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Pagode do Trem, a grande comemoração carioca do Dia do Samba

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Por Paulo Eduardo Neves
Publicada em 30 de Novembro de 2004 
Estado: RJ 
Assunto: Shows e Rodas

  ampliar Xavier Pernee/2001  
No trem do samba
No trem do samba
Nesta quinta, dia 2 de dezembro, será o Dia Nacional do Samba, O Rio de Janeiro comemora com o Pagode do Trem, que junto com o reveillon de Copacabana e o Cordão do Bola Preta no sábado de Carnaval é uma dos mais bacanas e democráticos eventos da cidade. A partir das 18h, os amantes do samba se reúnem na Central do Brasil, onde acontece um show com grandes nomes do samba.

Da concentração na Central os trens reservados especialmente para o evento começam a partir. Pague a passagem normalmente e vá até onde o povo estiver reunido. Entre no vagão lotado que achar mais animado e parta para Oswaldo Cruz. A bagunça no trem é divertida, mas o bacana mesmo é quando se chega em Oswaldo Cruz. Lá a o samba toma conta do bairro, com uma roda de samba se formando em cada esquina. Algumas são mais bagunçadas, outras menos, até um pequeno palco é montado junto à estação, e em todo lugar se respira o melhor da cultura carioca, Cariocas de todos os lugares e classes sociais lotam as ruas do bairro até o sol raiar, tocando e cantando, num clima de mais perfeita paz e tranquilidade.

Dicas para quem for participar. Embarque logo nos primeiros trens, assim evita-se a confusão de desembarque dos últimos trens. A estação de Oswaldo Cruz é pequena, sendo sempre demorado para descer uma multidão. A onda de ir batucando dentro do trem é lega, mas o bacana mesmo são as dezenas de rodas espontâneas que se formam em torno da estação. Economize na cerveja na Central, o trem vai direto, mas ainda assim demora e você só poderá ir ao banheiro depois do lento desembarque. Chegando lá é a maior traquilidade, não fique só junto ao palco principal, circule para curtir as rodas de samba. Se você não mora perto, voltar de Oswaldo Cruz é dureza, mas não deixe que isto te desanime, pois milhares de pessoas estarão na mesma situação que você. Minha tática que sempre funcionou é deixar para me preocupar com a volta somente após ter tomado cervejas o bastante até chegar ao ponto de não se preocupar com nada. Não leve peso para ficar carregando, pode levar câmeras, disposição e animação. Não esqueça de avisar para seu chefe que marcou médico na sexta de manhã.

Se você souber de outros eventos comemorativos do Dia do Samba em qualquer estado do Brasil, por favor, divulgue-o comentando esta notícia. Me mudei agora e estou sem telefone nem Internet em casa, conto com vocês. Várias cidades também comemora, em Salvador, por exemplo, sempre acontece um grande show.

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Comentários dos leitores

AQUI EM BARREIRAS-BA, PELA PRIMEIRA VEZ VAI HAVER COMEMORAÇÃO DO DIA DO SAMBA.
SERA NO BAR DO PAGODE SITUADO NA RUA Cel. MAGNO, CENTRO,A PARTIR DAS 19:OOHs.
A PROMOÇÃO E A ANIMAÇÃO É DO GRUPO "COMPANHEIROS DO SAMBA" E "TONHO BAGAÇO"(Dono do bar).

O GRUPO "COMPANHEIROS DO SAMBA", FOI CRIADO A CERCA DE DOIS ANOS PARA RESGATAR O SAMBA DE RAIZ NA NOSSA CIDADE.


Luciano Rocha
Barreira-BA
Luciano Rodrigues Rocha
30 de Novembro de 2004 #

Esta celebração está em sintonia com a história e tradição do samba. É uma oportunidade de nos reaproximarmos um pouco do que somos no meio de todas as preocupações cotidianas
Leandro
30 de Novembro de 2004 #

