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Maravilha de Cenário X Sublime Melodia

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Maravilha de Cenário X Sublime Melodia
Publicado por Roberto M. Moura em 05/03/2004 às 01h49
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O pesquisador Roberto M. Moura aproveita o desfile da Império Serrano em 2004, em que o genial samba "Aquarela Brasileira" de Silas de Oliveira voltou a embalar o cortejo da escola, para comentar o confronto entre o carnavalesco e o compositor.

“Os enredos e a ação tornaram-se mais variados e tiveram início os efeitos cênicos espetaculares” A partir de então, “o compositor não era a figura dominante” e “as platéias burguesas foram um fator influente na evolução”. Veja, ilustre passageiro, que não é de escolas de samba que tratam as palavras acima. É de ópera e foram extraídas do verbete dedicado ao gênero no “Dicionário Grove de Música”.1

Ora, de tanto os carnavalescos baterem nessa tecla, de que o desfile é uma “ópera de rua”, o belo tipo faceiro que assina essas mal-traçadas houve por bem pensar à luz da lira (e da lírica) napolitana os acontecimentos singulares do carnaval de 2004 que, realmente, não foi igual àquele que passou.

Como se sabe, a ópera é um espetáculo dramatizado conduzido exclusivamente pela música. É entendido assim, desde 1637. A partir de 1660, tornou-se popular com a forma consagrada, diz o mesmo Grove. E, quando se fala em ópera, pensa-se imediatamente em Verdi, Rossini, Donizetti, Bellini, Puccini, até Beethoven, Mussourgski, Wagner e os impressionistas Debussy, Ravel, Stravinsky. Não se pensa nos coreógrafos que montaram seus maiores sucessos, inclusive por que a maioria deles enfrentou dezenas e centenas de montagens.

No entanto, em terras tupiniquins, os carnavalescos ao carnavalizarem a ópera, fizeram como o velho adágio inglês: quase jogam fora o bebê junto com a água do banho. Isto é: tentaram acabar com a música, fazer uma ópera sem Verdi, sem Rossini.

Recapitulemos: tudo começou com “Alô, alô, taí Carmen Miranda”, enredo de Fernando Pinto para o Império Serrano, em 1972. Fernando, grande artista pernambucano, chegou em Madureira com a idéia de uma Carmen Miranda múltipla e dinâmica (eram sete, se bem me lembro, as Carmens: Leila Diniz, Zélia Hoffmann, Maria Pompeu, Mirian Pérsia, por aí).

Na disputa do samba-enredo, por influência de Fernando Pinto, o samba de Silas de Oliveira foi fragorosamente derrotado (nos bastidores, falou-se em algo como 7 x 0). Grande campeão que era, Silas ficou deprimidíssimo, naturalmente. O samba vencedor, de Wilson Diabo, Heitor e Maneco, é que iria para a pista, seria campeão e um dos líderes de execução no rádio da época.

Aos jornais, Fernando justificou a escolha: o samba vencedor atendia mais ao enredo. Era mais funcional para o desfile. O Império, escaldado pela derrota com “Nordeste, seu canto e sua glória”, um lindo samba dolente (que não é do Silas), embarcou na canoa do pernambucano.

Não demorou muito, Silas morreu. E veio Joãosinho Trinta, instaurando-se definitivamente a ditadura do carnavalesco em praticamente todas as escolas. Os compositores foram se afastando. Suas alas, menosprezadas e desprezadas (pense rápido: em que escola do grupo especial você viu uma Ala dos Compositores como nos desfiles de antanho?). Passamos, inclusive, a ouvir na pista sambas que os carnavalescos não se constrangiam de anunciar como uma fusão promovida por eles, carnavalescos, de dois ou três finalistas. E sambas feitos por gente de fora da escola – aliás, nunca mais se ouviu falar daquele nobre ritual de admissão numa ala de compositores, o pretendente sendo obrigado a “mostrar serviço”, compondo em homenagem à agremiação.

