Caro Roberto,
Ótimo seu artigo sobre o desfile desse ano. Realmente, o samba do Silas dominou a Sapucaí. Mas gostaria de dizer que sou contra essa prática. Acho que as escolas deveriam prestigiar seus compositoes, sem abrir para os compositores estranhos a escola. Silas se foi. Vavá também. Tudo bem (tudo mal). Bem, é a vida. Mas outros grandes compositores, que têm a linguagem de suas escolas estão aí, bem vivos e ainda atuantes e poderiam ser mais prsstigiados. Falo de gente como Jurandir, Helio Turco, Niltinho Tristeza, Luiz Grande, Aluizio Machado, Darcy da Mangueira, Dauro do Salgueiro, Zuzuca e tantos outros. Sem contar uma nova geração surgida dentro das próprias escolas. Quem sabe não surge outro Silas se os poderosos carnavalescos deixarem ? Sobre os "revivals", acho que seria justificável apenas como um projeto esporádico em que TODAS as escolas estivessem envolvidas. Os sambas antigos realmente são mais bonitos, mas o andamento também é outro problema. O samba "Círio de Nazaré" foi, simplesmente, assassinado pela correria atual que vem pautando os desfiles de carnaval. Samba enredo não tem que ser composto pra tocar no rádio e render direito autoral. Tem que SERVIR ao enredo e esse descompromisso com o sucesso popular foi que produziu grandes obras primas como a "Aquarela Brasileira". E, se for realmente bonito, como o samba do Silas, vai render os dividendos de direito autoral. Mas esse é um papo ótimo pra levarmos em torno de um chopinho. Estou esperando que você marque. Um abração,
Paulo Albuquerque
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