Enfim um artigo do mestre, pessoas com a sua experiência deviam escrever mais. Sou Bernardo Alves, autor de A Pré-História do Samba e grande admirador do mestre Nelson e toda velha guarda. A razão de escrever-lhe é para oferecer-lhe mais subsídios e não para corrigir ou criticar como possa parecer, o respeito que lhe tenho não permitiria.
O coco, está bem vivo aqui entre nós do Nordeste. Selma do Coco o canta com uma forte influência de Toré. A ciranda por sua vez está bem, inclusive a nossa Lia continua lançando Cds e apareceu um grupo novo de excelente qualidade chamado Ciranda Maria Farinha onde se destaca a voz da cantora Leda Dias, de raríssima beleza. A embolada anda um pouco em segundo plano. Nós estamos lançando um livro sobre Manezinho Araújo o rei do gênero. O baião na verdade não foi sufocado pelo forró, o forró gênero musical não sufoca, o que faz isso, é o termo generalizante forró, isto é, quando se classifica como forró qualquer porcaria.
A criatividade é a nossa maior qualidade, daí nossa diversidade. nossa grande variedade de gêneros musicais, nossa riqueza cultural. Porém quando as alterações são feitas pelo homem do povo e esse povo legitima aceitando tal mudança, chama-se colaboração. Quando o intelectual faz mudanças, ou algum órgão oficial impõe mudanças nas coisas do povo aí é deturpação. O laboratório pode ser feito, mas, o seu resultado não deve ser imposto. Muito disso aconteceu ao samba.
Amigo, permita que assim lhe chame, e que lhe faça uma sugestão; escreva um novo artigo fazendo menção ao aceleramento do andamento do samba-enredo, e diga se houve boicote a certos assuntos explorados pelos primeiros sambas enredo como aquele focalizado por “A VIDA DO SAMBA” de Alvaiade e Chatim que começava assim : “Samba foi uma festa dos índios / Nós o aperfeiçoamos mais”.
Bernardo Alves.
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