Tempo passou, ô, ô, e no terreirão da casa grande os carnavalescos vinham fazendo tudo o que queriam fazer. Até que, de onde menos se esperava, da própria LIESA, fez-se uma luz no fim do túnel, facultando-se às escolas a possibilidade de recorrer ao seu próprio acervo (ou ao acervo de uma co-irmã) para fazer seu carnaval.

Quatro escolas aceitaram o desafio de visitar o passado, recontar o já contado, desafiar o dogma de que a história só se repete como farsa. E três delas fizeram bonito, sacudiram a Sapucaí – a Tradição nem tanto. Nostalgia? Sem essa: apenas a verificação prática de que a maravilha de cenário que é o desfile só tem a ganhar se a trilha sonora for de qualidade. Isto é: se o carnavalesco puder admitir, com humildade, que não é o dono absoluto da festa; se aceitar dividir com o compositor os ecos dessa celebridade instantânea.

O ser humano não falha, diz o adágio. E nas três últimas décadas vem sendo progressivamente assim. Nada é feito nas escolas, internamente, que valorize o compositor. E os carnavalescos só ampliam o seu raio de ação, o seu prestígio dentro e fora das quadras, o numerário de seus contratos.

O desfile de 2004 pode ser um momento de corte nesse quadro sinistro. Uma sucessão de acontecimentos até certo ponto inesperados criou uma salutar e inesperada reversão de expectativas. De uma parte, compositores já atirados no limbo das “velhas guardas” (não apenas Silas, incluam-se aí Dedé, Norival Reis e Nilo Mendes) mostraram-se não apenas “vivos” no sentido histórico, mas donos de sambas que permanecem atuais e, o que é mais importante, queridos.

Por outro lado, foi um ano de inferno astral para os carnavalescos. Apesar do deslumbrante trabalho da Mangueira, da Imperatriz e da Beija-Flor, e da magnífica revelação de Paulo Barros, da Unidos da Tijuca, nenhum dos nomes consagrados acrescentou muita coisa ao prestígio já conquistado.

Como corolário dessa situação, o nome-símbolo dos carnavalescos, Joãosinho Trinta, erguido como o ícone-mor de todas essas mudanças de mais de trinta anos, viu escorrerem para as cinzas da quarta-feira tudo o que foi construído para alimentar ainda mais o seu mito. Foi enredo da Acadêmicos da Rocinha, que investiu 1,8 milhão no desfile, mas não passou do terceiro lugar – e não passou por que, suprema ironia, o samba não estava à altura do barracão.

Joãosinho foi tema também do maior camarote da Sapucaí, o da “Rio Samba e Carnaval”, que recebeu seus convidados VIPs com uma decoração chamada “Viva o rei”, em torno do maranhense. E, finalmente, Joãosinho aproveitava nova oportunidade de arrostar autoridades, com as conotações homoeróticas do enredo dedicado à camisinha pela Grande Rio. Só que a escola foi mal – inclusive por que os componentes davam nítida impressão de não compactuarem com o que a escola estava “dizendo” na pista.

Para culminar, Joãosinho foi demitido e, nos bastidores, fala-se que na verdade estavam inacabados os carros que passaram cobertos, sob a alegação de “censura” (quando o Brasil vai acabar com essa frescura que só existe aqui de que regulamentar o que quer que seja é censura?).

Ora, até semanas antes do carnaval, o que se pensava é que os carros do Império é que iam passar precariamente. O revival dos sambas antigos corria o risco de se transformar em fiasco por que o Império vivia séria crise política e financeira. A presidente Neide Coimbra estava sendo argüida na justiça a largar o cargo. Conseqüentemente, nenhum patrocinador iria se arriscar a investir numa escola nessa situação.

O retorno de “Aquarela brasileira”, nessas circunstâncias, poderia ser o argumento definitivo. O Império fracassaria, em função dessa conjuntura – e as aves de rapina logo sentenciariam: tá vendo?, é impossível fazer um carnaval hoje com um samba desses, longo, lento. Só que o Império passou e exorcizou o vudu.

