Agenda do Samba & Choro

Walter rosa

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Compositor, Instrumentista
Rio de Janeiro, RJ
05/04/1925
24/01/2002

Nascido em 05 de março de 1925, no Rio De Janeiro, no bairro do Meier,aos oito anos entrou em contato com o samba, quando freqüentava o Bloco Carnavalesco Filhos do Deserto, no morro da Cachoeirinha. Lá encontrou Zinco,seu professor, dono de belíssima e possante voz que gozava de grande prestígio entre seus colegas compositores e morreu tuberculoso e em dificuldades financeiras, só conseguindo condições para tratamento num hospital através da luta do seu amigo e discípulo Walter Rosa, que era um dos maiores conhecedores e divulgadores de seus sambas. Walter aprendeu a tocar instrumento de corda e em seguida começou a compor. Em 1942 mudou-se para o Bloco Recreio de Inhaúma, onde conheceu Paulo da Portela e outros compositores, que faziam cordiais e costumeiras visitas, ocasionando daquele contato seu ingresso no GRES Portela, onde passou a integrar a ala dos compositores. A Portela foi campeã do carnaval de 1953 com o enredo "Seis Datas Magnas" de Lino Manuel dos Reis, barracão de Lino,Paulinho e Pinduca, samba de Candeia e Altair Prego, conquistando 400 pontos obtendo nota máxima em todos os quesitos; o samba mais cantado na quadra, nesta época, era "Boa Noite, Cidade Maravilhosa" de Walter Rosa. Em 1955 Walter resolveu homenagear respeitáveis compositores, de Zinco dos Filhos do Deserto a Chatim da Portela; compôs o samba "Confraternização", que fez muito sucesso entre os sambistas, sendo cantado em todas rodas de samba; entusiasmado com a aceitação de sua composição, resolveu fazer, em 1957, nova homenagem, compondo "Celebração nº2", que sofreu uma nova versão onde ele cita o samba-enredo cantado pelo Salgueiro em 1963, "Chica da Silva" e "Semente do Samba" de Hélio Cabral, gravado por Clementina de Jesus em 1965. "Confraternização nº 3", composto em 1959, foi criado em decorrência da mágoa demonstrada por alguns sambistas por não terem sido citados nas homenagens anteriores, tendo inclusive o compositor Mazinho, da Portela, feito um samba resposta a Walter Rosa, cuja letra saiu publicada num jornal da cidade, fazendo com que Walter dissesse em seu samba: "muitos ficaram aborrecidos" e "levaram a cópia do original/Da Confraternização nº 1/ Ao conhecimento de um jornal"; este samba também sofreu uma nova versão com as citações ao samba "Sei lá Mangueira", lançado no Festival da TV-Record de 1968, e a Martinho da Vila que despontava e era bastante admirado por seus colegas nas reuniões realizadas as sextas-feiras, na Associação das Escolas de Samba, na rua Joaquim Palhares, no Estácio/RJ. Na década de 60, quando teve três de seus sambas-enredos campeões na disputa da Portela: 1960, com o enredo "Rio, capital eterna do samba", que tirou nota máxima em todos os quesitos, causando sensação o 1º carro alegórico elaborado pelo carnavalesco Djalma Vogue, que representava "O MOrro de Santo Antonio" e a sua demolição, quando o carro chegou em frente ao palanque da comissão julgadora, o morro começou a desarmar para então surgir a cidade como era naquela época, com os edifícios da Central do Brasil, Ministério da Guerra, a Mesbla, A Noite, a Biblioteca Nacional,etc.; em 1961, com "Jóias das Lendas Brasileiras" enredo de Djalma Vogue, e, em 1963, com "Exaltação ao Barão de Mauá", enredo de Nilton, Oreba, Peres E Finfas, o 1º carro alegórico: "O Arsenal" com incêndio em Ponta da Areia, explosão da Caldeira, que deveria acontecer em frente ao jurado Armando Shomoon que julgava o quesito Alegorias e Adereços, foi objeto de um fato inusitado: quando a Alegoria passou em frente à cabine do jurado, Natal gritou: "Acende o pavio! Acende o pavio!, ninguém queria acender até que apareceu um corajoso, foi uma correria geral na escola, até o jurado se mandou da cabine de julgamento. O único sambista que rivalizava em prestígio com Walter Rosa na Portela era Candeia, que tinha a maior admiração pelo parceiro. Walter era
protagonista de algumas das mais interessantes histórias vividas na Portela, dentre elas uma ocorrida durante um bate-boca numa reunião da ala dos compositores da escola, ele definiu a cena assim: "Isso não pode acontecer na Portela. Olhe só o chão salpicado de poetas". Foi um dos fundadores da Acadêmicos do Engenho da Rainha. Em 1966 participou do show "Fina Flor do Samba", no Teatro Opinião, do Rio De Janeiro, seguindo-se outros shows e atuações na TV. No ano seguinte, sua música "A Timidez me Devora", em parceria com Jorginho Pessanha, foi gravada por Roberto Silva na Copacabana. Em 1968 fez algumas músicas para a peça "Dr. Getúlio, sua vida e sua Obra" de Ferreira Gullar e Dias Gomes, encenada em Porto Alegre, RGS, no Teatro Leopoldina, sob a direção de José Renato. Em 1973 faz parte da Diretoria da Portela como Vice-Presidente Social, tendo como companheiros: Velha, no Departamento Musical e Hiram Araujo, no Departamento Cultural, entre outros. Um dos orgulhos do jovem compositor Martinho José Ferreira era ser reconhecido e cumprimentaddo por Walter Rosa diante de tantos bambas, além de ter sido a primeira pessoa a anunciá-lo, em um microfone, na quadra da Portela:"Presente está o compositor Martinho da Boca do Mato". Portador de diabete, que já tinha lhe tirado a visão, comovia um grupo de amigos que resolveram lhe prestar uma homenagem. Assim, Monarco, Paulinho da Viola, Tantinho, Délcio Carvalho, Darci da Mangueira e A Velha Guarda da Portela, comandaram um show beneficente no dia 23 de janeiro de 2002, no Teatro João Caetano, quando foram relebrados grandes músicas do "filósofo", como era chamado por alguns dos amigos. Na manhã seguinte, o compositor veio falecer, encerrando a luta que vinha travando com a diabete.
Um mestre do samba, admirado e respeitado no meio, não tendo em vida o reconhecimento merecido.


