Muito interessante o texto, Paulo. Mas me parece que a preocupação comercial é tão preponderante nessas tecnologias anti-cópias que essa história de preservar para o futuro não me parece ser um argumento que vá “colar”. Basta ver como todos, absolutamente todos, os projetos de recuperação de matrizes antigas de 78 rpm no Brasil partem de colecionadores que conseguem a duras penas as cópias, jamais das gravadoras que deveriam ser guardiãs de seus acervos. Elas parecem pensar: preserve quem quiser e puder, a gente defende o nosso aqui e agora.
Acho que vamos assistir a um corre-corre, talvez nem tanto das tecnologias anti-cópias, mas sim da rápida superação das tecnologias de reprodução. Um pouco como os programas de computador novos exigem cada vez mais, para serem rodados, o último Windows lançado. Quando saiu o CD ele era a tecnologia “definitiva” de reprodução; agora já ouço falar de outras muito melhores, prometendo nos fazer jogar no lixo todo o acervo que juntamos nos últimos anos. Não tenha dúvida: quando tiverem raspado o tacho de todos os arquivos e esgotado os relançamentos possíveis, e quando o último cocozim do ritchiparêidi não colar mais, é para aí que as gravadoras vão partir.
Então, realmente não posso confiar no espírito de preservação cultural dessa gente. Mas de tudo que é dito, me parece que há um ponto a ser considerado por nós que gostamos de música: a pirataria realmente pode destruir as formas tradicionais de produção e distribuição de música. E aí, quem apoia o trabalho dos artistas vai ter que aceitar ou sugerir formas de proteção ao trabalho deles. Ainda não sei quais seriam. E nem como poderíamos tirar das gravadoras a liderança das iniciativas nesse sentido. Mas topo discutir com quem se interessar.
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