Que coisa linda, o Império. O samba trazido na boca. A arquibancada cantando como em nenhum outro momento do desfile – a ponto de despertar inveja em Farid Abrahão, presidente da Beija-Flor, a escola que trouxe o melhor samba inédito de 2004. Silas redivivo, pairava sobre a Sapucaí, a verdade eterna da música triunfando sobre a beleza fugaz das alegorias.

Tal como acontece na cena lírica. O espectador vai ao teatro e julga cenografia, alegorias e adereços. Mas só sai de casa por causa da música. O que ele quer é ouvir “Nessum dorma”, “Vesti la giuba”, a “Habanera” da Carmen de Bizet. Oxalá a cena se repita na Sapucaí – há muitas “óperas de rua” à espera de uma remontagem, ocultas à sombra do ego desmesurado dos carnavalescos.

Resumo da ópera: não sei se devo intitular este artigo “a vingança de Silas de Oliveira” ou se caio no chavão de Nelson Sargento e entro no coro de que “o samba agoniza mas não morre.”


Roberto M Moura é mestre em Comunicação e Cultura pela ECO/UFRJ e doutor em Música pela UNIRIO.

1 SADIE, Stanley – Dicionário Grove de Música (supervisão da edição brasileira: Luiz Paulo Horta e Luiz Paulo Sampaio). RJ: Jorge Zahar Editor, 1994.


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Re: Maravilha de Cenário X Sublime Melodia
por iara teixeira em 05/03/2004 às 08h35 #
Maravilha de artigo, Roberto!
Oxalá você esteja certo e 2004
seja mesmo o ano em que a música
voltou ao merecido lugar de
honra no "maior show da terra"!

Abraços
Iara
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Maravilha de Cenário X Sublime Melodia
por Robson Nascimbene em 05/03/2004 às 09h02 #
Roberto, com sua licença, faço minhas as suas palavras: "Oxalá a cena se repita na Sapucaí...".

Sem desmerecer a carnavalesco algum que também fazem o seu show na avenida, o motivo maior de uma escola de samba é O SAMBA.

Vamos FAZER para que assim seja.

Robson Nascimbene
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Re: Maravilha de Cenário X Sublime Melodia
por paulo albuquerque em 05/03/2004 às 09h35 #
Caro Roberto,

Ótimo seu artigo sobre o desfile desse ano. Realmente, o samba do Silas dominou a Sapucaí. Mas gostaria de dizer que sou contra essa prática. Acho que as escolas deveriam prestigiar seus compositoes, sem abrir para os compositores estranhos a escola. Silas se foi. Vavá também. Tudo bem (tudo mal). Bem, é a vida. Mas outros grandes compositores, que têm a linguagem de suas escolas estão aí, bem vivos e ainda atuantes e poderiam ser mais prsstigiados. Falo de gente como Jurandir, Helio Turco, Niltinho Tristeza, Luiz Grande, Aluizio Machado, Darcy da Mangueira, Dauro do Salgueiro, Zuzuca e tantos outros. Sem contar uma nova geração surgida dentro das próprias escolas. Quem sabe não surge outro Silas se os poderosos carnavalescos deixarem ? Sobre os "revivals", acho que seria justificável apenas como um projeto esporádico em que TODAS as escolas estivessem envolvidas. Os sambas antigos realmente são mais bonitos, mas o andamento também é outro problema. O samba "Círio de Nazaré" foi, simplesmente, assassinado pela correria atual que vem pautando os desfiles de carnaval. Samba enredo não tem que ser composto pra tocar no rádio e render direito autoral. Tem que SERVIR ao enredo e esse descompromisso com o sucesso popular foi que produziu grandes obras primas como a "Aquarela Brasileira". E, se for realmente bonito, como o samba do Silas, vai render os dividendos de direito autoral. Mas esse é um papo ótimo pra levarmos em torno de um chopinho. Estou esperando que você marque. Um abração,

Paulo Albuquerque
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Re: Maravilha de Cenário X Sublime Melodia
por Claudio Janowitzer em 05/03/2004 às 10h26 #
Prezado Roberto Moura,
Parabéns pelo seu artigo na "Agenda Samba&Choro" sobre o mágico impacto da volta ao desafile das escolas, do samba do mestre Silas de Oliveira, 40 anos depois.
Vi o desfile em 1964 na Av. Presidente Vargas em 1964. Acho que o puxador era o cantor Jorge Goulart. Nem me lembro se aquele desfile do Império foi especialmente bonito. Me lembro da bateria que tinha na frente o Calixto ("o rei do prato"). Mas o que foi inesquecível mesmo foi o samba.
Acho que a batida "quase marcha" (samba empolgação ?) usada agora pelas escolas é uma deturpação séria. Mas o "Aquarela Brasileira" é tão especial que praticamente "resistiu" à aceleração de agora.

