Amiga Themis e todos os compositores,
Quem acabou com a Vida Cultural Inteligente foi a Indústria "Cultural" ao longo do Século XX. A concepção de direito autoral implementada como proteção à cópia no campo literário e artístico é novidade, nasceu ao fim do séc XIX, e foi deturpado grosseiramente a favor dos parasitas intermediários ao longo do século passado. Por exemplo, de início o tempo de esgotamento do monopólio exclusivo concedido ao criador (para garantir renumeração e incentivar a novidade) era de 20 anos (ou menos, não estou certo). Hoje esse tempo é de 75 e 95 se o "criador" for uma empresa! Absurdo. Tem um texto interessante sobre a história do "copyright" aqui (embora não concorde com a forma como ele aborda e define a prática do "copyleft"):
http://midiaindependente.org/front.php3?article_id=29908
O que vivemos hoje é um momento de transição, os dinossauros que monopolizaram os meios de comunicação unidirecional de massa do século passado estão em franca extinção, como bem comenta Lawrence Lessig, especialista em Direito e nas questões da liberdade de cópia, nesta entrevista:
http://www.cipsga.org.br/article.php?sid=3291
Temos hoje, com a Internet e o uso disseminado de meios digitais de cópia e transmissão, a possibilidade de instaurar um novo modelo, relação direta Artista-Público, matar enfim o mito do artista romântico gênio criador e os intermediários desnecessários.
Enfim, um novo Renascimento. E nisso, o samba e o choro brasileiros, preservados em uma ecologia à parte e em relações sociais tão naturais e belas (quem já esteve numa roda de choro legítima sabe do que estou falando), sem dúvida terão papel crucial como fonte de inovação para o mundo.
Essa é a luz no fim do túnel que vejo :-)
Abraços,
Luis Alberto.