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José Barbosa da Silva, Sinhô, carioca, nasceu em 8.9.1888, na rua do Riachuelo, filho de um pintor de paredes. Flautista e bom no bandolim, no violão e no piano, integrou-se desde cedo às rodas de samba, aos bailes e aos blocos carnavalescos. Seu piano, ritmado com um gingado de corpo peculiar, agradava tanto, nas sociedades dançantes das camadas populares, que resolveu viver do teclado, vale dizer, modestamente. Ganhava mais algum como demonstrador em loja de músicas. Tocava de ouvido, mas depois aprenderia a ler e escrever na pauta. Sua caligrafia cursiva é uma prova que não era o iletrado que se pensa.

Do piano para a composição foi um passo, imediatamente intitula-se Rei do Samba. Vaidoso, sim, mas sem merecer castigo, pois era a pura verdade... em 1918, edita e grava sua primeira música, Quem São Eles?, samba, já sob o signo da polêmica, uma de suas paixões incontroláveis.

Alto e magro, dizia-se "caboclo" ou "preto", como no samba Professor de Violão. Foi ensinando violão que descobriu Mário Reis, como antes havia descoberto Francisco Alves para o disco.

Reinou absoluto nos anos 20. No samba, na canção, na marcha, em todos os gêneros punha seu toque de gênio. Era envolvente e original, de versos ingênuos, com uma denguice colonial só dele. Um sentimental carente de bem-querer e elogios, respeitado e perdoado até por aqueles em quem arremessava suas farpas musicais.
Faleceu, em 4.8.1930, quando ia fazer 42 anos de idade, de tuberculose, ao atravessar, de barca, a Baía da Guanabara.

Sua coroa de Rei do Samba - cujos sucessos no teatro, no disco, no carnaval e nas edições nunca lhe carrearam tesouros - não pertenceria a mais ninguém. "Todos os sambas atuais, muito embora possuam melodia original, não deixam de trazer reminiscência das composições de Sinhô" (Ary Kerner, 1930). "Fixador do Samba" no dizer de Almirante, Sinhô desde então se ergue, soberano, como um obelisco de nossa música popular.



Esta biografia foi publicada inicialmente
no site de um dos mais importantes projetos culturais
de preservação de nossa memória, o
Selo Revivendo



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