MUSICOGRAFIA
OBRA/PARCERIA/DATA
A Timidez me Devora Jorginho Pessanha 1967

Apoteose Musical Candeia - *

Barão de Mauá e suas Realizações Antonio Alves 1963

Boa Noite, Cidade Maravilhosa - 1953
1985 **

Confraternização Nº1 - 1955
Confraternização Nº2 - 1957
Confraternização Nº3 - 1959

Contrariedade Toninho 1977

Cruel Decepção Candeia - *

De Chico Buarque a Geraldo Babão Ratinho 1979

É Fracassar Esli Muniz 1970

É Por Aqui - 1976

Eu Quero Paz - -

Fraternidade Nº1 - -

Jóias e Lendas Brasileiras Antonio Alves 1961

Legado de Getúlio Vargas Silas de Oliveira 1968

Não É... Não É Redvaldo 1976

Nem Ela, Nem Tu, Nem Eu Picolino 1997

O Pior é Saber - 1975

Peito Ferido Noca 1983

Peso dos Anos Candeia 1974

Rio Capital Eterna do Samba - 1960

Saída Traiçoeira - -

Só Deus Jorginho Pessanha 1968

Tudo Menos Amor Monarco 1973

Vai, Amor Monarco 1975


* inédita
** 2ª versão



DISCOGRAFIA
Nº DISCO/TÍTULO/INTÉRPRETE/GRAV/ANO
- - Roberto Silva 1967

DN-68/8 Nem Todo Crioulo é Doido (1) Discnews/1968

- A Voz do Samba (2) 1970

103.0080 Origens Martinho da Vila RCA Victor 1973

COLP-11978 Feito em Casa Elizeth Cardoso Copacabana 1974

- Velha Guarda da Portela (3) Marcus Pereira 1974

- Pandeiro e Viola Beth Carvalho Tapecar 1975

XSMOFB-3884 Claridade Clara Nunes Emi-Odeon 1975

- Encontro com a Velha Guarda (4) Polygram 1976

1-07-405-088 Monarco Monarco Continental 1976

8-03.401003 Hist.das Escolas de Samba-Vol.3(5)SomLivre1976

8-03.401006 Hist.das Escolas de Samba-Vol.6(6)SomLivre1976

112.311 Nira Gongo - Conjunto Baluartes Marçal Okey/CBS 1976

HMPB-21 Silas de Oliveira/Mano Décio(7)Abril Cultural1977

103.0215 Os Bons Sambistas Vão Voltar (8) RCAVictor 1977

31C-062-421145 Nosso Samba Conj. Nosso Samba Emi-Odeon1978

110.0019 Tendinha Martinho da Vila RCAVictor1978

COMLP-25054 A Personalidade do Samba Roberto Silva Copa/79

31C-062-421177 Eu Nasci no Samba Jurema Emi-Odeon 1979

103.0580 Canta,Meu Povo,Canta Originais do Samba RCA 1983

530.014 Luzes do Morro Paula Som Livre 1985

599404.264 Candeia (9) Funarte 1988

789.116/2-488362Coisas de Deus MartinhodaVila SoniMusic1997

75.023 Eterna Chama (10) PerfilMusical 1988

133.o31 Apoteose do Samba Mauro Diniz Universal 2003

