Agenda do Samba & Choro

Pra onde vão os sambas-enredo

Google
Web samba-choro.com.br
 Página principal » Artigos e Debates » Pra onde vão os sambas-enredo

Receba grátis nosso informativo:


35994 assinantes
Exemplo | Cancelar | Trocar email Notícias enviadas às terças e sextas.



Assine em um leitor de notícias RSS


Se você gosta de nosso trabalho, nos apóie se tornando um Amigo do Samba-Choro.

Pra onde vão os sambas-enredo
Publicado por Nelson Sargento em 30/10/2003 às 18h08
»Versão para impressão
Mestre Nelson Sargento discute em artigo a transformações dos ritmos nacionais, do Carnaval e pergunta: pra onde vão os sambas-enredo?

Na música popular brasileira, tem vários ritmos: jongo, caxambu, côco, embolada, calango, baião, samba de roda, lundum, ciranda, choro, samba, e talvez outros tantos perdidos no agreste desse imenso Brasil.

Mas a criatividade musical vai modificando alguns ritmos, exemplo; o vitorioso baião, foi sufocado pelo forró. No côco, temos a valente Selma do Côco, lutando para mante-lo vivo. O jongo tem o pessoal da Serrinha, lutando para que não seja extinto e preservar a memória do bravo e saudoso Darci do Jongo, que lutou muito pelo gênero.

Caxambu, lundum, calango, embolada, ciranda, não se ouve mais, e talvez poucas pessoas se lembrem desses ritmos.

O choro, música tradicional instrumental, ganhou letra, muitos choros famosos sofreram esta invasão. Houve um período em que se compôs vários sambas-choro, eram letras que recebiam melodia com ritmo de choro, eram cantadas e não tinha execução instrumental.

Ao samba foram acoplando as seguintes preciosidades: samba (pagode, rock, reggae, pop, hip hop, rap, enredo).

No momento atual o samba é tratado nas escolas de samba como peça importante com o pomposo nome de Samba-Enredo.

Vivemos em um país de plena democracia, quando as escolas de samba abriram as portas, para qualquer cidadão compor samba-enredo, mesmo sem pertencer a escola, esta praticando um ato democrático, o que aconteceu com esta atitude? Pessoas que jamais rimaram, água com mágoa, começaram a compor samba-enredo. É claro que aparecem sambas bons de um qualquer ilustre desconhecido, que depois não se houve mais falar no cidadão.

Acontece que por causa desta abertura nas escolas, estão se perdendo anualmente centenas e centenas de sambas-enredo, por exemplo, no grupo especial são quatorze escolas, vamos calcular que uma pela outra de trinta sambas por escola, dá um total de quatrocentos e noventa sambas, porém só quatorze serão utilizados durante o desfile, sobrando quatrocentos e setenta e seis sambas-enredo. Para onde vão estas criações litero-musicais, para onde? Sem contar que nos grupos de acesso um, dois e três, onde vários sambas são apresentados para ser escolhido um por escola, devem sobrar mais de mil sambas ou mais. Que desperdício! É um despautério.

Miami quer gerir os direitos autorais brasileiros | O Carpinteiro Paulinho da Viola e o Preto Velho da Esmeralda  >

 

Comente esse artigo

Letras miúdas: Os direitos e responsabilidade dos comentários a seguir são de quem os postou.

Patamar de qualidade dos comentários:  Salvar
Re: Pra onde vão os sambas-enredo
por Bernardo Alves em 13/12/2003 às 12h06 #
Enfim um artigo do mestre, pessoas com a sua experiência deviam escrever mais. Sou Bernardo Alves, autor de A Pré-História do Samba e grande admirador do mestre Nelson e toda velha guarda. A razão de escrever-lhe é para oferecer-lhe mais subsídios e não para corrigir ou criticar como possa parecer, o respeito que lhe tenho não permitiria.
O coco, está bem vivo aqui entre nós do Nordeste. Selma do Coco o canta com uma forte influência de Toré. A ciranda por sua vez está bem, inclusive a nossa Lia continua lançando Cds e apareceu um grupo novo de excelente qualidade chamado Ciranda Maria Farinha onde se destaca a voz da cantora Leda Dias, de raríssima beleza. A embolada anda um pouco em segundo plano. Nós estamos lançando um livro sobre Manezinho Araújo o rei do gênero. O baião na verdade não foi sufocado pelo forró, o forró gênero musical não sufoca, o que faz isso, é o termo generalizante forró, isto é, quando se classifica como forró qualquer porcaria.
A criatividade é a nossa maior qualidade, daí nossa diversidade. nossa grande variedade de gêneros musicais, nossa riqueza cultural. Porém quando as alterações são feitas pelo homem do povo e esse povo legitima aceitando tal mudança, chama-se colaboração. Quando o intelectual faz mudanças, ou algum órgão oficial impõe mudanças nas coisas do povo aí é deturpação. O laboratório pode ser feito, mas, o seu resultado não deve ser imposto. Muito disso aconteceu ao samba.
Amigo, permita que assim lhe chame, e que lhe faça uma sugestão; escreva um novo artigo fazendo menção ao aceleramento do andamento do samba-enredo, e diga se houve boicote a certos assuntos explorados pelos primeiros sambas enredo como aquele focalizado por “A VIDA DO SAMBA” de Alvaiade e Chatim que começava assim : “Samba foi uma festa dos índios / Nós o aperfeiçoamos mais”.
Bernardo Alves.

