Dia Nacional do Choro esquecido no Rio de Janeiro |
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Publicado por Sergio Prata
em 29/04/2003 às 01h52
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Em 2003, a cidade do Rio de Janeiro não teve comemoração oficial do Dia Nacional do Choro. Em todo o país aconteceram comemorações, menos na cidade que criou o gênero musical. Por incrível que pareça, o dia foi instituído graças a um projeto de lei do antecessor do atual secretário das culturas desta mesma gestão da prefeitura.
O músico Sérgio Prata, diretor do Instituto Jacob do Bandolim, escreveu este artigo comentando a política cultural da prefeitura carioca. |
O Rio pode se orgulhar de ser uma das poucas cidades no mundo a ter contribuído com três gêneros musicais que alcançaram destaque internacional: o samba, o choro e a bossa nova.
Esses três gêneros musicais sempre estiveram presentes no coração do nosso povo, basta ver a audiência nos eventos realizados com um mínimo de competência, ficam lotados. Isso, apesar da criminosa ação das "multinacionais do disco" que cada vez mais, nos empurram a subcultura musical globalizante e instituem a política do jabá, impedindo a divulgação do que realmente nos interessa.
É bom que se diga, que boa parte dessa resistência cultural deveu-se a existência de projetos desenvolvidos pelo setor público que preservam nosso quinhão cultural da sanha do mercado. O maior exemplo foi o Projeto Pixinguinha, da FUNARTE, que nos anos 80 rodou o país levando a nossa boa música.
Ocorre que essas iniciativas, cada vez mais raras, culminaram agora com o esquecimento oficial pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, da comemoração do Dia Nacional do Choro, que ocorreu no último dia 23.04.
Nenhum evento oficial programado, nenhuma referência ao maior chorão Pixinguinha, que inclusive, faria 106 anos nessa data, nenhuma linha nos "jornalões" da cidade, O GLOBO e JB.
Provavelmente, preocupado em divulgar projetos de impacto (para quem?), tais como o Museu Gugenheirmer e a candidatura às Olimpíadas, o prefeito César Maia e seu Secretário das Culturas (quais?) não quiseram se preocupar com algo que, provavelmente, não lhes diz respeito, a verdadeira cultura popular.
Cuidado, Prefeito, o povo não se esquece.
Sergio Prata
(*) Sergio Prata é musico e diretor do Instituto Jacob do Bandolim
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