Viva o Samba,

Todo dia dois de dezembro é a mesma coisa, nós moradores nos preparamos para receber e comemorar, com a nata da música popular, o dia do samba e realmente, a maior e única dificuldade é a volta para casa dos sambistas visitantes que vem para Oswaldo Cruz celebrar este dia. Vejo na matéria que este dia é comparado ao dia de Ano Novo em Copacabana, ou o cordão do Bola Preta, só que desta vez somos nós, moradores da Zona Norte, que reclamamos, VOLTAR DE COPACABANA É DUREZA, mas também vale à pena, e com certeza o dia do samba em Oswaldo Cruz não dá para perder; sejam bem vindos e divirtam-se! Nós moradores é que depois do dia dois continuaremos pegando sol ou chuva sem o abrigo de ônibus, na Rua Carolina Machado e na Estrada do Sapê, que desde 1997 foi removido pelo prefeito César Maia e até hoje não foi colocado um novo, continuaremos sem a praça de esporte, já reivindicada no primeiro pagode do trem na época do Acorda Oswaldo Cruz, pela AMOCOC e pela AMOC, nosso projeto é de uma praça de esporte sobre o rio, o mesmo que vocês atravessarão pra ir ao tradicional bar do Fininho, sem contar a dificuldade toda vez que um esgoto está vazando e temos que cobrar da Secretaria Municipal de Obras para consertar o foco de doenças e mau cheiro, como o da rua Cananéia, rua onde morou o grande Monarco da velha guarda da Portela, há dois meses vazando esgoto sem parar, como ano passado na própria rua João Vicente vocês lembram? Bem, todos estes problemas são nossos e nós estamos trabalhando muito pra serem respeitados os nossos direitos. Meus amigos sejam bem vindos e aproveitem do que Oswaldo Cruz tem de melhor: os moradores! Afinal, Oswaldo Cruz é “Reduto de grandes sambistas abençoados por Jesus”, estaremos muito felizes em receber todas as manifestações culturais, mas tudo em nome do Samba e da alegria.
Mozart Chalfun
presidente da AMOC e do Centro Comunitário Paulo da Portela
Mozart Chalfun
1 de Dezembro de 2004 #

Eu adoooro o Pagode do Trem, não perco de jeito nenhum! Samba, comidinhas gostosas e baratas, animação, encontrar gente que não víamos há tempos...

Confirmo todas as dicas do Paulo. Para voltar: kombis e vans improvisadas vêm até a Zona Sul via Lapa ou Central.
Vá com o espírito aberto, sem exigir perfeição: é difícil ir no vagão que planejávamos, os banheiros são poucos... mas vale a pena!
Eugênia Rodrigues
1 de Dezembro de 2004 #

Outro evento comemorativo: o Armazém Digital, em Botafogo, exibe curtas sobre samba na quinta. Há vários horários.

Tel.: 21019304. Local: Rio Plaza Shopping (antigo Off Price).
Eugênia Rodrigues
1 de Dezembro de 2004 #

O Dama da Noite também comemora o Dia Nacional do Samba com um Happy hour especial sem cobrança de couvert artistico e com promoção de cerveja, cada uma super gelada que voce tomar, ganha outra. A promoção é valida as quintas de Dezembro de 18:30 as 21hs
Logo apos teremos a estreia de Roberto Serrão MÚSICOS:
Cavaquinho – MIGUELZINHO
Violão 7 Cordas – SERGIO SOUZA
Pandeiro – CACAU DE CASTRO
Surdo – ALTAIR MONTEIRO
Flauta – DUDU
Marciac D'Antonio
1 de Dezembro de 2004 #

Olá amigos do samba-choro
Gostaria de saber a que horas mais ou menos começam a sair os trens para Oswaldo Cruz.
Um abraço e até amanhã.
Cláudia Nantes
1 de Dezembro de 2004 #

o primeiro trem sai as 18:30
boa diversao!!!!!!!
helio
1 de Dezembro de 2004 #

Bom, em SP, como já foi divulgado aqui no site, vai haver um grande show com mais de 30 atrações organizado por Carlinhos do Cavaco no teatro Sergio Cardoso. Além disso, que eu estou sabendo:

* No Ó do Borogodó vai rolar uma animada roda com o grupo Inimigos do Batente.

* O Quinteto em Branco e Preto vai se apresentar no Centro Cultural Vergueiro, às 19 h, entrada franca, é bom chegar antes pra retirar ingressos. Depois acho que eles vão fazer a roda semanal no bar Samba.

É isso aí!
Roberta Cunha Valente
1 de Dezembro de 2004 #

Há seis anos vou no Pagode do Trem e, infelizmente, este ano estou fora do Rio e não poderei ir... :(
Para quem nunca foi, fica a sugestão: vá, com sol ou chuva (quem enfrentou o pé d'água de 2002 sabe do que estou falando), aproveite e beba muita cerveja por mim!
Daniela Oliveira
1 de Dezembro de 2004 #

Já estou concentrada para o Pagode do Trem desde segunda-feira.
Alô Oswaldo Cruz! Me aguarde!
Salve Paulo da Portela!
Viva o Rio de Janeiro!
Viva todos que se deslocam em prol desse evento que já faz parte do calendário da cidade!
Que sejam bem vindos todos os irmãos dessa imensa nação chamada Brasil (com s, não com Z!).
E depois de curar a ressaca? Feijoada da Velha Guarda da Portela. Dia 04/12/2004! No Portelão.
Beatriz Alves
1 de Dezembro de 2004 #

