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Tio Samba
R$ 18.00
Ano: 2003
Selo: Ethos Brasil
Peso: 115g

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Repertório
1. Escurinho (Geraldo Pereira)
2. Quero ver (Edson Soliva e Delcio Carvalho)
3. Juracy (Antonio Almeida e Cyro de Souza)
4. Filosofia (Noel Rosa e André Filho)
5. Nega maluca (Fernando Lobo e Ewaldo Ruy)
6. Amigo urso (Henrique Gonçales)
7. Eu queria um retratinho de você (Noel Rosa e Lamrtine Babo)
8. Pois é (Ataulfo Alves)
9. Você está sumindo (Geraldo Pereira e Jorge de Castro)
10. Mãe solteira (Wilson Batista e Jorge de Castro)
11. Choro de Betinho (Carlos Almada)
12. Um gago apaixonado (Noel Rosa)
13. Tive sim (Cartola)
14. Beija-me (Roberto Martins e Mario Rossi)
15. Tarzan, o filho do alfaiate (Noel Rosa e Vadico)
16. Antonico (Ismael Silva)
17. Que bate fundo é esse? (Bide e Marçal)
18. Ninguém vai mandar no meu nariz (Carlos Mauro)
19. Feitio de oração (Noel Rosa e Vadico)
20. Apoteose ao samba (Silas de Oliveira e Mano Décio da Viola)



"QUERO VER", O PRIMEIRO CD DO TIO SAMBA REÚNE VINTE COMPOSIÇÕES: TRÊS INÉDITAS E 17 CLÁSSICOS DO SAMBA.

Formado em 1998 em Niterói (RJ), o grupo TIO SAMBA apresenta seu primeiro trabalho em CD,"Quero ver", lançado pela gravadora Ethos Brasil. O disco mostra um repertório que inclui sambas de autores como Noel Rosa, Ismael Silva, Ataulfo Alves, Geraldo Pereira, Wilson Batista e Cartola, vestidos com arranjos inéditos para a formação peculiar do grupo, que reúne instrumentos de sopro utilizados nos antigos grupos de choro e maxixe à percussão, violão e cavaquinho típicos do samba.

Além disso, o Tio Samba mostra algumas composições inéditas. O samba "Quero ver", que dá nome ao disco, é parceria do grande Delcio Carvalho com o maestro da Orquestra Art Folia, Edson Soliva. O "Choro de Betinho" é de autoria do flautista e arranjador do Tio Samba, Carlos Almada. E a terceira inédita é "Ninguém vai mandar no meu nariz", samba do cantor Carlos Mauro.

O TIO SAMBA é

CARLOS MAURO – VOZ, GAITA
CARLOS ALMADA – FLAUTA, ARRANJOS
WHATSON CARDOZO – CLARINETA
MARCIO CONTENTE – SAXOFONE TENOR
FABIANO SEGALOTE – TROMBONE
DAVI NASA – TUBA
NEIVALDO DUARTE – CAVAQUINHO
BIA RANGEL – VIOLÃO
EDSON MENEZES – PERCUSSÃO
ALTYR – PERCUSSÃO
MARCONI BRUNO – PERCUSSÃO


Tio Samba: Algo de novo no ar
Fernando Toledo – Revista Música Brasileira

Nos primórdios da gravação fonográfica, devido a limitações técnicas, era impossível se registrar determinadas sonoridades. Um exemplo claro disso é o estilo de voz adotado pelos grandes cantores de então: empostado, repleto de vibratos e dós-de-peito. Em relação aos instrumentos, a ênfase era dada aos de sopro, que possuíam maior alcance sonoro e sustentação. A percussão somente passou a ser registrada a partir de 1934, com a clássica gravação de Na Pavuna, pelo Bando de Tangarás.

