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Quero Ver Tio Samba R$ 18.00 Ano: 2003 Selo: Ethos Brasil Peso: 115g Clique aqui para ver a capa ampliada |
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"QUERO VER", O PRIMEIRO CD DO TIO SAMBA REÚNE VINTE COMPOSIÇÕES: TRÊS INÉDITAS E 17 CLÁSSICOS DO SAMBA.
Formado em 1998 em Niterói (RJ), o grupo TIO SAMBA apresenta seu primeiro trabalho em CD,"Quero ver", lançado pela gravadora Ethos Brasil. O disco mostra um repertório que inclui sambas de autores como Noel Rosa, Ismael Silva, Ataulfo Alves, Geraldo Pereira, Wilson Batista e Cartola, vestidos com arranjos inéditos para a formação peculiar do grupo, que reúne instrumentos de sopro utilizados nos antigos grupos de choro e maxixe à percussão, violão e cavaquinho típicos do samba.
Além disso, o Tio Samba mostra algumas composições inéditas. O samba "Quero ver", que dá nome ao disco, é parceria do grande Delcio Carvalho com o maestro da Orquestra Art Folia, Edson Soliva. O "Choro de Betinho" é de autoria do flautista e arranjador do Tio Samba, Carlos Almada. E a terceira inédita é "Ninguém vai mandar no meu nariz", samba do cantor Carlos Mauro.
O TIO SAMBA é
CARLOS MAURO – VOZ, GAITA
CARLOS ALMADA – FLAUTA, ARRANJOS
WHATSON CARDOZO – CLARINETA
MARCIO CONTENTE – SAXOFONE TENOR
FABIANO SEGALOTE – TROMBONE
DAVI NASA – TUBA
NEIVALDO DUARTE – CAVAQUINHO
BIA RANGEL – VIOLÃO
EDSON MENEZES – PERCUSSÃO
ALTYR – PERCUSSÃO
MARCONI BRUNO – PERCUSSÃO
Tio Samba: Algo de novo no ar
Fernando Toledo – Revista Música Brasileira
Nos primórdios da gravação fonográfica, devido a limitações técnicas, era impossível se registrar determinadas sonoridades. Um exemplo claro disso é o estilo de voz adotado pelos grandes cantores de então: empostado, repleto de vibratos e dós-de-peito. Em relação aos instrumentos, a ênfase era dada aos de sopro, que possuíam maior alcance sonoro e sustentação. A percussão somente passou a ser registrada a partir de 1934, com a clássica gravação de Na Pavuna, pelo Bando de Tangarás.
Desta forma, os maestros buscavam soluções específicas para os sopros, resultando disto arranjos belíssimos e repletos de sutilezas e complexidades. Com o advento de novas técnicas, instrumentos de corda passaram a constituir a base da harmonia, em parte por causa de sua disseminação por todas as camadas sociais, em parte por sua praticidade e facilidade de manuseio em estúdio. E a percussão, evidentemente, se afigurou como a seção rítmica.
O grupo Tio Samba aposta numa virada de mesa, numa solução interessante e original, ao unir a grandeza dos sopros do período primitivo das gravações aos modernos instrumentos de corda e percussão, obtendo uma sonoridade talvez única no cenário musical, em que o antigo se mescla ao novo com resultados altamente positivos. Calcado principalmente nos primorosos arranjos de Carlos Almada e na bela voz do intérprete Carlos Mauro, o grupo representa algo de novo no ar, com um doce sabor de antigo para dar o tempero. Um exemplo de como se pode avançar e ser criativo sem, contudo, deixar para trás um passado riquíssimo como o nosso.
Que surjam outros, a acompanhar seu pioneirismo. O primeiro passo (o mais difícil de todos) já foi dado.
Saudades do samba
Paulo Roberto Pires – no minimo
22.Nov.2003 | Nostalgia é sentimento bom para o samba e, em geral, ruim para a música. Ao primeiro imprime lirismo, à última costuma funcionar como freio de mão. Mas é impossível separar uma coisa de outra quando se vê a mais recente safra de artistas saídos da cena do samba carioca, preocupados que estão em impregnar-se do cânone e trazer de volta às rodas Nelson Cavaquinho, Cartola, Noel Rosa, Wilson Batista e outros da mesma estatura. A diferença entre passadismo e digestão deste passado começa a mostrar-se, aos poucos como deve ser, e aparece, cristalina, em dois lançamentos recentes e que conceitualmente pouco têm em comum entre si: “Um ser de luz – Saudação a Clara Nunes” e “Quero ver”, disco de estréia do grupo Tio Samba. (...)
(...) Muito mais próxima do passado está a rapaziada do Tio Samba, literalmente um time de 11 músicos que viaja ao repertório mais distante e, na sonoridade, está mais para o samba de salão, maxixado, dos anos 20 e 30. “Quero ver”, este primeiro disco lançado pela Ethos Brasil, tem a vitalidade – e ansiedade – dos primeiros discos, em 20 faixas que misturam Noel, Wilson Batista, Ataulfo Alves, Ismael Silva e os repertório de Moreira da Silva e Roberto Silva. O clima é de festa-baile, disco para se ouvir e dançar, com todos os prós e contras desta opção, ou seja, alegria e sinceridade contagiantes e excesso de estridência.
O que faz a marca, já delineada, do Tio Samba são os ótimos arranjos, assinados por Carlos Almada. Escritos para uma formação hoje pouco usual, reforçam a base rítmica do samba com uma sonora tuba – combinada com um naipe de sopros e percussão – que aproxima o grupo das antigas orquestras de samba. O cantor e produtor, Carlos Mauro, é importante para que o modelo da orquestra não fique preso à ortodoxia, imprimindo, quase sempre com acerto, um nota de ironia às canções, às vezes reforçando a galhofa original (“Amigo urso”, “Eu queria um retratinho de você”), outras comentando criticamente (“Você está sumindo”, “Mãe solteira”). Destaca-se, e muito, sua interpretação para “Beija-me”, uma delícia de Roberto Martins e Mario Rossi gravado por Elza Soares.
Com “Quero ver” a banda apresenta oficialmente suas credenciais e faz uma declaração de princípios, declarando determinadas filiações ao samba, dizendo a que veio. Como nos outros artistas comentados, resta a ela depurar todo o talento concentrado neste disco, descobrindo a melhor maneira de seu relacionar com o passado - que é o chão comum de todos. Pois parece que é da saudade do samba que nasce para ele um futuro, dentre os muitos possíveis.