Ao meu querido compositor e artista plástico Nelson Sargento (e parceiro do meu saudoso irmão Marinho da Chuva).
Recentemente, fui abordado por um ex-aluno da pós-graduação do PENESB (Programa de Educação sobre o Negro na Sociedade Brasileira/Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense)do qual sou professor de literatura (abordo a produção textual dos sambas-enredo), sobre a questão que Nelson Sragento levanta do ocorre com os sambas-enredo perdedores dos concursos das escolas de samba do grupo de acesso "para onde vão estas criações litero-musicais, para onde?"
Como Sargento tem conhecimento, há sambas-enredo que são "cortados" durante o concurso mas que são mantidos vivos na memória da comunidade. Eu mesmo que pertenci ao Bloco Foliões de Botafogo, lembro-me bem de duas versões de sambas-enredo perdedores e que são cantados facilemnte por qualquer de um dos componentes daquela época (ano de 1971). Isto ocorre em qualquer reduto do mundo do samba.
Entretanto, como nos esclarece Maria Júlia Goldwasser, no seu livro "O palácio do samba"(1975), que para manter o mecanismo de coesão e integração da escola de samba, ocorre com maioria dos sambas-enredo perdedores um penoso silêncio. Goldwasser diz que eles entram no "cemtério dos sambas mortos" e que não podem mais ser tocados publicamente.
Por este motivo, também concordo com Nelson Sargento quando afirma "Que desperdício! É um despautério" o enterro da maior produção textual literária dos negros no Brasil.
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