Desta forma, os maestros buscavam soluções específicas para os sopros, resultando disto arranjos belíssimos e repletos de sutilezas e complexidades. Com o advento de novas técnicas, instrumentos de corda passaram a constituir a base da harmonia, em parte por causa de sua disseminação por todas as camadas sociais, em parte por sua praticidade e facilidade de manuseio em estúdio. E a percussão, evidentemente, se afigurou como a seção rítmica.

O grupo Tio Samba aposta numa virada de mesa, numa solução interessante e original, ao unir a grandeza dos sopros do período primitivo das gravações aos modernos instrumentos de corda e percussão, obtendo uma sonoridade talvez única no cenário musical, em que o antigo se mescla ao novo com resultados altamente positivos. Calcado principalmente nos primorosos arranjos de Carlos Almada e na bela voz do intérprete Carlos Mauro, o grupo representa algo de novo no ar, com um doce sabor de antigo para dar o tempero. Um exemplo de como se pode avançar e ser criativo sem, contudo, deixar para trás um passado riquíssimo como o nosso.

Que surjam outros, a acompanhar seu pioneirismo. O primeiro passo (o mais difícil de todos) já foi dado.

Saudades do samba
Paulo Roberto Pires – no minimo

22.Nov.2003 | Nostalgia é sentimento bom para o samba e, em geral, ruim para a música. Ao primeiro imprime lirismo, à última costuma funcionar como freio de mão. Mas é impossível separar uma coisa de outra quando se vê a mais recente safra de artistas saídos da cena do samba carioca, preocupados que estão em impregnar-se do cânone e trazer de volta às rodas Nelson Cavaquinho, Cartola, Noel Rosa, Wilson Batista e outros da mesma estatura. A diferença entre passadismo e digestão deste passado começa a mostrar-se, aos poucos como deve ser, e aparece, cristalina, em dois lançamentos recentes e que conceitualmente pouco têm em comum entre si: “Um ser de luz – Saudação a Clara Nunes” e “Quero ver”, disco de estréia do grupo Tio Samba. (...)
(...) Muito mais próxima do passado está a rapaziada do Tio Samba, literalmente um time de 11 músicos que viaja ao repertório mais distante e, na sonoridade, está mais para o samba de salão, maxixado, dos anos 20 e 30. “Quero ver”, este primeiro disco lançado pela Ethos Brasil, tem a vitalidade – e ansiedade – dos primeiros discos, em 20 faixas que misturam Noel, Wilson Batista, Ataulfo Alves, Ismael Silva e os repertório de Moreira da Silva e Roberto Silva. O clima é de festa-baile, disco para se ouvir e dançar, com todos os prós e contras desta opção, ou seja, alegria e sinceridade contagiantes e excesso de estridência.

O que faz a marca, já delineada, do Tio Samba são os ótimos arranjos, assinados por Carlos Almada. Escritos para uma formação hoje pouco usual, reforçam a base rítmica do samba com uma sonora tuba – combinada com um naipe de sopros e percussão – que aproxima o grupo das antigas orquestras de samba. O cantor e produtor, Carlos Mauro, é importante para que o modelo da orquestra não fique preso à ortodoxia, imprimindo, quase sempre com acerto, um nota de ironia às canções, às vezes reforçando a galhofa original (“Amigo urso”, “Eu queria um retratinho de você”), outras comentando criticamente (“Você está sumindo”, “Mãe solteira”). Destaca-se, e muito, sua interpretação para “Beija-me”, uma delícia de Roberto Martins e Mario Rossi gravado por Elza Soares.

Com “Quero ver” a banda apresenta oficialmente suas credenciais e faz uma declaração de princípios, declarando determinadas filiações ao samba, dizendo a que veio. Como nos outros artistas comentados, resta a ela depurar todo o talento concentrado neste disco, descobrindo a melhor maneira de seu relacionar com o passado - que é o chão comum de todos. Pois parece que é da saudade do samba que nasce para ele um futuro, dentre os muitos possíveis.


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