Claudio Janowitzer
cjano@terra.com.br
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Re: Maravilha de Cenário X Sublime Melodia
por Tom Lemos em 05/03/2004 às 10h32 #
Amigos,
Robeto M. Moura como sempre brilhante. Concordo que o mais importante no desfile é o samba, ainda que outros quesitos também o sejam.
Só uma questão: se o samba com que o Império desfilou em 72 foi vencedor do concurso interno por pressão, quer dizer que não era o melhor? Mas eu considero este um dos bons sambas-enredo da história! Será que meu gosto é tão, digamos, excêntrico assim? Tá certo que a letra é curta, talvez haja nela uma preocupação excessiva em "transar" as gírias novíssimas da época ("que grilo é esse? vou embarcar nessa onda..."), mas pra mim este é um samba marcante no sentido positivo. Bom, fiquei agora curioso para conhecer o samba de Silas que seria tão melhor assim que esse.

Abraços,

Tom.
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Re: Maravilha de Cenário X Sublime Melodia
por Isnard Manso Vieira em 05/03/2004 às 11h21 #
Meu caro Roberto Moura,
Brilhante, gostoso, comovente, lúcido o seu texto. Chorei em alguns momentos. Pela alegria de ver você defendendo o que precisa e deve ser defendido e pela utopia que você defende - mais necessária do que nunca. Temos de acreditar no verso de Thiago de Mello "faz escuro mas eu canto porque o amanhã vai chegar". E é bonito de se ver ( e constatar ) também que é, muitas vezes, de onde menos se espera que as coisas acontecem. Quem poderia imaginar que viria da anacrônica e exdrúxula Liga a permissão para que as escolas pudessem reeditar sucessos e trazer para a Avenida as belezas que deixaram de ser criadas porque os talentos foram afastados do processo dando lugar a armações, debilidades mentais, arranjos imbecis de letras que não diziam nada com música que diziam menos, criando monstrengos "samba-enredistas". E então tivemos alguns momentos de glória, de brilho, de resgate que você, Roberto Moura, tão bem defende e coloca no seu texto. Parabéns e obrigado por você existir. Abraços do amigo e admirador, de longa data, Isnard Manso Vieira.
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Re: Maravilha de Cenário X Sublime Melodia
por Ricardo Lodi Ribeiro em 05/03/2004 às 13h32 #
VALEU A PENA


Maravilha de Cenário é também o artigo de Roberto Moura. Concordo em gênero, número e grau.

É realmente salutar a prática adotada esse ano, de repetir grandes sucessos do passado. Ao contrário do que se disse, não se trata de saudosismo. Ninguém nega que os sambas-enredo de antigamente eram muito melhores, e a sua reprodução vai estimular a nova geração de compositores a fazer obra melhor.

Não há dúvida que existem muitos jovens compositores de samba de valor, como os garotos que compuseram o belo e empolgante samba da Mangueira . No entanto, o registro se enquadra como exceção na nova geração, que em sua maioria acomoda-se à certeza que só os sambas-marchas com refrões de duplo sentido estariam aptos a contagiar, não ousando a fazer sambas inesquecíveis. Agora, esses novos talentos, bebendo na seiva dos mestres, podem mostrar o valor do novo compositor carioca.

O casamento com o enredo é uma exigência de um espetáculo que hoje também é visual. Mas isso, longe de impedir a criatividade e a beleza nos sambas, é elemento de desafiador estímulo à inspiração do compositor.

Vejam que o resultado já se mostra com o lindíssimo samba-enredo inédito da Beija-Flor.

