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Dois do Samba lança CD segunda no Palácio das Artes

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Por Christiane de Assis Pacheco
Publicada em 28 de Agosto de 2008 
Estado: MG 
Assunto: Shows e Rodas

O Dois do Samba, formado pelo mineiro Dudu Nicácio e pelo carioca Rodrigo Braga, lança seu primeiro cd nessa segunda-feira no projeto Música Independente, no Teatro João Ceschiatii do Palácio das Artes. Eles se apresentam acompanhados por Warley Henrique (cavaquinho), Tiago Delegado (sete cordas), Rogerinho Sam (surdo e cuíca), Ricardo Acácio (pandeiro) e Petersom (percussão).

Leia no espaço para comentários mais informações sobre o show e o CD.

DOIS DO SAMBA no Música Independente
Segunda, 1º de setembro, às 19h
Teatro João Ceschiatti, Palácio das Artes
Preço: R$ 5 (inteira) e R$2,50 (meia-entrada)
Informações: (31) 3236-7400;

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Comentários dos leitores

O SAMBA É O REI DO PALÁCIO
Depois de percorrer as favelas de BH e casas de shows
importantes do País, Dois do Samba chega ao Palácio das Artes
para o lançamento de seu 1º CD

Em plena turnê de lançamento de seu CD de estréia, com
apresentações em casas importantes do país, como o Estrela da
Lapa, no Rio, e o SESC Pompéia, em São Paulo, Dois do Samba
invade o principal – pelo menos oficialmente - centro cultural
da cidade para um show com ingressos populares que promete muita
alegria e irreverência para o início da semana do público
mineiro.

Responsáveis pelas rodas de samba do projeto “Do Morro ao
Asfalto”, que têm revitalizado o samba em boa parte dos
aglomerados de BH, Dois do Samba, encontro das águas do mineiro
Dudu Nicácio com o carioca Rodrigo Braga, é a atração do “Música
Independente”, na próxima segunda-feira, dia 01 de setembro, às
19h, no Teatro João Ceschiatii, do Palácio das Artes.

Projeto que resume, como nenhum outro, o espírito de compadrio e
cumplicidade desses tempos, traz, na origem, o sentimento do
samba como arte do encontro e do compartilhamento – a exemplo de
dobradinhas clássicas como Baden Powell e Paulo César Pinheiro,
Wilson Moreira e Nei Lopes, Moacyr Luz e Aldir Blanc. Artífices
do que traduzem como a “aventura do cotidiano”, Dudu Nicácio e
Rodrigo Braga fazem deste Dois do Samba um bate-bola criativo e
bem-humorado com alto teor de vida real. Cronistas de seu tempo,
eles extraem graça de tudo e todos – em nome da flor, da dor, do
amor, do elevador.

No repertório do show desta segunda, que será gravado pela Rede
Minas e pela Rádio Inconfidência, sambas de Dudu Nicácio e
Rodrigo Braga - destaque para Muqueca de Tubarão e Contrariedade
- e clássicos como Nó na Madeira (João Nogueira), Caxambu (Almir
Guineto) e Vá morar com o Diabo (Riachão).

No palco, para engrossar o caldo destes Dois do Samba, Dudu
Nicácio e Rodrigo Braga contam com o cavaquinnho de Warley
Henrique, o violão de 7 cordas de Tiago Delegado, o surdo e a
cuíca de Rogerinho Sam, o pandeiro de Ricardo Acácio e as
percussões de Petersom.

O Disco
Dois do Samba, o disco, levou três anos para tomar corpo. Das
cerca de 20 músicas criadas em conjunto, 10 foram registradas no
CD. A única faixa “alienígena” é Tarzan, o Filho do Alfaiate, um
pré-samba-de-breque-desenfreado de Vadico e Noel Rosa –
referência constante, inevitável, até pelo ambiente em que o
disco foi gravado, o estúdio Base A, em Vila Isabel.