1239017 Grupo Favela Grupo Favela Esquema/-

CLP-11507 Viva o Samba (11) Copacabana/-

177.365 Portela (12) Columbia/-

Sony Music 1993



(1) Martinho da Vila, Mário Pereira, Anália, Zuzuca,
Cabana, Darcy da Mangueira e Antônio Grande.
(2) Conjunto A Voz do Samba - Silvinho da Portela, Darcy da
Mangueira, Martinho da Vila, Noel Rosa de Oliveira e
Walter Rosa.
(3) Francisco Santana, Alvaiade, Monarco, Casquinha,
Jair do Cavaquinho, Marçal e Walter Rosa
(4) Mano Décio da Viola, Hernani Alvarenga, Noel Rosa de
Oliveira, Ismael Silva, Duduca, Alvaiade, Nelson
Cavaquinho, Iracy Serra, Pelado da Mangueira e Walter
Rosa.
(5) Carlos Cachaça, Bucy Moreira, Raul Marques e Walter
Rosa.
(6) Abílio Martins e Walter Rosa.
(7) Silas de Oliveira, Ivone Lara, Mano Décio da Viola,
Elza Soares, Manoel Ferreira e Walter Rosa.
(8) Originais do Samba - Muçum, Rubão, Bigode, Bidi, Lelei
e Chiquinho.
(9) Wilson Moreira, Aniceto do Império, Cristina, Monarco,
Mauro Diniz e Mauro Duarte, Carlinhos Vergueiro,
Velha Guarda da Portela, Doca da Portela, Casquinha e
Paulo Cesar Pinheiro.
(10)Alcione, Beth Cravalho, Ivone Lara, João de Aquino,
Luiz Carlos da Vila, Zeca Pagodinho, Marquinhos de
Oswaldo Cruz, Martinho da Vila, Nelson Sargento,
Paulinho da Viola e Zé Luiz Mazziotti.
(11)Elizeth Cardoso, Francineth, Cyro Monteiro e Roberto
Silva.
(12)David Correa, Dede da Portela, Mauro Duarte e Silvinho
da Portela.




DISCOGRAFIA II
OBRA/PARCERIA/Nº DISCO/TÍTULO/INTÉRPRETE/GRAV/ANO
A Timidez me Devora
Jorginho Pessanha
Roberto Silva
1967

COMLP-25054
A Personalidade do Samba
Roberto Silva
Copacabana/1979

CLP-11507
Viva o Samba
Roberto Silva
Copacabana/-

Boa Noite, Cidade Maravilhosa
530.014
Luzes do Morro
Paula
Som Livre/1985

Confraternização Nº1
8-03.401.003
História das Escolas de Samba - Vol.3
Walter Rosa
Som Livre/1976

Confraternização Nº2
8-03.401.003
História das Escolas de samba - Vol.3
Walter Rosa
Som Livre/1976

Confraternização Nº3
8-03.401.003
História das EscoLas de Samba - Vol.3
Walter Rosa
Som Livre/1976

Contrariedade
Toninho
103.0215
Os Bons Sambistas Vão Voltar
Originais do Samba
RCA Victor/1977

De Chico Buarque a Geraldo Babão
Ratinho
31C-062-421177
Eu Nasci no Samba
Jurema
Emi-Odeon/1979