Além do mais, deve-se observar que, diferentemente do que noticiou a grande imprensa, os sambas históricos ajudaram muito as escolas, mesmo considerando os inaceitáveis tecnicimos do critério de julgamento, que deixaram o Império Serrano longe das primeiras posições.

Convém lembrar que nenhuma das quatro escolas que reproduziram sambas antigos vinha disputando o título nos últimos anos. Muito ao contrário. Procuraram no passado uma solução mágica para o insucesso do presente. Os campioníssimos Império Serrano e Portela, depois de muitos anos, fizeram um desfile a altura de suas gloriosas tradições. Se não ganharam, tiveram colocação bem melhor que nos anos passados. Se o Império tem lutado para não cair para o Grupo de Acesso, esse ano ganhou o Estandarte de Ouro de Melhor Escola. Valeu Cigana Guerreira! É bem verdade que as duas escolas de Madureira foram muito injustiçadas pelos julgadores. Mais isso é do jogo. O importante é bilharam bem mais alto na Sapucaí este ano. A Tradição, que vem numa crise de identidade muito grande, já que as razões que levaram os portelenses históricos a abrirem dissidência já não os afasta mais do pavilhão de Oswaldo Cruz, superou tempos infelizes, como a apologia ao Silvio Santos, exemplo de ascensão social, mas que não chega a ser um grande enredo, e reviveu as grandes glórias da Portela. Embora tenha feito um desfile sem pretensões maiores, cumpriu bem o papel a que se propôs.

A Viradouro, que não vinha tão mal nos últimos anos como às outras três, fez um desfile digno de campeã, nada ficando a dever à Beija-Flor, indo para o Desfile das Campeãs.

Por isso, me parece cristalino que as escolas que repetiram sambas históricos foram muito beneficiadas pela sua escolha.

É alvissareira a notícia de que em 2005 a possibilidade se repetirá. Não se trata de simplesmente reproduzir o passado. Mas buscar o que havia de melhor em todos os tempos, provocando uma ruptura crítica no presente, a fim de propiciar um futuro de resgate do brilho do samba-enredo do Rio de Janeiro. Quem sabe aí teremos vários sambas-enredo inéditos e antológicos.

Quem viver verá...
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  • Re: Maravilha de Cenário X Sublime Melodia
    por neusa da conceição braga marques em 30/03/2004 às 21h12 #
    Gostaria imensamente que os sambas renredo, da portela e do salgueiro fossem inéditos em 2005, pois sou compositora novata, fui convidada pelo salgueiro, e quero tambem fazer parte da portela que mora em meu coração. Sendo assim ,quero que simplismente consiga ser atendida nos meus desejos de estrear como compositora de samba enredo, pois já componho a anos, e gostaria muito de participar. OBRIGADO, Neusa Braga. Meu e mail é neusabraga@bol.com.br.
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  • Re: Maravilha de Cenário X Sublime Melodia
    por claudio silva muniz em 01/05/2004 às 17h55 #
    por acaso eu estava procurando,algum enredo para 2005 e vi seu comentario,e impressionante como seu comentario e exatamente o q eu penso.
    tambem fiquei mt feliz de poder repitir em 2005,parabens pelo seu comentario.
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Re: Maravilha de Cenário X Sublime Melodia
por Edson de Oliveira Rodrigues em 05/03/2004 às 14h06 #
Faço minhas as suas palavras. Principalmente com relação ao fato de as escolas terem relegado a plano inferior suas alas de compositores. Lembro-me com saudade do tempo em que para ingressar numa ala de compositores o candidato tinha de compor um samba exaltação à escola. Daí surgiram sambas antológicos como os de João Nogueira e Wilson Moreira, para a Portela, Nei Lopes e Dauro, para o Salgueiro, Jurandir, Nelson Sargento, Padeirinho e toda a safra mangueirense. Eram os sambas de terreiro que alimentavam os ensaios e atraíam os verdadeiros amantes da boa música. Tomara, mesmo, que os bons tempos estejam de volta.
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Re: Maravilha de Cenário X Sublime Melodia
por Paulo Luna em 06/03/2004 às 16h37 #
Maravilha de artigo, sublime artigo. Que bom vereificar que existem vozes que discordam do coro dos contentes e vê que existe algo no ar além das alegorias voadoras. E que o carnaval carioca e o desfile das escolas de samba, podia ser bem melhor se não existisse tanta gente pra atrapalhar ou para achar que é ono da verdade, como é o caso dos carnavalescos.

