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O violão de sete cordas

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O violão de sete cordas
Publicado por Luís Filipe de Lima em 19/05/2003 às 01h14
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Breve histórico do violão de sete cordas brasileiro.

O violão de sete cordas é instrumento genuinamente brasileiro – talvez não em suas origens, mas com certeza em seu uso, técnica e linguagem. Seu aparecimento no Rio de Janeiro, no início do século XX, ainda guarda alguns mistérios. As pistas mais consistentes apontam para um grupo de ciganos que viviam no bairro do Catumbi, e que usavam em sua música um violão de sete cordas com uma afinação diferente da ocidental, amplamente difundido na Rússia desde fins do século XVIII. De acordo com depoimentos de gente como Pixinguinha e João da Baiana, estes ciganos mantinham contato com a chamada Pequena África, comunidade de negros nordestinos então fixados em torno da Praça Onze, onde se definiu o samba urbano carioca. Foi talvez ali, por meio dos ciganos, que China (irmão mais velho de Pixinguinha, também integrante dos Oito Batutas) e Tute, os primeiros expoentes do sete-cordas, teriam tomado contato com o instrumento, ambientando-o nos repertórios de choro e, mais tarde, samba. De qualquer modo, a suposta origem russa do sete-cordas brasileiro ainda está para ser documentada com o rigor dos historiadores.

Ainda em fins do século XIX, o contracanto improvisado nas notas graves do violão – as “baixarias” – imitava o dos instrumentos de sopro como o bombardino, o oficleide e a tuba. Com o tempo, as baixarias foram ganhando estilo próprio e orgânico, integrado à sonoridade e à técnica do violão. Daí, como se imagina, o feliz encontro com o violão dos ciganos, cuja sétima corda (um bordão mais grave afinado em dó) ampliava as possibilidades do instrumento na função de baixo cantante.

Mas o violão de sete demoraria a ser popularizado e difundido pelos conjuntos regionais, formações dedicadas ao choro e ao samba. Isto só aconteceria na década de 1950, com o músico que se tornou o maior porta-voz do instrumento e influenciou todas as gerações posteriores de sete-cordas: Horondino José da Silva, o Dino 7 Cordas. Músico atuante desde 1935, quando se tornou um dos violonistas do regional de Benedito Lacerda (o mais destacado em seu tempo), Dino encomendou um sete-cordas à oficina Do Souto em novembro de 1952, passando a utilizá-lo regularmente a partir do ano seguinte. Dino foi o responsável por desenvolver a linguagem do instrumento, valendo-se de novos padrões rítmicos e melódicos, mais elaborados, para a construção das baixarias.

A partir do desempenho brilhante de Dino, exibido em centenas de programas de rádio, shows e gravações, o sete-cordas foi ganhando adeptos por todo o país, incorporando-se definitivamente aos regionais de choro, aos conjuntos de samba e, já nos anos 70, ao desfile das escolas de samba, somando-se ao cavaquinho para acompanhar os intérpretes de samba-enredo. O instrumento passou a contar com outros grandes representantes, como o genial Rafael Rabello. E hoje, em mais uma fase de reflorescimento do choro, o sete-cordas tornou-se um dos instrumentos mais procurados pelos jovens músicos, ostentando expressivas revelações.

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Re: O violão de sete cordas
por Fernando Toledo em 27/05/2003 às 11h22 #
Grande Fifi!
Gostei muito de seu artigo, mas, infelizmente, ele é curtinho. Um aspecto que eu gostaria de conhecer mais a fundo (e ninguém mais indicado para fazê-lo, amado mestre:-)), é: teria o sete cordas influenciado a própria estrutura do samba? Digo em termos de estrutura de composição mesmo, em alguém passar a pensar na música como a ser feita para agregar elementos só presentes no sete cordas.
Pode parecer meio devaneante, mas pense em como Corelli, o homem que deu forma às cordas da orquestra como a conhecemo e o primeiro compositor a escrever para violino. A partir de Corelli, a Música erudita se modificou, a fim de agregar (infelizmente aqui não tem itálico) essa nova linguagem, esses novos elementos (você consegue imaginar Vivaldi sem cordas? E os concertos de Brandemburgo?). Por que com o samba isso não teria se dado?
Assim como o sete cordas, instrumento que, ao que eu saiba, só possui relevância, em termos de execução, no samba e no choro, este dois últimos são exceções, formas musicais que só ocorrem cá por essas plagas. Teria a linguagem do instrumento influenciado na feitura de composições dos gêneros citados?
Penso que isto seria assunto para algumas ginjinhas no Capela e muitas pesquisas de ordem etílico-epistemológica...
Um forte abraço de seu amigo,
Fernando Toledo
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Re: O violão de sete cordas
por MÁRIO EUGÊNIO em 02/02/2004 às 01h23 #
Grande Luiz Felipe!!!
Primeiramente sou seu fã!

