Na melhor tradição dos chorões do começo do século, os bambas de São Paulo reúnem-se nos fundos de uma loja de instrumentos, localizada na chamada "Boca do Lixo" paulistana, e fazem a melhor roda de choro destas plagas.
Na base da espontaneidade e do improviso, como não podia deixar de ser, o choro come solto nas manhãs de sábado, a partir das 10hs, até quando fecha a loja, lá pelas 14hs. Aí, dependendo da disposição dos músicos e agregados, a coisa continua no botequim em frente, com choro, samba e seresta até quando Deus quiser.
Na roda chega quem quiser, ou melhor, quem puder, pois pode ter que se medir com gente do tamanho de Carlos Poyares, Luizinho 7 Cordas, Arnaldinho do Cavaco, Isaías Bueno de Almeida, João Macacão, entre outras tantas feras que batem ponto por lá. O pessoal do Rio também gosta de aparecer, como Ronaldo do Bandolim ( Época de Ouro e Trio Madeira Brasil ), Pedro Amorin e o grande César Faria.
Na casa, ninguém paga nada pra se espremer num cubículo hoje em dia devidamente isolado e curtir espetáculos de rara beleza, com som totalmente acústico. E ainda pode dar sorte de ser dia do Murilão estar disposto a fazer o seu aclamado caldo de mocotó, pra preparar o o espírito ( e o fígado ) da galera.
Claro que a qualidade da roda varia bastante, em função dos músicos que resolvem dar as caras em cada sábado, o que torna difícil uma avaliação taxativa. Se não der muita sorte da primeira vez, insista. Não dá para se arrepender.
Última atualização em 21/10/2001