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Re: Formando público para o futuro
por Wallace Farias
em 13/04/2004 às 10h15 #
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Fernando,
Quando li sobre as "sutilezas" que envolvem a formação do público de samba, fiquei na dúvida se vc estava realmente tratando da formação de público ou da formação de agentes, de fomentadores deste universo cultural que é o mundo do samba.
Não sei se estou sendo claro, mas quando falo de fomentadores, estou procurando distinguir músicos, compositores, produtores (ou seja, todo o pessoal envolvido na produção de discos, shows e rodas) de um público que não consegue sequer marcar um ritmo no tamborim (meu caso...), mas que se permite sensibilizar pelas expressões artísticas produzidas por este universo cultural amplo que é o samba, um universo que vai muito além da expressão artística.
Acredito que a formação de um público para o samba seja influenciada por sutilezas distintas daquelas que influenciam na formação dos tais fomentadores a que me referi. Sem considerar esta distinção, estaríamos afirmando que o destino final de todo aquele que gosta de samba é se tornar sambista; é um compromisso que se impõe ao público de outras expressões artísticas não voltadas ao consumo imediato, acrítico e descartável.
Um abraço,
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Re: Formando público para o futuro
por Fernando Szegeri
em 13/04/2004 às 15h52 #
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Caro Wallace,
Sua observação é perfeita. Não se trata de transformar todas as pessoas que apreciam o samba em sambistas, no sentido de criadores, de protagonistas dessa cultura. Mas trata-se de que estas pessoas tenham condições de perceber algo além da simples expressão sonora evidente.
Ouvir uma bela melodia com versos bem construídos e um ritmo bem marcado é muito bom. Poder perceber que uma determinada forma de executar um samba é diferente neste ou naquele músico, nesta ou naquela "escoa, é ainda melhor, mais enriquecedor. Agora, poder compreender (não somente no sentido intelectual, mas no sentido estético, de sentir mesmo) que aquela pulsação fala de toda uma história, que aqueles versos falam da condição de um povo e das relações pessoais e estruturais que o envolvem etc., etc. é ainda mais enriquecedor, não acha? Ou seja, é importante para o samba que as pessoas deixem-se envolver pela sua magia, pelas suas simbologias, pelos seus significados, mas é importante sobretudo para esse público, que tem a oportunidade de compreender e vivenciar um universo humano todo particular.
Um abraço!
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