É Fracassar
Esli Muniz
A Voz do Samba
Conjunto A Voz do Samba
1970

É Por Aqui
Encontro com a Velha Guarda
Walter Rosa
Polygram/1976

Legado de Getúlio Vargas
Silas de Oliveira
HMPB-21
Silas de Oliveira/Mano Décio
Walter Rosa
Abril Cultural/1977

Não É ... Não É
Redvaldo
112.311
Nira Gongo - Conjunto Baluartes
Marçal
Okey/CBS/1976

Nem Ela, Nem Tu, Nem Eu
Picolino
789.116/2-488362
Coisas de Deus
Martinho da Vila
Soni Music/1997

O Pior É Saber
Pandeiro e Viola
Beth Carvalho Tapecar/1975

110.0019
Tendinha
Martinho da Vila
Soni Music/1978

Peito Ferido
Noca
103.0580
Canta, Meu Povo, Canta
Originais do Samba
RCA Victor/1983

Peso dos Anos
Candeia
COLP-11978
Feito em Casa
Elizeth Cardoso
Copacabana/1974

599.404.264
Candeia
Paulo Cesar Pinheiro
Funarte/1988

75.023
Eterna Chama
Nelson sargento
Perfil Musical/1998

Rio Capital Eterna do Samba
Velha Guarda da Portela
Walter Rosa
Marcus Pereira/1974

8-03.401.006
História das Escolas de Samba - Vol.6
Walter Rosa
Som Livre/1976

Só Deus
Jorginho Pessanha
DN-68/8
Nem Todo Crioulo é Doido
Anália
Disc News/1968

31C-062-421145
Nosso Samba
Conjunto Nosso Samba
Emi-Odeon/1978

Tudo Menos Amor
Monarco
1-07-405-088
Monarco
Monarco
Continental/1976

103.0080
Origens
Martinho da Vila
RCA Victor/1973

1239017
Grupo Favela
Grupo Favela
Esquema/-

133.031
Apoteose do Samba
Mauro Diniz
Universal/2003

Vai Amor
XSMOFB-3884
Claridade
Clara Nunes
Emi-Odeon/1975




PARTICIPAÇÃO
Nº DISCO/ TÍTULO/ INTÉRPRETE /GRAV/ ANO
SMBOFB 3845 Cabeça Feita Nadinho da Ilha Emi-Odeon 1977




LETRAS

RIO, CAPITAL ETERNA DO SAMBA
Walter Rosa
1960

Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro
Rainha da paisagens
Maravilha do mundo inteiro
O teu cenário histórico
Passamos a ilustrar
O sonho do teu fundador, Estácio de Sá
Simbolizando em cânticos alegres
Hoje viemos exaltar
Estão consumados
Cidade, teus ideais
Apologia aos teus vultos imortais
Rio,dádiva da natureza
Aquarela universal
Os sambistas te elegeram ao som da música
A novaGuanabara, eterna capital
De encantos mil.

Lá lá lá lá lá lá lá lá lá
Orgulho do meu Brasil


JÓIAS DAS LENDAS BRASILEIRAS
Walter Rosa e Antonio Alves
1961

As jóias das lendas e crendices brasileiras
Entre as quais
Daquele que amarrava os animais a noite inteira
Cantando e assobiando era o Saci-Pererê
As minhas chagas doem como o quê
Iara, mãe d'água doce, a fascinadora
Dos homens que se aventuraram a ir até as margens do rio
Da esperança de conquistar sua beleza encantadora.

A cobra grande do Nordeste cuja aparição
Teve início no dia
Em que a cabloca virgem atraída adormeceu
Só quem sabia do milagroso fruto
Era o filho do cacique
Que viu onde ela o escondeu

O Negrinho do Pastoreio e seu fiel ginete
O mártir religioso
Superstições de várias regiões
Desse imenso Brasil poderoso.



EXALTAÇÃO AO BARÃO DE MAUÁ
Walter Rosa e Antonio Alves
1963

Vulto de notável mérito
Que a indústria do país glorificou
Irineu Evangelista de Souza
A primeira estrada de ferro criou
Base para a siderurgia do Brasil
Fundição na Ponta da Areia
O fator primordial do progresso nacional
E também o canal do Mangue
Com suas palmeiras imperiais
Quantas lembranças nos traz.

Heranças históricas
Rio antigo dos lampiões a gás.

