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Re: Projeto de lei anti-jabá

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Re: Projeto de lei anti-jabá
por paulo albuquerque Escreva para Paulo Eduardo Neves em 26/05/2003 às 23h04 #
A criminalização do jabá já é um primeiro passo para se acabar com essa prática. O argumento de que isso não vai acabar com o jabá não justifica a inexistência de uma punição para esse crime. Lembro de uma reunião que tivemos - na época da Sombrás - numa sociedade arrecadadora de direitos autorais quando a Sombrás, representada por Mauricio Tapajós, Herminio Bello de Carvalho, Aldir Blanc, Vitor Martins entre outros, propôs a numeração dos discos e ouviu de uma "autoridade" que isso não iria impedir que surgissem discos com numerações idênticas espalhados pelo país. Quer dizer: vai ser difícil aplicar a lei, então é melhor que ela não exista. Isso é uma besteira. O jabá é a maior praga da musica brasileira. Posso dizer que, como produtor de quatro dos cinco discos do artista Guinga, jamais ouvi em radios Fm do Rio uma única execução de qualquer faixa desses discos. Será que nenhuma música dos discos de Guinga se encaixaria numa razoável programação de radio FM do Rio de Janeiro ? Aliás, tambem não tocou nenhuma faixa do outro disco do Guinga produzido por meu amigo Zé Nogueira. Tenho agora um selo independente e distribuimos nossos discos às rádios. Ora, é o mesmo que jogar o disco no lixo. Se uma lei vai resolver esse problema ou não, não interessa. Mas já é um começo. Por que discos de qualidade têm que ser divulgados de uma forma quase clandestina, sem nenhuma execução em rádios e tevês ? Não posso acreditar que os programadores de rádio tenham tão mau gosto ou precisem repetir à exaustão uma programação tão pouco criativa. A única explicação para isso é a nefasta existência do jabá.
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  • Re: Projeto de lei anti-jabá
    por Paulo Eduardo Neves em 27/05/2003 às 00h44 #
    O tocador de CDs de meu carro quebrou, consequentemente tenho tido que ouvir rádio no Rio de Janeiro. Que sofrimento! Fiquei impressionado como as rádios tocam música antiga. A música antiga é resultado direto do jabá, pois quem não paga, não toca. É preciso encher o tempo da rádio com músicas "de catálogo", já que uma música nova não pode tocar sem ter ninguém pagando. O jabá funciona como uma reserva de mercado das grandes gravadoras, que são as únicas que têm dinheiro para bancá-lo.

    Quem ouve rádio, diz que a música brasileira está em crise, eu que acompanho os lançamentos e gravações, afirmo o contrário: nunca se gravou tanto e tão boa música brasileira. Só que ninguém tem como descobrir isto.
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