A idéia seria MARAVILHOSA, se o Rio de Janeiro não tivesse se trasformado numa cidade tão perigosa.
Com tantos assaltos, arrastões, assassinatos quase que permitidos e tamanha insegurança geral, esse pagode, com certeza, será uma TEMERIDADE.
Infelizmente, nosso rio de Janeiro deixou de ser a "Cidade Maravilhosa" para ser a "Maravilhosa Temeridade".
Eduardo V. Corrêa
1 de Dezembro de 2004 #

CONCORDO COM QUE EDUARDO CORREA DIZ, PORÉM NÂO DEIXEMOS DE NOS DIVERTIR E NEM DE ESCUTAR UMA MUSICA QUE REPRESENTA TÃO BEM NOSSO RIO DE JANEIRO.VAMOS IR AO PAGODE DO TREM PROCURANDO UMA MANEIRA DE FUGIR DE TODA ESSA VIOLENCIA. PRECISAMOS DISSO.
SEI QUE OSWALDO CRUZ É LONGE DEMAIS PARA QUEM MORA FORA DO CIRCUITO MADUREIRA E ADJ. PORÉM , VAMOS EM GRUPOS , FAÇAMOS VAQUINHA PARA UM TAXI NA VOLTA SEI LÁ PRECISAMOS SER CRIATIVO, SENÃO OS MENTORES DA VIOLENCIA VÃO NOS VENCER.
VAMOS TOMAR CUIDADO, NOS ARTICULAR
VAMOS NOS UNIR, CONTRA ESSA VIOLENCIA QUE NOS PRENDE EM CASA.
Vera Castro
1 de Dezembro de 2004 #

Antes do Trem costuma ter uma concentração na PEDRA DO SAL. Ano passado rolou até um gostosa (apesar de tardia!) feijoada. Vou começar por lá.
Reginaldo Costa
1 de Dezembro de 2004 #

Nao concordo com o Eduardo Corrêa simplesmente porque no ano passado fui e nao vi uma briguinha sequer nem ouvi reclamacoes de qualquer natureza.

O primeiro trem sai as 18:30 mas quais sao os outros? Ano passado soube de todos os horarios para me programar melhor.

Quanto a volta, tem onibus que vai ate a praca Saens Pena, de la e mole!

saudacoes folionicas!!!
Leonardo Torres
1 de Dezembro de 2004 #

É maravilhoso perceber que o samba vem conquistando a nova geração.Tenho certeza que hoje o público jovem ha de misturar com a velha guarda e democraticamente comemorár-mos e homenagear-mos Paulo da Portela.
Eduardo Possidonio
2 de Dezembro de 2004 #

E a Sagrada Ordem dos Cavalheiros do Bar (SOCABA) estará presente no Trem do Samba, com seus membros participando das rodas de samba - Fernando Peixoto, Renato Motta, Everaldo Frade, Cristiano, Fred Bittencourt dentre outros... até mais tarde pessoal!!
RENATO MOTTA-RJ
2 de Dezembro de 2004 #

AQUI EM SANTOS-SP TODAS AS QUINTAS, TEMOS O PROJETO CANDONGUEIRO,UM DOS POUCOS REFÚGIO DO SAMBA AQUI NA BAIXADA,E HOJE É CLARO QUE VAI ROLAR MUITO SAMBA, PRA COMEMORAR ESSA DATA..
Deni Dias da Silva
2 de Dezembro de 2004 #

Fiquei sabendo ontem, no Sacrilégio, que as Meninas da Serrinha (Lazir, Luiza e Dely), mais o Grupo Água de Beber, vão estar na roda do primeiro vagão do segundo trem, que deve sair por volta das 19:50h. Promessa de bom samba.
Abraços e feliz Dia do Samba pra nós todos!!
Leonardo José Silva Viana
2 de Dezembro de 2004 #

Deixar de se divertir no Rio de Janeiro, por causa da bandalheira que a Cidade virou, por conta da Garotinha e seu maridinho incompetente, é abrir caminho para entregar a Cidade Maravilhosa nas mãos dos que a querem dominar pelo medo. Viva o Samba! Abaixo a bandidagem do morro e do asfalto!
Cesar Oliveira
2 de Dezembro de 2004 #

Estou com o coração apertado por não poder estar aí no RJ para curtir esta comemoração do Pagode do Trem e, principalmente, do Dia do Samba!