Rio Grande do Sul
Berço desse ilustre brasileiro
Que adquiriu conhecimento no estrangeiro
Desenvolveu e protestou contra a navegação
Em trânsito livre no rio Amazonas
Por outra nação
Após sofrer rudes golpes de sorte
Nos derradeiros momentos da monarquia,

O pioneiro Barão de Mauá
Em 89 desapareceria


LEGADO DE GETÚLIO VARGAS
Silas de Oliveira e Walter Rosa
1968

Entristecido
Pelo rude golpe que sofreu
O povo brasileiro
Presta sua homenagem comovido
Ao mgrande patriota que morreu
Getúlio Vargas
Que relembramos com amor
Sua voz meiga nunca mais se ouviu
Falando ao povo sofredor
Trabalhadores do Brasil
Fopi em 1930
À frente dab revolução
Getúlio Vargas assumiu
A presidência do Brasil
Era um tempo novo que se abria
E o desenvolvimento industrial
As leis trabalhistas ele cria
E a previdência social
Eram tempos de conquistas
E de grande agitação pelo poder
De 32 a 37 aquele estadista
Reprimiu os comunistas e integralistas
Mas não há quem esconda
Seu valor idealista
Basta falar em Volta Redonda
Basta falar na Petrobrás
Símbolos vivos dos anseios nacionais
Em 45
Getúlio Vargas foi deposto
Por um golpe militar
Para voltar em 51 ao mesmo posto
Nos braços do povo
Eleito pelo voto popular
Lá, larala,larala
Larala,laralara
Na última etapa de seu governo
Getúlio enfrentou o inferno
E a incompreensão
Sob a fúria assassina
Das aves de rapina
Que queriam o ouro e o sangue
Da nação
Ofendido e humilhado
Pelo próprio povo abandonado
Getúlio já na solidão
Coberto de calúnias e de glórias
Meteu uma bala no coração
Saiu da vida para entrar na História
E daquela carta derradeira
O povo fez sua bandeira
Na luta pela emancipação
Onde ele afirma muito bem
"O povo de quem fui escravo
Jamais será escravo de ninguém"
Lá, lara, lara, larala
Larala, larala, larala, lá


BOA NOITE, CIDADE MARAVILHOSA
Walter Rosa
1953

Boa-noite, Cidade Maravilhosa
'Viemos' trazer nossos abraços
Aos seus construtores
E àqueles que dormem no reino da glória
Mais uma vez a Portela traz
Seus cumprimentos
E mais uma história
Boa-noite, co-irmãs amigas
Desejamos bons passos
À Mangueira querida
Em hospitalidade a Portela é completa
Lembra-se de todos
Pra brincar tem hora certa
A nossa finalidade desta vez
É provar com nitidez
Se Deus permitir que não chova em 53
Boa-noite, boa-noite...


BOA NOITE, CIDADE MARAVILHOSA
Walter Rosa
1985

Boa noite
Cidade maravilhosa
Viemos trazer nossos aplausos aos seus construtores
Vivos e aos que dormem também no reino da glória

Sinceramente a Portela traz
Seus cumprimentos em mais uma história
Boa noite co-irmãs amigas
Desejamos bons passos
À Mangueira querida

Em hospitalidade a Portela é completa
Lembra-se de todos
Pra brincar tem hora certa
A nossa finalidade desta vez
É provar com solidez nosso valor
Com mais um samba feliz que a natureza quis
E Madureira fez

(Boa noite)


CONFRATERNIZAÇÃO Nº1
Walter Rosa
1955

Envio aqui musicalmente
Cartões de boas festas
A todos os poetas e compositores
Espero que estes os encontrem
Contentes e gozando saúde
E felizes em seus amores
Zinco, lá dos Filhos do Deserto,
Prefere sempre estar perto das florestas
Ouvindo os passáros cantando
Cartola se afasta do morro
Mas não vai embora
A saudade lhe devora
De Carlos Moreira, Zagaia e Padeirinho
Com este último
Com quem conversei bastante
Sobre um assunto interessante
Do Nonô do Jacarézinho
Ariosto Ventura de tanto dizer
Vem morar comigo
Se andares direito te darei amor
Se errares te darei só castigo
Ilco, lá do Engenho da Rainha
Uma vez numa tendinha
Me chamou em particular
Walter Rosa, por Deus quero compor
Com você uma glosa
Que não relacione o amor
Silas, viga-mestre do Império Serrano
Lá do alto quando abre-se o pano
Aparece a cantar
És a luz da minha vida
Para ela a Serrinha em peso abre a janela
Para ouvir o seu cantor
Candeia, Waldir, Picolino
Manacéa, Alvaiade, Avelino
Monarco e Chatim
Padrões de talento da Portela
Os seus valores não tem fim.



