| ampliar |
Paulo Eduardo Neves/2001 |
|
|
Guilherme de Brito durante depoimento à Agenda
|
|
|
Há pouco tempo fui fazer um programa na Rádio MEC e o apresentador me disse que eu era considerado um poeta triste. Eu aprendi com o Nelson essa melancolia. É um tema que eu acabei gostando e uso até hoje, é sempre um lamento, dificilmente é alegre. Mesmo quando eu fazia a primeira parte eu procurava me colocar no lugar do Nelson. Eu sempre estava sabendo o que estava acontecendo na vida dele. Por exemplo, o caso de “Mais uma vez minha vida mudou, quem me viu, quem me vê, a tristeza acabou” (Minha Festa). Ele tinha acabado de chegar de um show na Bahia e chegou lá em casa com essa melodia, ele estava acompanhado da mulher dele, numa tremenda felicidade. Então eu fiz a letra como se ele estivesse falando, já que ele estava muito feliz. Inclusive eu escrevi assim, “Contigo aprendi a sorrir/Enxugaste o pranto de quem sofreu tanto”. E ele gravou “Escondeste o pranto”, ele que encaixava as músicas, parece que ele esqueceu, porque não faz muito sentido. A verdade é que eu apreendi este caminho do Nelson, e por ali que eu segui, que eu acho que é bonito, eu acho que a tristeza toca mais as pessoas do que a alegria.