Nobre professor, fui seu aluno na FACHA, e cheguei à conclusão de que faço parte do que se convém chamar "purista". Não sei ao certo se a alcunha é boa ou ruim, mas me considero agraciado por ela, num momento em que o verdadeiro samba se impõe e não se "curva às circunstâncias impostas pelo dinheiro", como cantou Beth carvalho em "Visual". Nasci em 1969, não vi com meus próprios olhos um carnaval antigo, autêntico, verdadeiro. Quando tomei consciência dos desfiles, já estava na "era Joãosinho Trinta" (sou do tempo em que o Joaosinho era escrito com Z). Mas tive o prazer de ver uma Portela e um Império em 2004 que me deram a plena certeza do que é samba de verdade, escola de samba de verdade, desfile de verdade, força e história contagiando a avenida. Hoje os critérios são outros... a " escola da moda" é a Grande Rio, com seus artistas da Globo... bateria "boa' é a que faz três mil paradinhas (uma pálida caricatura do Mestre André, que os jurados a-do-ram!), comissão de frente boa é do Carlinhos de Jesus (coreografia e efeito especial cuspindo na tradição e no propósito primordial que é apresentar a escola)... enfim, virou galhofa, esculhambação. basta ver um desfile perfeito, encantador, de protesto, como foi o da São Clemente... e os jurados preferiram a "Xuxa de Pilares"!
O único alento deste carnaval foi o brilho reconhecido da Unidos da Tijuca. Pois, quanto à vitória da Beija-Flôr, nem o fato de ter o melhor samba inédito do ano - e certamente o melhor de sua história (que não é lá muito pródiga nesse quesito, apesar das notas dez que vem colecionando estranhamente dos jurados ano após ano) - a fez mais agraciada e aplaudida na avenida do que as escolas de Madureira.
Por isso eu digo: prefiro ser "purista" e acreditar em samba verdadeiro do que me confundir com essa meia dúzia de incautos, que pouco conhecem das tradições e da história das escolas de samba, e pousam de jurados com cursos-relâmpago sobre coisas que eles jamais entenderam na vida!
Grande abraço!
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