Simplesmente magnífico este texto do Roberto. Como outras pessoas, amantes do carnaval para brasileiro participar e, não, para inglês assistir, acompanhei, com pesar, a baixa adesão à proposta da LIESA, das escolas reverem seu próprio acervo ou de alguma congênere, trazendo enredos já apresentados, porém, com nova leitura. Amigos, em 1982,a Império (Tabajara do Samba)Serrano já denunciava as Super Escolas de Samba S.A (infelizmente não sei quem compôs o samba daquele ano), e olha que as baterias ainda conservavam a cadência e o morador da comunidade, bem como os compositores, tinham mais valor enquanto componentes. A cada ano que passa, observamos o carnaval, dentro da sua essência, escoando das mãos do povo que o criou, preços exorbitantes de fantasias, que não permitem ao assalariado/sambista prestigiar sua agremiação.
Alegorias e adereços que “escondem gente bamba ”, baterias que não permitem ,nem ao(a) mais astuto(a) passista riscar o mapa do Brasil dizendo no pé . Aliás, ala de passista, quem viu? a Globo não mostra, não gosta, tem por demais a cara do povo para ser exibida, como bateria não tem jeito...
Cantar o samba? Melodias sublimes: Áureos tempos . Tomemos cuidado com a queda da bastilha, pois, quando não houver mais degraus, veremos o nosso carnaval ser vítima do próprio crescimento por ele imprimido.
Chamem de pensamento retrógrado, caso queiram, mas, o que o povo alegre e sofrido deste país busca encontrar no carnaval via desfile das escolas não encontra mais: Seu bolso não lhe permite participar.
Um gari que sempre fez a alegria, é um exemplo de um artista do carnaval que não tem condições de participar do mesmo (consideremos aqui que ele gostaria de desfilar em alguma escola, é claro)...mas como cidadão /folião ele até que deu sorte com a Globo.
Ai! Que saudades da Rede Manchete (desculpe a propaganda), onde aprendi os nomes de compositores, fundadores e, os apresentadores se preocupavam em nos apresentar o enredo e as escolas em seu âmago, nos familiarizar com o universo que estava entrando em nossos lares através da televisão. Cadê o povo das escolas? Devem estar no grupo B,C,D...desfilando ao som de baterias cadenciadas (espero que ainda existam!), alas de compositores ( com seu valor respeitado!), baianas felizes e leves, soltas lindas, majestosas.
Valha-me Deus! o que estão fazendo com a cultura carnavalesca? Com o samba? Quando o nosso povo acordará e virá de encontro aos reais valores da festa de momo e de todos, que se perderam de 1984 ( Não por acaso inauguração do sambródomo) para cá?
Infelizmente, o grande Sambródomo tornou-se o coliseu do samba ,que a cada ano enterra uma tradição, quando se rende à grandiosidade de manter-se o maior espetáculo da terra. Felizmente, Atitudes como estas, das quatro escolas, nos remetem à reflexão:
Por quê tudo tão grandioso? Carros, alegorias etc. Tudo que eu mais queria era estar na Império, cantando este samba (que na minha infância achava que era do Martinho ), mas não moro no Rio, nem tudo é como gostaríamos que fosse, mas o futuro a Deus pertence. A Império pode não ter levado o título mas, deu um prazer enorme àqueles que gostariam de ver as coisas não tão luxuriantes. Desculpem se o comentário virou um desabafo.
Kelly Simone em 12/03/2004 Sexta-Feira 17:50 hrs.
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