Antes de qualquer comentário, tenho de me identificar: sou uma simples e pura CONSUMIDORA. Sim, uma consumidora... mas nem por isso me reservarei o direito de me parcializar na avaliação deste tema.
Achei muito interessante, e até muito bem argumentada, a idéia de que estaríamos sendo tolhidos em nosso desenvolvimento cultural com a criação e comercialização destes "Cds anticópias". Realmente, há coerência. Acredito mesmo que, talvez, a “sobrevivência” de certas obras será mais curta e que muitos destes Cds ficarão apenas “para a memória.” Mas existe uma questão que não foi mencionada, e que, penso, é muito, muito importante. Quanto realmente isto estará prejudicando o consumidor? E quanto estará beneficiando os músicos (compositores e intérpretes) atuais?
Deixemos de pensar um pouco no dinheiro que vamos economizar ao copiar os Cds que compramos, ao invés de comprar mais de um deles (pois esta é uma alternativa para quem quer tê-los por mais tempo). Voltemos os olhos para o aspecto puramente CULTURAL. É sabido e muito falado que existe uma onda muito forte de pirataria atualmente. Caminho no centro de minha cidade e nem sequer preciso entrar em uma loja para comprar um Cd de 15 reais. Compro no camelô por R$3,00. Por que eu seria tão boba de não fazê-lo? Todos fazem... Se não encontrar ali, volto para casa e procuro na internet. Ah.. coisa boa... nunca um “Tom Jobim” foi tão barato para mim...!
Sim, um Tom Jobim, um Vinícius de Moraes, um Baden Powell... a elite da MPB pode ser muitíssimo divulgada por esse meio. Mas... que estranho! Esta elite toda já faleceu! Se não faleceu ainda... está em extinção. E há um motivo para isso. Ora, um músico realmente bom precisa investir em sua carreira. Não se faz bons trabalhos sem muito de esforço, sem muito de dedicação. Isso requer tempo e dinheiro. Hoje em dia, porém, é impossível fazer isso. Um músico não consegue se sustentar, ou ter um razoável nível de vida, com a sua profissão. Ninguém mais compra os Cds originais. Desta forma, a qualidade vai baixando, e o que nos resta (à sociedade como um todo) é ficar dançando a “dança do bumbum”, provinda daqueles músicos que já não tinham mais nada para fazer. Me sinto, desta forma, tolhida no meu direito de consumidora. Quero comprar algo que me vendam como MPB e que realmente SEJA MPB. Nos tornamos cada vez mais vítimas de uma já consagrada “propaganda enganosa”, que rouba o nosso dinheiro e que nos faz regredir culturalmente.
Quanto aos músico que se utilizam destes Cds “anticópias”, não notam eles que o “tiro pode sair pela culatra”. Sim, porque aí é que se irá realmente avaliar o que é e o que não é bom, de qualidade. O que entrará para a “eternidade” e o que será extirpado de vez. Haverá uma seleção cultural, e a “dança do bubum” logo logo sairá correndo e não manchará mais a nossa tradição musical.
Prefiro investir meu dinheiro em vários Cds originais, desde que não seja acometida por essa devastadora “propaganda enganosa” que já fora aceita pela sociedade passiva.
Logicamente que se isto vier a ser padronizado, não mais haverá problemas de incompatibilidade de discos e aparelhos de Cds.
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