O seu trabalho é digno de um grande premio!
O Violão de Sete Cordas, ja virou uma religião!Fico imaginando como ele vai estar no cenário musical mudial daqui à 50 anos...Viagem minha!!rs...Acho que vai existir escolas especializadas de violão de sete cordas no mundo etc...
Tendo em vista a velocidade da evolução desse instrumento...
Por que será que os jovens estão se interessando tanto pelo violão de sete cordas?Acho que tem uma magia por traz desse instrumento a ser desvendada!ou não!rs...
Bom... Felipe! vc esta sendo um importante divulgador do instrumento e seu trabalho e sua luta vai ser reconhecido, mais cedo ou mais tarde...

um grande abraço do amigo,

MÁRIO EUGÊNIO
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Re: O violão de sete cordas
por Fabio Fernandes Padilha em 29/03/2004 às 19h53 #
O Fernando Toledo perguntou se o 7 cordas teria influenciado a forma
de se fazer samba e choro.
Eu particularmente acredito que o 7 cordas se adaptou perfeitamente ao estilo.
Então mudando um pouco o foco deste questionamento.
Eu pergunto até que ponto
a introdução do contrabaixo no samba e choro afetou
o violão de sete 7 cordas.
E se afetou gostaria de saber se ouve reflexo na estrutura de composição do samba e do choro?
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Re: O violão de sete cordas
por italo rosa em 21/05/2004 às 23h08 #
muito interessante o artigo e as informações, parabéns. Tenho lido sobre instrumentos utilizados na música brasileira, a como viola de 10 cordas (viola caipira) e o seu texto é o primeiro sobre o violão de 7 cordas que leio. se você tiver como elucidar, gostaria de saber algo sobre um instrumento de cordas inventado por jacob do bandolim, e se alguém gravou usando tal instrumento ou compôs especificamente para o mesmo. um abraço
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Re: O violão de sete cordas
por ruper em 24/06/2004 às 17h18 #
eu estou muito perto de ter un violao de sete cordas (primeira coisa, discupa meu portugueis, eu sou argentino amante de tango e samba) minha duvida e, a 7 corda si usa en do mais por que? eu que toque sempre violao de 6, nao seria mais practico uma afinacao en si. ganhando alem de tudo un semitono mais baixo. Pareci muito o que aconteci com o cavaquinho. Eu aprendi a tocar cavaquinho na afinacao tradicional (primeira corda em re) nao tevi problemas na hora de facer batida mais na hora de facer solos ... e ja nao posso voultar pra a outra afinacao, e tarde. Agora que vou comencar com o violao quero ter a certeza do que entou facendo. com seu lado bom. e o seu lado pior. muito brigado.
ruper de Buenos Aires.
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Re: O violão de sete cordas
por Bruno Pinheiro em 04/08/2004 às 14h57 #
Salve Rupert. Pelo que tenho constatado, a afinação da sétima corda em DÓ não é regra de ouro. Acho que era um costume do passado, que vem se modificando com o tempo. Vejo muitos músicos hoje em dia afinando em SI mesmo. Maurício Carrilho, renomado chorão aqui no Brasil, é um que usa a sétima corda em SI.
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Re: Da hora!!!
por tuta em 04/11/2005 às 02h46 #
Adorei essa matéria, pois toco violão de 7 cordas, e é sempre bom saber quem fez história, na mesma área que a gente trabalha.
Abraços... Tuta.
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Re: O violão de sete cordas
por RODRIGO em 08/03/2006 às 16h23 #
Muitíssimo interessante. É bom saber que este instrumento é genuinamente brasileiro. Ensino violão no Seminário Teologico Batista do Norte do Brasil e este assunto será abordado em sala de aula.
Grato.
Prof. Rodrigo Lacerda
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