Obrigado Roberto Moura,

um abraço,

Paulo Luna
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Re: Maravilha de Cenário X Sublime Melodia
por César Velho em 06/03/2004 às 21h49 #
Ratifico totalmente as palavras do autor de tão sensato artigo sobre a importância da música e por consequencia dos compositores no Desfile das Escolas de Samba.

Realmente precisamos dar valor a quem realmente tem, assim pontuar fortemente de onde vem o samba e o carnaval.

Mas não entendi a afirmação feita em torno do samba reeditado pela Tradição - na minha opinião um dos mais bonitos entre os apresentados em 2004, juntamente com a Aquarela do Brasil. A Escola pode até não ter apresentado o mais bonito Carnaval, mas o samba era bom, voltamos as considerações iniciais, talvez não tem sido bem trabalhado.


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Re: Maravilha de Cenário X Sublime Melodia
por Luzinete Lima em 07/03/2004 às 15h27 #
Parabéns Roberto,

Vejo que o Samba vem brigando cada vez mais pelo seu espaço e trava uma briga pelos volumosos contratos milionários, como você mesmo sita.

O Resgate para que possamos voltar a ter o verdadeiro sentido do carnaval, está cada vez mais difícil, sem falar que o samba tem data certa de acontecer, somente no período do carnaval até 4ª feira de cinzas.

Sou uma Portelense "APAIXONADA" pela minha "Comunidade", amo e respeito a minha quadra, mas venho participando de alguns seminários de Samba, e muito me intristesse quando grandes nomes da nossa Música Popular Brasileira, se rendem dizendo que o Samba está sofrendo de uma invasão na musicalidade e que o Rio está cedendo a esta invasão muito mais do que São Paulo.

Apesar d a frase : " São Paulo é o Túmulo do Samba" - Vinícius de Moraes, já se observa mudanças gloriosas muito mais do que no Rio, a participação de Sampa por nossa musicalidade está acendendo jovens nas música e a participação da Midia ( Rádio ) muito tem a ver com essa evolução.

Roberto, sou estudante de Comunicação Social, 8º período e gostaria muito da sua ajuda pois o tema escolhido para a minha monografia tem relação com o tema atual: O surgimento do Samba, as Estrelas que surgem deste movimento e como a Midia vem propaganda essas estrelas, Rio e São Paulo - O Samba sem fronteiras e mais...

Se houver oportunidade me escreva para que eu possa saber a sua disponibilidade para estarmos trocando algumas informações, obviamente tenho muito mais a ouvir do que falar.

Com todo o meu respeito, você simplesmente é brilhante em tudo que foi escrito nesta matéria.