Desejo a todos os amantes do gênero, músicos amigos,compositores, intérpretes, produtores e ao público em geral amante do samba um MARAVILHOSO DIA DO SAMBA para vcs e que continuemos a PERSISTIR porque vale a pena...

Tudo pelo samba, tudo pela cultura nacional, TUDO PELO POVO BRASILEIRO!!!
Sandra Cruz
2 de Dezembro de 2004 #

Este ano (2004) serão 5 trens com as seguintes composições:

Trem 1 (19:30) - Bip Bip (vagão 1); Velha Guarda Império Serrano (vagão 2); Pedra do Sal (vagão 3); Tia Doca (vagão 4); Grupo Senzala (vagão 5); Tia Gessy (vagão 6); Samba na Veia (vagão 7); Butiquim do Martinho (vagão 8).

Trem 2 (19:50) - Sacrilégio (vagão 1); Embaixadores da Folia (vagão 2); Manga Preta (vagão 3); Tia Ciça (vagão 4); Negão da Abolição (vagão 5); Prazer da Serrinha (vagão 6).

Trem 3 (20:10) - Nem Muda Nem Sai de Cima (vagão 1); Velha G. Salgueiro (vagão 2); Cacique de Ramos (vagão 3); Baianas da Águia (vagão 4); Velha G. Portela e Mangueira (vagão 5); Velha G. Imperatriz (vagão 6).

Trem 4 (20:30) - Negras Raízes (vagão 1); Voltar Pra Quê? (vagão 2); Cassuarina (vagão 3); Clube do Samba (vagão 4).

Trem 5 (20:50) - V. G. Vila Isabel (vagão 1); Escravos da Mauá (vagão 2); Toca do Rato (vagão 3); Centro Cultural Carioca (vagão 4); Helinho de Guadalupe (vagão 5); Nossa Gente / AMC (vagão 6).
Leonardo Araujo Ferreira da Silva
2 de Dezembro de 2004 #

Dirijo-me ao Marciac D'Antonio, que divulgou a programação do Dama da Noite, para lembrá-lo que "Happy Hour" e samba não combinam. Será que vocês não teriam um termo mais apropriado para especificar o horário?
Aproveito para também criticar o Memórias do Rio, que deveria primar pela verdadeira cultura brasileira, por ter incluído na sua excelente programação de outubro/2004, uma comemoração ao dia do "Haloween". É brincadeira, né?
MÁRCIO LEONAM DOS SANTOS CREMONA
2 de Dezembro de 2004 #

Aqui em Floripa haverá um grande evento no vão central do mercado público com a participação das Escolas de Samba, e de 11 grandes intérpretes locais do nosso samba, com início as 19:00 horas. Viva o samba!
Jean Leiria - SC
2 de Dezembro de 2004 #

Sou cria de Oswaldo Cruz, por isso me orgulho muito de ver que a festa do samba é comemorada exatamente no lugar onde foi plantada a 1º semente.
Salve o Samba!
Salve Paulo da Portela!
Jaime Xavier
2 de Dezembro de 2004 #

Estive na central do Brasil,curti monarco e a maravilhosa velha guarda da portela,e embarquei no trem porém fiquei um tanto quanto que decepcionado,não pela festa em si mas com o repertório em que eu tinha a fantasia de ouvir verdadeiras e preciosas pérolas daqueles que inicialmente,criaram o pagode no trem;e na verdade ouvi um repertório atualizado demais onde cantaram até música de João Bosco o que acho inconcebível,outra opinião é preciso tomar cuidado,para que esta festa do povo não tome o mesmo rumo que a Globo deu ao desfile das escolas de samba.
Raul Lauar
10 de Dezembro de 2004 #

Eis um artigo legal que o jornalista João Pimentel publicou no Jornal O Globo.

Um 'bonde' carioca chamado samba

JOÃO PIMENTEL

Há nove anos, o sambista Marquinhos de Oswaldo Cruz, um portelense,
discípulo de Candeia e, qual o mestre, um guerreiro da causa negra e da
preservação da memória do samba, arregaçou as mangas e decidiu fazer do Dia
Nacional do Samba uma data realmente simbólica. Juntou uns sambistas, uma
turma de fé e, inspirado em Paulo da Portela - que aproveitava a viagem de
trem na volta do trabalho para discutir os estatutos daquela que viria a ser
a escola azul-e-branca - criou o Pagode do Trem. No primeiro ano, o grupo de
abnegados ocupou um vagão e, para surpresa dos passageiros, foram passando
pelas estações, cantando sambas em homenagem a cada localidade, até chegar a
Oswaldo Cruz.