CONFRATERNIZAÇÃO Nº2
Walter Rosa
1957

Renovarei votos de estima
Aos poetas e compositores já citados
Chegou a vez daqueles que ainda
Não foram lembrados
Que vivem escondidos por aí
Com lindas melodias
Que o povo quer ouvir
Noel e Anescarzinho do Salgueiro
Quando lançaram no terreiro
O samba que o brasileiro vibrou
Chica da Silva do cativeiro zombou
Cícero e Hélio Cabral da Estação Primeira
Diz que a semente do samba
Quem possui é só Mangueira
Ramon Russo ao passar pelo Império
Foi um caso sério
Com aquele tal de Timbó
Foi notória a presença de Osório
Diz o que quis no samba tango
Escreveu como ele só
Assim redigiu
Dançando me viu
E fingiu que não viu
Com aquele cavalheiro ela saiu
Valter Coringa
Só escreve o fino e bacana
Assim como o grande Cabana
Aidno, Catoni e Evancoé
Este que fez sua transferência
Pra Portela
Tal qual o Jair da Capela
Hoje com Jorge Bubu e Casquinha
Defendem Oswaldo Cruz
A onde a música seduz.



CONFRATERNIZAÇÃO Nº3
Walter Rosa
1959

Parabenizaram-me
Muitos ficaram aborrecidos
Foi aquele zum zum zum
Dentre os que não foram incluídos
Levaram a cópia do original
a Confraternização nº1
Ao conhecimento de um jornal
Garanto que não foi
Nenhum dos valores escondidos
Que existem por aí
Por exemplo: Everaldo que eu conheci
Na residência de Antônio Candeia
Para mim foi um dia feliz
assim como vivem felizes
Carlinhos Sideral, Velha, Matias e Bidi
Enquanto possuirem o samba na veia
Defenderão a sua Imperatriz
Quem não conhece o talento de Tolito
Geraldo Babão, Zuzuca e Darci
Que só faz samba bonito
Mantive um papo sadio com Aurinho da Ilha
Sobre Paulinho da Viola
E o seu sucesso "Sei lá não sei"
Chegou Jorginho dizendo: gravei
Um LP que é só maravilha
Os autores são Pelado,
Preto Rico e Leléo
Mostrou-se muito empolgado
Com Martinho de Vila Isabel
Que está com a bola branca
E promete ocupar o trono de Noel.



A TIMIDEZ ME DEVORA
Jorginho e Walter Rosa
1967

Luzes, fantasias e serpentinas
Papeiszinhos coloridos
Carnaval
Amores se renovam a toda hora
Minha alegria parte e vai embora
Carnaval
Então porque somente eu
Não tenho o direito
Aos folguedos próprios da idade
Aproveitar

A timidez me devora
Favorece a tristeza
Que invade o meu lar

Neste mundo onde me perdi
Não quero me encontrar
Se é pecado que peço meu Deus
Criador queira me perdoar
Se eu voltasse
A gozar com euforia
Todos os prazeres da vida
Ó que bom seria

Ó Luzes...



SÓ DEUS
Walter Rosa e Jorginho
1968

Os meus ouvidos
Estão cansados
De ouvir perdão
Os amores que passaram
Em minha vida
Hoje vivem
Em completa escuridão

Só Deus
É quem pode dar
O que vem me pedir
Eu não

Não há fidelidade
Embora havendo a compreensão
A carne é fraca
Na ausência o mal
É sempre a solução
Depois de consumar seu ideal
Sorrindo vai embora
Deixando o remorso
Em seu lugar
Partindo a gente chora.



É FRACASSAR
Walter Rosa e Esli
1970

Eu que tento tanto te esquecer
Perdido em prantos
Fico sem ver
Que a vida é um encanto
Que sigo a viver
Sabendo que no entanto
Sem você
É triste até meu canto
É meu sofrer

Aumenta o desengano de esperar
Você amor
Que não vem ouvir o meu cantar
Pedi para saber
Eu bem que fui amado
Demais como eu amei
É fracassar.