Um forte abraço,

Luzinete Lima
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Re: Maravilha de Cenário X Sublime Melodia
por Thiago em 07/03/2004 às 20h54 #
Os compositores estão desprezados, ninguém liga mais para o samba de qualidade, a raiz que vem do povo. Estão pensando até em colocar projetos sociais como quesito. Isto é um absurdo. Tá certo que projetos sociais são muito bons, mais estamos falando de escolas de samba e não de casas de caridade. Valorizem os compositores!!!! Valorizem o samba!!! Valorizem nossa cultura!!!! Valorizem essa terra!!! Vaolirzem o Brasil!!!!
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Re: Maravilha de Cenário X Sublime Melodia
por Paulo R. Saturnino Figueiredo em 08/03/2004 às 12h23 #
Aqui de Beagá, como faço há décadas, me preparei para assistir na telinha os desfiles principáis do carnaval carioca. Aos 55 anos, não posso culpar só a idade pelos cochilos, até pelo sono solto, que andam fazendo do desfile uma colcha de retalhos em minha memória. A vibração emocionada de outros tempos foi se tornando contemplação rotineira. Amo o samba, admiro as escolas (agora, tamém, algumas paulistanas), mas o tesão antigo foi se esvaecendo. O que seria? Será que a enxurrada horrorosa de pagodes de segunda estaria matando o amor pelo samba. O artigo do Roberto Moura me emprestou uma lanterna potente para iniciar a investigação nos cantos mais escuros de meu desgosto.
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Re: Maravilha de Cenário X Sublime Melodia
por José Sergio Rocha em 10/03/2004 às 11h02 #
Mais uma belíssima contribuição do mestre R.M. Moura. Como pensar a escola de samba sem o compositor, sem o espetáculo do passista, enfim, sem o samba? A ópera da rua é bonita, mas lhe falta o ingrediente fundamental. Vejam a Beija-Flor, que apresentou um bonito samba, embora não à altura dos quatro que foram revividos este ano. Como fica em primeiro lugar com problemas em carro alegórico? Não é o carro alegórico, hoje em dia, um dos principais elementos da festa? Coisa de maluco, não é? Eu também me iludi com a determinação da Liesa, até pensei que este ano significasse um momento de reflexão, que em 2005 teríamos Monarco fazendo o samba da Portela que ele enaltece 365 dias por ano, que teríamos Nei Lopes compondo o samba do Salgueiro, Zé Luiz fazendo o do Império, Luiz Grande o da Imperatriz e por aí vai. Como diziam os antigos, qual nada! Tirem cópias dessa pensata e deixem com o apontador do jogo do bicho pra que ele entregue ao patrão!
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Re: Maravilha de Cenário X Sublime Melodia
por kelly simone em 12/03/2004 às 17h56 #
Simplesmente magnífico este texto do Roberto. Como outras pessoas, amantes do carnaval para brasileiro participar e, não, para inglês assistir, acompanhei, com pesar, a baixa adesão à proposta da LIESA, das escolas reverem seu próprio acervo ou de alguma congênere, trazendo enredos já apresentados, porém, com nova leitura. Amigos, em 1982,a Império (Tabajara do Samba)Serrano já denunciava as Super Escolas de Samba S.A (infelizmente não sei quem compôs o samba daquele ano), e olha que as baterias ainda conservavam a cadência e o morador da comunidade, bem como os compositores, tinham mais valor enquanto componentes. A cada ano que passa, observamos o carnaval, dentro da sua essência, escoando das mãos do povo que o criou, preços exorbitantes de fantasias, que não permitem ao assalariado/sambista prestigiar sua agremiação.
Alegorias e adereços que “escondem gente bamba ”, baterias que não permitem ,nem ao(a) mais astuto(a) passista riscar o mapa do Brasil dizendo no pé . Aliás, ala de passista, quem viu? a Globo não mostra, não gosta, tem por demais a cara do povo para ser exibida, como bateria não tem jeito...
Cantar o samba? Melodias sublimes: Áureos tempos . Tomemos cuidado com a queda da bastilha, pois, quando não houver mais degraus, veremos o nosso carnaval ser vítima do próprio crescimento por ele imprimido.
Chamem de pensamento retrógrado, caso queiram, mas, o que o povo alegre e sofrido deste país busca encontrar no carnaval via desfile das escolas não encontra mais: Seu bolso não lhe permite participar.
Um gari que sempre fez a alegria, é um exemplo de um artista do carnaval que não tem condições de participar do mesmo (consideremos aqui que ele gostaria de desfilar em alguma escola, é claro)...mas como cidadão /folião ele até que deu sorte com a Globo.
Ai! Que saudades da Rede Manchete (desculpe a propaganda), onde aprendi os nomes de compositores, fundadores e, os apresentadores se preocupavam em nos apresentar o enredo e as escolas em seu âmago, nos familiarizar com o universo que estava entrando em nossos lares através da televisão. Cadê o povo das escolas? Devem estar no grupo B,C,D...desfilando ao som de baterias cadenciadas (espero que ainda existam!), alas de compositores ( com seu valor respeitado!), baianas felizes e leves, soltas lindas, majestosas.
Valha-me Deus! o que estão fazendo com a cultura carnavalesca? Com o samba? Quando o nosso povo acordará e virá de encontro aos reais valores da festa de momo e de todos, que se perderam de 1984 ( Não por acaso inauguração do sambródomo) para cá?
Infelizmente, o grande Sambródomo tornou-se o coliseu do samba ,que a cada ano enterra uma tradição, quando se rende à grandiosidade de manter-se o maior espetáculo da terra. Felizmente, Atitudes como estas, das quatro escolas, nos remetem à reflexão:
Por quê tudo tão grandioso? Carros, alegorias etc. Tudo que eu mais queria era estar na Império, cantando este samba (que na minha infância achava que era do Martinho ), mas não moro no Rio, nem tudo é como gostaríamos que fosse, mas o futuro a Deus pertence. A Império pode não ter levado o título mas, deu um prazer enorme àqueles que gostariam de ver as coisas não tão luxuriantes. Desculpem se o comentário virou um desabafo.