Na quinta-feira passada, já com o apoio da prefeitura, entre outros,
Marquinhos não escondeu as lágrimas ao chegar, por volta das 19h, na Central
do Brasil. De todos os cantos chegavam hordas de sambistas, instrumentistas
do choro, aficionados pelo ritmo e também a turma dos blocos da Zona Sul em
peso. Era o sonho de um compositor se tornando realidade em um momento em
que, mais do que nunca, o Rio de Janeiro precisa provar para si mesmo que
tem forças para sair do buraco da violência, da corrupção e do descaso com
seus próprios símbolos.

Animadíssimas, as turbas chegavam com quilos de alimentos, trocados pelo
tíquete de embarque, e escolhiam o trem e o vagão em que iriam embarcar.
Sim, porque neste ano foram precisos cinco trens, 29 vagões, para abrigar os
380 músicos e uma multidão que, somada à que já estava esperando em Oswaldo
Cruz, chegou, segundo os organizadores, a 40 mil pessoas.

Surpreendente? Para Marquinhos, não, já que a cada ano que passa a estrutura
precisa ser repensada. Os trens reservados para o evento não paravam nas
outras estações, era Central-Oswaldo Cruz sem escalas. Na gare, gente de
todas as idades e classes sociais ia de vagão em vagão procurando seu grupo
predileto. E não eram poucos. Para se ter uma idéia, tinha a turma do
simpático Bip Bip, de Copacabana; o pessoal do Cacique de Ramos, comandado
por Renatinho Partideiro; a comunidade da Pedra do Sal; as velhas-guardas de
Portela, Mangueira, Império Serrano, Salgueiro, Estácio e Vila Isabel; os
animados blocos Nem Muda Nem Sai de Cima, Escravos da Mauá e Voltar Para
Quê; enfim gente de todas as partes e estilos unida na celebração da vida,
do samba e da dádiva de ser carioca.

Mas, trajeto cumprido, foi em Oswaldo Cruz que todos puderam ter a dimensão
de que a festa representava muito mais. O desembarque, com todos subindo
civilizadamente as escadas da estação, teve como trilha sonora "Aquarela do
Brasil", do imperiano Silas de Oliveira. Do lado esquerdo, as imediações da
Rua João Vicente, um palco por onde passaram Walter Alfaiate, Delcio
Carvalho, Nélson Sargento e o anfitrião, Marquinhos de Oswaldo Cruz. Do
outro lado da linha, próximo à Rua Carolina Machado, Arlindo Cruz comandava
uma roda e, mais adiante, na Praça Paulo da Portela, as velhas-guardas
contavam suas histórias.

O que chamou mais atenção não foram os lindos shows ou as dezenas de
celebridades presentes, mas sim o encontro entre os dois lados de uma cidade
que, na realidade, anseiam pelas mesmas coisas: paz, respeito e dignidade.
Cada casa do bairro suburbano estava de portas abertas para receber os
visitantes, em cada bar havia uma roda de samba melhor que a outra. A coisa
mais comum foi encontrar um artista que saiu do palco dando canja em um
pé-sujo qualquer. Emocionante, por exemplo, ver Luiz Carlos da Vila na roda
do Bar do Cabral, na simpática Rua Frei Bento, sendo acompanhado em coro no
seu clássico "Kizomba - A festa da raça", que em seus versos lembra, de
forma oportuna, que "o pagode é o partido popular".

Nessa hora, passa um carro da polícia - ah, a nossa polícia! - com a sua
habitual delicadeza mostrando seus fuzis. Vale o registro, nenhum ato de
violência foi registrado.

No palco, Arlindo repetia insistentemente: "Canta, Oswaldo Cruz", sem se dar
conta que ali estava o Rio de Janeiro em sua totalidade, pelo menos no
desejo de que aquela alegria não tivesse uma Quarta-Feira de Cinzas.
Lembrei-me de Oswaldo Cruz, o médico, e sua luta para erradicar a febre
amarela. Se vivo, o que estaria ele fazendo para acabar com as pestes que se
abateram sobre a cidade? Descaso tem vacina?

A festa que começou às 17h em um palco na Central entrou madrugada adentro.
Foi uma festa em que a grande protagonista foi a população. Ao menos no dia
2 de dezembro, 40 mil pessoas saíram de casa à noite, vencendo o medo que
impera, para mostrar que quer dizer no pé e na atitude que a cidade mais
bonita do mundo tem conserto. No ano que vem, aproveitando o ensejo do
décimo aniversário do Pagode do Trem, deveriam reservar alguns vagões para
quem anda fazendo tanto mal ao Rio.

JOÃO PIMENTEL é jornalista.
Paulo Eduardo Neves
11 de Dezembro de 2004 #

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