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Paulo Eduardo Neves/2001 |
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Guilherme de Brito durante depoimento à Agenda
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Eu sempre me vi envolvido pela música. Meu pai tocava violão. Minha mãe tocava piano mas eu nunca vi a minha mãe tocar, sabia que ela tocava, mas não tinha piano lá em casa. Como meu pai tocava violão tinha reuniões lá em casa, iam compositores, o Synval Silva ia muito na minha casa. E a minha irmã começou a tocar violão também. Eu era muito pequeno naquele tempo e queria tocar também, então eles me deram um cavaquinho. Eu não lembro exatamente que idade eu tinha, mas era bem pequeno, lembro que eu andava descalço pela rua e nem na escola estava ainda. Eu andava com o cavaquinho em Vila Isabel e ia pra rua tocar. O quitandeiro pedia: “Menino, toca um negócio pra mim aqui.” E me dava uma banana, uma laranja, já era um cachê. Depois eu achei que o cavaquinho era muito pequeno e passei pro violão. E também comecei a pintar. Eu sempre tive inclinação pro desenho, nunca aprendi também. Tudo que eu fiz na vida foi de ‘orelhada’, inclusive na escola mesmo eu estudei pouco, nem o primário terminei porque tive que começar a trabalhar pra ajudar minha mãe.