da MPB (Paulinho da Viola recebeu ali os primeiros cachês de sua carreira), o Zicartola possibilitou resgate de velhos sambistas como Nelson Cavaquinho, Ismael Silva e Zé Kéti. A história da casa de D. Zica e Cartola é resgatada por Maurício de Castro, criando o panorama de uma época em que política e cultura andavam lado a lado.

Maurício Barros de Castro tem 32 anos, é jornalista pesquisador, mestre em Memória Social e Documento pela Universidade do Rio de Janeiro (UNIRIO) e doutorando em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). Como jornalista foi colaborador site No.com e atualmente escreve para as revistas D. Leitura e National Geographic Brasil, entre outras publicações de circulação nacional.
Paulo Eduardo Neves
24 de Dezembro de 2004 #

Será que ele fala que os Irmãos Valter e Valdir junto com Mestre Caçula faziam parte do Regional da Casa ? e que acompanharam todos esses aí
Alexandre Rocha
24 de Dezembro de 2004 #

É muito bom para a cultura brasileira ter um trabalho assim sobre esse estabelecimento que era o berço do samba.
Rafael Sanches da Silva
27 de Dezembro de 2004 #

Onde conseguir este livro ? Alguem tem ideia ?
Wendell Martins Borges
28 de Dezembro de 2004 #

Será que no livro ele conta que o Ze
Ketti era o diretor artistico da casa?
Será que ele conta que foi o Zé quem
deu oportunidade ao Paulinho da Viola.
Será que ele fala que Zé Ketti levou
até o João do Valle para o Zicartola.
Sera que el fala que o Show Opinião
surgiu a partir do Samba Opinião que
fazia muito sucesso e que foi tanto que
ao ser gravado por Nara Leão, o pessoal
da bossa nova, como carlinhos Lira e Outros torceram o nariz, porque assim
foi decretado o fim da bossa nova.
A importância do Ze no Zicartola está
mal explorada. Paulinho, Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho e outros
nomes hoje não menos famosos que o
digam.
digam
ONESIO MEIRELLES
30 de Dezembro de 2004 #

Ficam perguntando "será que o livro diz isso, será que o livro diz aquilo". Isso demonstra, em primeiro lugar, que a primeira coisa a fazer é LER O LIVRO.
Quanto ao livro, acho que o grande mérito é demonstrar que o Zicartola foi o entrecruzamento de vários processos, ou seja, compreende a casa de samba a partir de uma visão histórica, embasada numa parcela expressiva da memória de alguns frequentadores. Não fica no anedotário, no factual, mas, me parece, interpreta a existência meteórica da casa de samba no processo complicado de integração/marginalização dos sambistas e também das trocas e negociações entre a chamada "cultura popular" e a elite letrada na cultura brasileira. A trajetória de Nuno Velloso, tal como está contada no livro, é no mínimo impressionante. Quanto às omissões, é claro que não iríamos esperar que em uma dissertaçào de mestrado o autor tapasse todos os buracos da memória coletiva, não é mesmo? Enfim, acho que o Maurício utilizou muito bem o caso Zicartola para falar de toda uma situação maior, que se concentrou ali de modo exemplar, e essa é a grande qualidade do seu trabalho. Leiam, comentem, que a bola levantada ali é muito atual e serve para qualificar a discussão sobre a história recente do samba.
Hugo Bellucco
20 de Fevereiro de 2005 #

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