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Wilson Batista

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“Uma Vida Boêmia”

Wilson Batista nasceu em Campos, Rio de Janeiro, em 3 de julho de 1913. Filho de família humilde – o pai era guarda municipal -, viveu a infância pescando, assistindo a brigas de galo e tocando triângulo na bandinha dirigida por seu tio Ovídio. Na adolescência cursou marcenaria no Instituto de Artes e Ofícios e integrou o Bando Corbeille de Flores, para o qual criou suas primeiras composições. Aos 15 anos mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar como acendedor de lampiões.

Logo passou a freqüentar as rodas boêmias da Lapa e da praça Tiradentes, pontos de encontro de artistas e marginais. Influenciado pela convivência com gente de teatro, tentou os ofícios de eletricista e contra-regra, sem muito empenho, pois o que desejava realmente era iniciar sua carreira de compositor.

Em 1929 teve seu primeiro samba, “Na Estrada da Vida”, cantado no palco por Araci Cortes, a grande estrela do teatro de revista. Três anos depois, já integrado no meio musical – chegou a atuar como cantor e ritmista na orquestra de Romeu Malagueta -, conseguiu a primeira gravação de uma composição de sua autoria, o samba “Por Favor, Vai Embora”. A partir de então, passou a compor profissionalmente tendo a oportunidade de trabalhar com parceiros de renome, como Ataulfo Alves, Nássara, Marino Pinto, Haroldo Lobo, Roberto Martins, Antônio Almeida, Orestes Barbosa etc.

Sua produção nos anos de 1930, entretanto, não teria ainda qualidade para eleva-lo ao primeiro escalão da música popular brasileira. Dentre as composições que lançou nesse período, pode-se considerar como a mais importante o samba “Lenço no Pescoço”, provocador da célebre polêmica musical que sustentou com Noel Rosa.

Em 1940 iniciou sua melhor fase, que se estendeu até meados da década seguinte. É do carnaval daquele ano seu primeiro grande sucesso, o samba “Oh! Seu Oscar” (com Ataulfo), gravado por Ciro Monteiro, um dos principais intérpretes de sua obra. A esse fértil período, em que chegaria a lançar mais de dez músicas por ano, pertencem outros sucessos notáveis, como “Acertei no Milhar” (1940), “O Bonde São Januário”, “Emília”, “Preconceito”, “A Mulher que eu Gosto” (1941), “Meus Vinte Anos” (1942), “Louco” (1947), “Pedreiro Valdemar” (1949), “Balzaquiana” (1950), “Mundo de Zinco” (1952), “Mãe Solteira” (1954), etc.

No final dos anos de 1950 a produção de Wilson começou a declinar em qualidade e quantidade. Paralelamente ao ostracismo artístico, sua decadência física processava-se de maneira acelerada. O outrora mulatinho sestroso, protagonista de farras memoráveis, transformava-se aos 50 anos num velho alquebrado, cheio de achaques.

Como agravante da situação, sua única fonte de receita, o direito autoral – ele sempre relegou a um plano secundário a atividade de cantor, que exerceu em dupla com Erasmo Silva -, tornara-se insuficiente para assegurar-lhe condições mínimas de subsistência. Assim, a conjunção desses fatores iria contribuir para apressar sua morte, que aconteceria num hospital carioca, em 7 de julho de 1968, quatro dias após seu 55o aniversário. Homem de muitos amores, Wilson deixou viúva (Marina Batista) e três filhos, que não herdariam suas qualidades artísticas.

“O Samba foi sua Glória”

Afora breve período na adolescência em que exerceu a poética profissão de acendedor de lampiões, Wilson Batista de Oliveira seria pelo resto da vida um compositor popular. Ao longo de quase quarenta anos ele só soube fazer versos e melodias. Pode-se mesmo dizer que anteviu seu maior legado em um verso de “Mundo de Zinco”: “O samba foi minha glória”. Mas o samba, que lhe ensejaria a glória musical, jamais lhe renderia em termos materiais o correspondente ao valor de sua obra.

Wilson sempre viveu ‘as voltas com dificuldades financeiras, situação que procurava amenizar compondo intensamente, mesmo em ocasiões de pouca inspiração. Daí resultou o extenso repertório que ele dividiu com parceiros ilustres, como Nássara, Roberto Martins, Ataulfo Alves etc., além de outros, meros aproveitadores, a quem vendia sua arte a preço de liquidação.

Embora semi-analfabeto, incapaz de escrever uma nota musical, Wilson seria um dos mais importantes compositores da geração que fixou o samba urbano. Ao contrário de muitos sambistas da época, ele não restringiu sua produção aos temas românticos, mas enriqueceu-a com canções que o classificam como um perspicaz cronista de costumes. Assim, ao lado de peças que cantam amores e desenganos ( “Preconceito”, “A Mulher que eu Gosto”, “Meus Vinte Anos” etc.), alinharia, até em maior quantidade, as que contam tragédias e comédias do cotidiano (“Mãe Soletira”, “O Bonde São Januário”, “Nega Luzia”, “Mulato Calado” etc.).

Essas duas tendências marcantes da obra de Wilson estão bem representadas no CD gravado por Cristina Buarque, intitulado “Ganha-se Pouco, mas é Divertido”.

( Texto extraído do encarte do CD de Wilson Batista, do Acervo Funarte, Coleção Musical Itaú Cultural)


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