TUDO MENOS AMOR
Monarco e Walter Rosa
1973

Tudo que quiseres
Ti darei ó flor
Menos meu amor
Darei carinho
Se tiveres a necessidade
E peço a Deus para te dar
Muita felicidade
Infelizmente
Só naõ posso ter-te
Para mim
Coisas da vida
É mesmo assim
Embora saiba
Que me tens tão grande adoração
Eu sigo a ordem
E esa é dada por meu coração
Neste romance
Existem lances sensacionais
Mas te dar meu amor, jamais

A gente ama veradeiramente
Uma vez
Outras são puras fantasias
Digo com nitidez
Mas, uma história de linguagens
Sensíveis e reais
O que quiseres
Mas, o meu amor, jamais
Tudo que quiseres



PESO DOS ANOS
Candeia e Walter Rosa
1974

Sinto que o peso dos anos me invade
Vejo o tempo entregar à distância
Minha mocidade
Oportunamente partirei
Abandonando as coisas naturais
Mas deixarei saudade

Muita gente há de sentir
Os afetos que ofertei
Os meus beijos hão de ficar
Nos lindos lábios que beijei
Quero risos de alegria
Quero ouvir minhas canções
Aos acordes de plangentes violões.




O PIOR É SABER
Walter Rosa
1975

Eu não esperava você agora
Só muito mais tarde ou nunca mais
Não me venha dizer o que lhe aconteceu lá fora
Sua ingratidão torturou por demais meu peito

O pior é saber
Que você ainda em mim tem direito

Direito em mim
Que estou falando é diferente
Darei casa, comida
Serei prestativo se estiver doente
Mas meu calor jamais te aquecerá
Quem passou o que eu passei
Não pode mais perdoar, não pode mais perdoar.




VAI, AMOR
Monarco e walter Rosa
1975

Vai, amor pra toda vida
Não olhes pra trás
Na hora da partida
Não me mande lembrança
Nem carta amorosa
Vivias num perfeito mar-de-rosas
Te dei carinho, dei um lar
O que pude enfim
Não sei porque procedeste assim
Agora é tarde para me pedir perdão
Eu sigo a ordem
Dada por meu coração

Eu sei que andava fora da realidade
Graças a Deus decidi
Sem ter remorso nem saudade
Não chore por favor
Porque um bom perdedor não chora
Reconhece a derrota
Se dirige a porta
Abre, diz adeus e vai-se embora.




CONTRARIEDADE
Walter Rosa e Toninho
1977

Meu coração contrariado
É sempre infeliz
Não consegue esquecer
Quem não lhe quis

Prisioneiro do passado
Não me livro de você
Eu me esquivo do seu lado
Depois volto a me prender

Se a razão fosse mais forte
A paixão não me vencia
Se eu visse a minha sorte
era eu quem partiria

Meu coração...

Uma lágrima fingida
No seu rosto desmanchou
A tristeza foi traída
Assim que você chorou

Apesar da convivência
Você nunca aprendeu
Que a dor da consciência
Fere a mão de quem bateu.

Meu coração...




NEM ELA, NEM TU, NEM EU
Walter Rosa e Picolino
1997

Fantasiada pela estrada
Tentação apareceu
E quase sempre a solução
É seduzir e ir embora
E agora
Nem ela, nem tu, nem eu
Eu quero paz pra minh'alma
Preciso de calma
Ó meu Deus que horror
Vivo em constante agonia
A nostalgia é melhor que este amor
Meu Deus, eu não posso viver assim
Imploro que vós tenha pena de mim
Não quero mais saber deste amor
Ó senhor
Quem trouxe paz para o meu lado foi aquela
Que Deus me deu
Fantasiada pela estrada
Tentação apareceu
E quase sempre a solução
É seduzir e ir embora
E agora
Nem ela, nem tu, nem eu.





FONTE DE CONSULTA
Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira

Enciclopédia da Música Popular Brasileira

Escola de Samba em Desfile, de Amaury Jório e Hiram Araujo

Carnaval - Seis Milênios de História, de Hiram Araújo

Natal - O Homem de um braço só, de Hiram Araujo e Amaury Jório

Escola de Samba - Árvore que esqueceu a raiz, de Candeia e Isnard

Paulo da Portela, de Marília T. Barbosa da Silva e Lygia Santos

Candeia - Luz da Inspiração, de João Baptista M. Vargens


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