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Entrevista com Guilherme de Brito

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19) O senhor já foi duas vezes ao Japão, gravou um disco que foi lançado primeiro lá e até hoje seu trabalho tem uma grande aceitação pelo público japonês. Como tudo isso aconteceu?

Pergunta por Agenda do Samba & Choro

"(no Japão) Quando acabei de cantar eles não queriam deixar eu sair do palco. "

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Cartaz do show de Guilherme de Brito no Japão
Cartaz do show de Guilherme de Brito no Japão
Eu nunca saí aqui do Brasil pra lugar nenhum, nem a passeio. No Brasil o lugar mais distante que eu já fui foi à Bahia, pela Casa Edison e foi um drama, todo mundo ficou chorando lá em casa porque eu ia pegar avião. Um dia eu recebo um convite pra ir ao Japão, agora veja você, lá do outro lado do mundo. Eu até cheguei a pensar em não ir, mas eu ia ganhar um dinheiro, porque se eu fosse um cara com situação eu não iria. Fui no avião com um medo desgraçado, o avião vai de encontro ao sol, de forma que não anoitece nada até chegar lá no Japão, por causa do movimento da Terra. Foram quase 30 horas de vôo, eu fui pra Seattle, depois Tokyo. Daqui a São Paulo já não acho bom, imagina pro Japão. O Tanaka ia nos esperar no aeroporto em Narita mas durante o vôo eu virei pra minha mulher, ela tá sempre rindo, e perguntei, “Vem cá, e se nós chegarmos lá no Japão e não encontrarmos o Tanaka? Como é que vai ser?” E ela rindo. Eu digo, “Porra, você tá rindo!?” E eu preocupado. Mas ele foi muito correto, nós chegamos lá ele tava no aeroporto. O show foi muito bonito. Na primeira vez foi na boate Crocodile que era perto do hotel. O Tanaka sempre muito cortês ficou hospedado no mesmo hotel, no quarto ao lado, já que era meu cicerone. Quando eu fui pro show, me encaminhando pro lugar, não tinha ninguém, só tinha dois caras na porta e eu disse, “Ih, Nena. Acho que não tem ninguém aí pra ver o show.” Só que o show era num subterrâneo, quando entramos tinha gente até na escada. Foi muito emocionante. Lá quando eu acabava de cantar eles vinham fazer massagem em mim, homem, mulher. Uma dona querendo autógrafo na calça na parte da bunda. Quando acabei de cantar eles não queriam deixar eu sair do palco. Foi aí que eu chorei de emoção, eles gritavam: “Poeta! Poeta! Poeta!” e não deixavam eu sair do palco. Por causa de “me dê as flores em vida” eles foram pro hotel e levaram flores, depois foram tantas flores que não tinha mais lugar pra botar e nós botamos na banheira. Foram muitos gentis comigo e gostam muito de mim lá.

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18) Gostaria muito que você me dissesse como surgem as suas iluminadas intervenções poéticas.

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20) Gostaria de saber do Guilherme de Brito se ele continua pintando quadros e se são tão belos quanto as músicas que compõe. Esses quadros são postos à venda? Aliás, não estaria por merecer uma exposição com os quadros dele?

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