Kelly Simone em 12/03/2004 Sexta-Feira 17:50 hrs.

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Re: Maravilha de Cenário X Sublime Melodia
por Simão Cukier em 26/04/2004 às 11h56 #
Roberto:

Após tantos anos sem que nos contatemos tive a oportunidade de ler seu artigo. Como sempre e desde sempre, voce consegue transpor para o papel o sentimento que brota dentro de voce. Parabens pelo artigo! Independentemente de qualquer coisa gostaria que voce entrasse em contato comigo para conversarmos sobre nosso tempo de AJIL, nossa adolescencia e nossa vida após nos perdermos nesse mundo. Meu telefone é (11) 8152.6575 e meu e-mail é cukier.simao@uol.com.br.
E a familia como vai?
Um forte abraço

Simão
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Re: Maravilha de Cenário X Sublime Melodia
por Hélio Ricardo em 19/10/2004 às 18h00 #
Nobre professor, fui seu aluno na FACHA, e cheguei à conclusão de que faço parte do que se convém chamar "purista". Não sei ao certo se a alcunha é boa ou ruim, mas me considero agraciado por ela, num momento em que o verdadeiro samba se impõe e não se "curva às circunstâncias impostas pelo dinheiro", como cantou Beth carvalho em "Visual". Nasci em 1969, não vi com meus próprios olhos um carnaval antigo, autêntico, verdadeiro. Quando tomei consciência dos desfiles, já estava na "era Joãosinho Trinta" (sou do tempo em que o Joaosinho era escrito com Z). Mas tive o prazer de ver uma Portela e um Império em 2004 que me deram a plena certeza do que é samba de verdade, escola de samba de verdade, desfile de verdade, força e história contagiando a avenida. Hoje os critérios são outros... a " escola da moda" é a Grande Rio, com seus artistas da Globo... bateria "boa' é a que faz três mil paradinhas (uma pálida caricatura do Mestre André, que os jurados a-do-ram!), comissão de frente boa é do Carlinhos de Jesus (coreografia e efeito especial cuspindo na tradição e no propósito primordial que é apresentar a escola)... enfim, virou galhofa, esculhambação. basta ver um desfile perfeito, encantador, de protesto, como foi o da São Clemente... e os jurados preferiram a "Xuxa de Pilares"!
O único alento deste carnaval foi o brilho reconhecido da Unidos da Tijuca. Pois, quanto à vitória da Beija-Flôr, nem o fato de ter o melhor samba inédito do ano - e certamente o melhor de sua história (que não é lá muito pródiga nesse quesito, apesar das notas dez que vem colecionando estranhamente dos jurados ano após ano) - a fez mais agraciada e aplaudida na avenida do que as escolas de Madureira.
Por isso eu digo: prefiro ser "purista" e acreditar em samba verdadeiro do que me confundir com essa meia dúzia de incautos, que pouco conhecem das tradições e da história das escolas de samba, e pousam de jurados com cursos-relâmpago sobre coisas que eles jamais entenderam na vida!
Grande abraço!
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