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Pagode do Trem comemora o Dia Nacional do Samba

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Por Paulo Eduardo Neves
Publicada em 25 de Novembro de 1999 
Estado: RJ 
Assunto: Shows e Rodas

Dia 2 de dezembro, quinta-feira, é o Dia Nacional do Samba. A comemoração oficial da cidade do Rio de Janeiro é o divertidíssimo Pagode do Trem. O Pagode do Trem foi uma invenção do legendário Paulo da Portela. No início do século, quando o samba era perseguido pela polícia (como o prefeito Conde faz hoje), Paulo reunia seus companheiros para tocar nos vagões em movimento dos trens que saíam da Central do Brasil. O sambista Marquinhos de Oswaldo Cruz resgatou a tradição e, depois de muita luta, conseguiu transformar o Pagode em evento oficial da cidade.

Funciona assim, a partir das 18h começa a "concentração" -- com muita cerveja, é claro! -- na estação Central do Brasil. A concentração já rola ao lado do trem que está reservado especialmente para o evento. O trem está marcado para sair às 20h em direção a Oswaldo Cruz, terra da Portela. Cada vagão é reservado para um dos sambas da cidade tendo, entre outros, o vagão da Tia Surica, o da Tia Doca e do Bip-Bip. O samba vai comendo solto dentro dos vagões lotados com o trem em movimento. Este ano o trem fará uma única parada, na estação da Mangueira, para pegar músicos mangueirenses e a turma da UERJ. Ano passado havia um palco em Oswaldo Cruz onde se apresentaram artistas que seguiram no trem como Beth Carvalho, Velha Guarda da Portela e, diretamente de Recife, a Dona Aurinha do Coco que fez todos dançarem ciranda. Este ano será diferente, haverão oito(!) grandes rodas de samba para animar o pessoal. Não tem hora para acabar. Avise logo que chegará tarde no dia seguinte.

É bom se preparar. É preciso muita disposição para enfrentar esta maratona do samba, mas vale a pena. O programa é divertidíssimo e reúne a nobreza do samba. Encontro vocês lá!

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Comentários dos leitores

Caro Amigo,

Creio que o Pagode do Trem seja um movimento um pouco maior do que consta da matéria enviada pelo mail. E mais, não foi "redescoberto" pelo Maquinhos de Oswaldo Cruz... Tem muito mais gente envolvida, gente que ralou nos primórdios do resgate do Pagode de Trem, que somente agora entrou para o calendário da Cidade e foi "descoberto" pelo outro lado do túnel Rebouças... Espero que isso não contribua para descaracterizar algo que, no início era mutio mais do que simplesmente tocar samba, mas sim um movimento de resistência da cultura popular carioca. ACORDA OSWALDO CRUZ !!!
Luiz Fernando
29 de Novembro de 1999 #

Nascido e criado em Bento Ribeiro, no início da década de 60, "fugia" de casa após o tradicional almoço de Domingo, de bicicleta, em direção à Portelhinha em Oswaldo Cruz. Passava la a tarde embevecido com a festa. Até que um dia ao voltar pra casa à noitinha meu pai me esperava. Ganhei uma surra, conselhos e a proibição de frequentar "lugar de malandro". Aos 15 anos estava envolvidíssimo com a Portela, com o samba (movimento do) e com o carnaval. Naquela época uma das tradições dos suburbios da Central era brincar no trem. Durante o carnaval, grupo de carnavalescos ( os que brincavam o carnaval e não estes de hoje...) iam e vinham em viagens infindáveis cantando e dançando através dos vagões. As músicas , quase todas marchinhas ( "o piru da minha tia " "enfia o dedo e roda " etc ) tinham como carcterística a letra dúbia, sem pornografia explícita. Não existia "pagode" como hoje conhecemos. Aliás "pagode"era usado para festa de sambista de e na Escola de Samba e não tipo de samba ou a formação tan-tan + violão + cavaquinho + banjo + pandeiro. Creio que a modificação do significado do termo tem como origem o Cacique de Ramos, mas isso é outra história.
Volto ao trem para chamar a atenção que em respeito a verdadeira história a festa deveria ser chamada SAMBA NO TREM. Se sob o ponto de vista mercadológico "Pagode do Trem " venda melhor, essa denominação, no mínimo , nos faz misturar décadas.
Estarei lá !
Wanderley Quarte Pereira
15 de Novembro de 2000 #

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