Dois do Samba é um disco cheio de atributos e participações, de
músicos do Rio (presenças luxuosas como a de Dona Sú do Jongo e
Casuarina) e de Beagá (do virtuosismo do cavaquinhista Warley
Henrique à contundência do coro das Meninas de Sinhá –
recém-ganhadoras dos prêmios Tim, Rival Petrobras e Cultura
Viva/MinC). Um encontro geracional orquestrado pela produção do
próprio Rodrigo Braga, numa dobradinha determinante com Tiago
Mocotó – compositor de mão-cheia gravado por Mart´nália em seu
último disco.

Dois do Samba é um disco pra frente e pra cima. Pra frente,
porque acolhe ao universo do samba uma nova geração, que o
impulsiona de novo, com elegância, a partir do diálogo com o
passado; pra cima, porque é difícil não se sentir à vontade, no
boteco afetivo de cada um, e sair cantarolando refrões que
caberiam com naturalidade na boca de Martinho da Vila ou Zeca
Pagodinho. E basta um deles (do hit certeiro “Samba Morena”)
para mostrar como os meninos são abusados: “Eu vou comendo
quietinho/ como um bom mineiro/ com fé em Santo Antônio/ eu vou
seguir solteiro”. Precisa falar mais?
Christiane de Assis Pacheco
28 de Agosto de 2008 #

Breve Histórico

Dudu Nicácio e Rodrigo Braga resumem, em torno de si, uma
confraria de afinidades.

Dudu Nicácio, mineiro de Oliveira (cidade da cantora Titane, uma
das mais vigorosas representantes da inquieta[can]ção nas Minas
Gerais), radicado em Belo Horizonte, carrega no DNA um histórico
familiar de relação com o meio artístico em geral e o samba em
particular. Herança do pai, diretor de teatro e de duas escolas
de samba (a mais tradicional e a mais abastada) em sua cidade
natal – e o velho Nicácio, lá do firmamento, mantém-se ativo
como inspirador, com o nome estampado no teatro municipal e na
quadra de uma das escolas de samba de Oliveira.

Ator, palhaço e músico por devoção, advogado por profissão, Dudu
tem o engajamento dos defensores de pequenas causas e a malícia
e o carisma da vida vivida – talhada musicalmente, desde a
infância, em serenatas pelas ruas de sua cidade.

Sorriso largo, carrega consigo o ímpeto do agitador cultural
que, em pouco mais de um ano, esteve à frente (com parceiros
sambistas como Mestre Jonas e Miguel dos Anjos] de projetos como
Samba da Madrugada, Samba do Compositor e Do Morro ao Asfalto
–este, uma roda de samba itinerante que gira os aglomerados de
vilas e favelas da região metropolitana de Belo Horizonte.

Rodrigo Braga, carioca de Campo Grande, aprendeu a marcar
compasso na companhia do pai, maquinista do circuito Oswaldo
Cruz > Madureira de trem. Pianista e diretor musical (dentre
outros, do Jongo da Serrinha do saudoso Seo Darcy), compositor
de mão cheia (parceiro de artistas como Seu Jorge), Rodrigo é um
compositor e intérprete de malandragem inata, no jeito e na voz.

Inquieto e versátil, Rodrigo carrega no currículo peripécias ao
lado de figuras de circuitos variados e grande respeito no meio
musical. É o caso da parceria com o (recém-finado) baterista
Luis Carlos Batera, ex-integrante da histórica Black Rio, com
quem temperou, em 2003, num disco minimalista, de piano e
bateria, um saboroso quitute instrumental de acento samba-jazz.

Estudante de composição da Uni-Rio, debutou em disco em 2000,
como membro da banda Caixa Preta, no mesmo contexto cheio de
suingue da cena musical carioca em que emergiriam Farofa Carioca
e, portanto, Seu Jorge. Desde então, deitou os dedos sobre os
teclados na retaguarda de artistas como Luis Melodia – o que faz
hoje na banda de Serjão Loroza.
Christiane de Assis Pacheco
28 de Agosto de 2008 #

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