[Responda este comentário]

  • Re: Pra onde vão os sambas-enredo
    por Marcelo Jorge Dias da Silva em 12/03/2007 às 11h44 #
    Bernardo, gostaria de saber mais sobre o seu livro. Sou compositor de Samba-enredo e pretendo me aprimorar tanto na história como também na técnica.
    Marcelo
    (advmjds@uol.com.br)
    [Responda este comentário]

samba enredo
por Jéssica em 08/02/2004 às 13h15 #
Rosy veja isso
[Responda este comentário]

Re: Pra onde vão os sambas-enredo
por Ana Paula Rodrigues em 11/11/2005 às 17h04 #
Concordo plenamente com a colocaçÃO De SUA opinião, este ano na Portela aconteceu UM CONCURSO DE SAMBA DE TERREIRO E NÀO OCORREU NENHUMA DIVULGAÇÃO NEM TAMPOUCO PREMIAÇÃO OU GRAVAÇÃO DE NENHUMA DAS COMPOSIÇÕES.
ISTO SIGNIFICA QUE VÀRIOS SAMBAS DE TERREIRO PODERIAM E DEVERIAM SER DIVULGADOS , MAS NÃO INTERESSA FINANCEIRAMENTE A INDÚSTRIA FONOGRÁFICA DEVIDO AO PÚBLICO RESTRIDO Q/ APRECIA ESTE TIPO DE ARTE.
SEM CONTAR QUE POR TRÁS DA ESCOLHA DE UM SAMBA ENREDO NEM SEMPRE GANHA O Q/ TEM MELHOR LETRA E RITMO,ETC.. GANHA O QUE FORNECER MAIORES QUANTIDADES DE DINHEIRO PARA A ESCOLA .ENFIM, SAMBA É UM GRANDE COMÉRCIO ...
[Responda este comentário]

Re: Pra onde vão os sambas-enredo
por Murilo da Costa Ferreira em 05/01/2006 às 01h59 #
Ao meu querido compositor e artista plástico Nelson Sargento (e parceiro do meu saudoso irmão Marinho da Chuva).
Recentemente, fui abordado por um ex-aluno da pós-graduação do PENESB (Programa de Educação sobre o Negro na Sociedade Brasileira/Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense)do qual sou professor de literatura (abordo a produção textual dos sambas-enredo), sobre a questão que Nelson Sragento levanta do ocorre com os sambas-enredo perdedores dos concursos das escolas de samba do grupo de acesso "para onde vão estas criações litero-musicais, para onde?"
Como Sargento tem conhecimento, há sambas-enredo que são "cortados" durante o concurso mas que são mantidos vivos na memória da comunidade. Eu mesmo que pertenci ao Bloco Foliões de Botafogo, lembro-me bem de duas versões de sambas-enredo perdedores e que são cantados facilemnte por qualquer de um dos componentes daquela época (ano de 1971). Isto ocorre em qualquer reduto do mundo do samba.
Entretanto, como nos esclarece Maria Júlia Goldwasser, no seu livro "O palácio do samba"(1975), que para manter o mecanismo de coesão e integração da escola de samba, ocorre com maioria dos sambas-enredo perdedores um penoso silêncio. Goldwasser diz que eles entram no "cemtério dos sambas mortos" e que não podem mais ser tocados publicamente.
Por este motivo, também concordo com Nelson Sargento quando afirma "Que desperdício! É um despautério" o enterro da maior produção textual literária dos negros no Brasil.
[Responda este comentário]

Re: Pra onde vão os sambas-enredo
por carlos eduardo pereira em 04/08/2007 às 12h26 #
Pois é, sem falar de novos rítimos que tbm influênciam com o famigerado 'axé'. Eu tbm sempre me perguntei pra onde iriam os sambas-enredo não classificados para o desfile, não todos, mas aqueles que ficam entre o 2º até mais ou menos o 6º colocado, com certeza são lindos, é um desperdício que eu não sei aonde esses sambas vão parar. Já conheci sambas que ficaram em segundo lugar lindíssimos, até melhor do que o campeão. Sou sobrinho dá Eneida de MOraes, criadora do baile do 'Pierrot' e quem escreveu 'a história do carnaval carioca'. Até a próxima. Um abraço. PS: quero num futuro próximo estar colaborando com a página.
[Responda este comentário]

Comente esse texto
(É preciso um rápido cadastro para participar)

Letras miúdas: Os direitos e responsabilidade dos comentários acima são de quem os postou.

Se você quiser escrever (ou moderar), clique aqui para se identificar.


Notícias | Casas com música | Artistas | Tribuna Livre | Artigos e debates | Fotos | Partituras | Compras | Amigos do Samba-Choro | Busca

Receba notícias sobre samba e choro por email:

Contato | Privacidade | Sobre este sítio
©Copyright 1996-2017
Samba & Choro Serviços Interativos LTDA
(Todos os direitos reservados).