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Sylvio Caldas

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Sylvio Antônio Narcizo de Figueiredo Caldas é do bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Nasceu em 23.5.1908. Segundo seu irmão mais velho Murilo Caldas, que é de 1905, Sylvio é mesmo de 1908, ano que, agora, passa a ser confiável, porquanto o próprio Sylvio sempre se esquivou em revelá-lo, e, por isso, as especulações variavam de 1902 a 1908.

Foram seus pais Antônio Narcizo Caldas (1879 1958), carioca, proprietário de pequena loja em que vendia instrumentos musicais, consertava e afinava pianos, em São Cristóvão, e D. Alcina Figueiredo Caldas (1882 - 1975), a D. Neném, gaúcha, que faleceu com 93 anos, modista afamada. Dos numerosos filhos, todos os que conseguiriam superar a idade infantil alcançaram idade avançada: Honorina, Jurema, Murilo, Júlio (1907), Sylvio e Aída. Há ainda dois temporões: Gildo (sonoplasta de televisão) e Irene (pianista), de um segundo matrimônio (são Santos e não Caldas).

O Sr. Antônio teve um certo prestígio no musical como compositor, a ponto de fazer parte às vezes da comissão julgadora do Carnaval dos Ranchos. Estava sempre produzindo suas valsas, "schottischs", foxes e sambas. Orlando Silva gravou sua valsa Neusa, em 1938. O restante da família - mãe, avó, tias, sogros - cantava no coro da igreja, nas festas e nas quermesses. No carnaval, outros moradores do bairro se agregavam, inclusive até um padre, e eis formado o bloco A Família Ideal.

Sylvio Caldas foi criança-prodígio. Com 5 anos, apresentou-se no Teatro Fênix. Era presença requisitada nas festas e nos clubes de São Cristóvão. No carnaval, então, magrinho, e com voz muito boa, aparecia como o indiscutível astro da Família Ideal, carregando nos braços e nos ombros dos seus componentes. Sylvinho, o Rouxinol da Família Ideal, como era saudado, irrompia à frente do bloco e dominava com seu cantar:

Eu sou bilontra
Gracioso cantor
Eu tenho um amor
que não sei o que será
Eu te amo uma menina
porque ela tem dinheiro
pois eu sou um brejeiro
Tiroli! Tirolá!
Também sambava com graça o petiz! Irrequieto, tranquinas, só não gostava era do grupo escolar, que deixou para trabalhar na Garagem Esperança. Como mecânico de automóveis de mão-cheia, com 16 anos, em 1924, vai trabalhar em São Paulo. Não esqueceu o violão. Somente quando volta ao Rio é que pensa em fazer carreira, atraído pelo desenvolvimento por que passavam o rádio e o disco. É levado para cantar na Rádio Mayrink Veiga pelo cantor Milonguita (Antônio Santos).

No disco começou mesmo na Victor, em fevereiro de 1930, embora afirme que isso aconteceu na Brunswick. No confronto de datas e matrizes de gravação, foi dado descobrir que, em 1930/31, alternava gravações nas duas fábricas, até ficar só na Victor, mesmo porque a Brunswick, em 1931, provavelmente em abril, cerraria suas portas. O último disco conhecido da Brunswick (10.167) foi exatamente um de Sylvio Caldas, com dois sambas de sua autoria: Para O Príncipe de Gales e Eu Vou Andando.

Na Brunswick gravou discos com 15 músicas. A Revivendo em seu 28, já relançou do primeiro deles, Recordar É viver e Amor de Poeta, composições de Sinhô e Cutuca Maroca, do terceiro disco, marchinha de D. Guimarães e Lamartine Babo.

No geral, nessa fase, Sylvio Caldas basicamente cantava marchas e sambas. Seu talento seresteiro seria revelado, no disco, em sua plenitude, a partir de 1934, através de sua parceira com Orestes Barbosa.

Como homem e como artista Sylvio Caldas é único. Alegre, acessível, simples, vive plenamente a vida. Jamais se prendeu a esquemas e impede que as preocupações perturbem seu viver cantar. Seu espírito aventureiro já o levou a se embrenhar nos sertões para garimpar. Teve casa e restaurantes, autorizado pelas credenciais do excelso cozinheiro que é, com habilidades e temperos tão aplaudidos quanto suas canções. Almirante vivia gabando as peixadas de Sylvio Caldas!

Muitas vezes se despediu oficialmente da carreira artística. Mentirinhas que, se um dia cumpridas, aí sim, magoariam toda a nação. Sambistas e seresteiro, voz e timbre, paixão no dizer cada palavra, o Caboclinho Querido independente do emaranhado eletrônico para cativar e encantar as platéias. De porte ereto, alto, elegante, conta histórias e canta com pique admirável.

Personagem preeminente da história da nossa música popular, a par disso, é um dos seus maiores defensores. Em suas apresentações jamais deixa de enfatizar a necessidade de sua preservação, até preconizando a inclusão do seu ensino no currículo das escolas. É o que tem feito na prática, como poucos. Seu repertório, coerente, é o mais brasileiro de todos.



Esta biografia foi publicada inicialmente
no site de um dos mais importantes projetos culturais
de preservação de nossa memória, o
Selo Revivendo



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