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Silas de Oliveira

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"Um dia, o sambista Silas de Oliveira amanhecia mais uma vez com seu amigo inseparável Mirinho, ao lado também da inseparável garrafa de cachaça. Talvez permanecessem como aqueles homens de quem Max Ernst disse que nunca saberão. Mas Silas perguntou: ‘Mirinho, você sabe o que é o infinito?’. Talvez nesse momento um outro bêbado fosse anonimamente subindo lá adiante uma ladeira da favela, não precisamente indo para o céu, embora parecesse, na luz irreal daquela manhã. Irreal como são todas as luzes das manhãs que nascem para os olhos daqueles que atravessam insones noites ébrias. O que é certo é que Silas disse: ‘Você vai andando por ali e o infinito vai te acompanhando’. Mirinho comentou envaidecido: ‘Um poeta nos mínimos detalhes, este meu amigo Silas de Oliveira’. A manhã nascia radiosa".

Silas de Oliveira de Assumpção nasceu em Madureira, subúrbio da Zona Norte do Rio de Janeiro, no dia 12 de Outubro de 1916. Desde menino freqüentou as rodas de samba, apesar da resistência do pai, que era pastor protestante e via na música uma ‘manifestação do diabo’. O pai, dono do Colégio Assumpção, ar-rumou uma vaga de professor para o filho, tão logo ele concluiu o Científico. Ele pretendia que, com a profissão, o filho abandonasse o gosto pela música.

Silas dava aulas de Português, quando começou a namorar uma das alunas, a jovem Elaine dos Santos. Nessa época também fez amizade com o jornaleiro Mano Décio da Viola, que se tornaria seu maior parceiro. Pelas mãos de Elaine e de Mano Décio, Silas sobe os morros cariocas atrás de rodas de samba. Com os dois, freqüenta também os tradicionais pagodes nas casas das ‘tias’ baianas, regados a muita bebida, comida e batucada. Seu talento como compositor começa a se revelar, ainda que timidamente. As visitas a estes locais passam a ser cada vez mais constantes e não tarda para que Silas passe a ser considerado como ‘gente da casa’ nos redutos de samba.

Em 1946, Silas de Oliveira e Mano Décio compõem o samba-enredo ‘Conferência de São Francisco’ ou ‘A Paz Universal’, defendido pelo Prazer da Serrinha, agremiação carnavalesca da qual faziam parte. ‘Forçados’ pelo decreto oficial do então Presidente da República Getúlio Vargas – que exigia que as es-colas desfilassem com temáticas nacionalistas em seus enredos –, os compositores acataram a medida e fizeram desfilar pela avenida uma escola organizada em alas com funções definidas dentro do enredo. A partir daquele ano, outras escolas aderiram às idéias do Prazer da Serrinha, moldando-se ao novo estilo de desfile por ela constituído.

Porém, alguns integrantes do Prazer da Serrinha não aceitaram essas inovações, resultando daí a dissidên-cia de vários componentes – que culminaria com a fundação da Império Serrano, em 1947. Silas de Oli-veira integra a nova escola desde seu primeiro desfile, do qual se sagrou campeão no carnaval de 1948. No ano seguinte, Mano Décio também aderiu à nova agremiação. Entre 1949 e 1951 o samba vitorioso do Império Serrano trouxe a assinatura de Silas, de Mano Décio ou dos dois. Em 1955 e 1956, mais duas vi-tórias da dupla na escolha do samba da escola e do Império Serrano na avenida: ‘Exaltação a Caxias’ e ‘O Sonhador de Esmeraldas’.

Silas dedicou 28 anos de sua vida ao Império Serrano e nesse período fez 16 sambas de enredo para a es-cola, dos quais 14 foram defendidos no desfile oficial. Quando o amigo Mano Décio foi para a Portela, a dupla se desfez. Mas Silas continuou compondo para a Verde-e-Branco de Madureira, muitos dos quais tornaram-se clássicos do gênero, como ‘Aquarela do Brasil’ (1964), ‘Os Cinco Bailes da História do Rio’ – em parceria com Dona Ivone Lara e Bacalhau (1965), ‘Glórias e Graças da Bahia’ – com Joacir Santana (1966) e ‘Pernambuco, Leão do Norte’, com o qual enfrentou – e venceu – o antigo parceiro Mano Décio da Viola, que retornava à escola, em 1968. A última parceria dos dois grandes sambistas foi em 1969 com ‘Heróis da Liberdade’, num ano em que o jeito de fazer samba-enredo passava por grandes modificações, sobretudo no andamento acelerado, lembrando marcha militar.

Mano Décio e Silas de Oliveira não se adaptaram a essa nova postura, pois acreditavam que essa mudança era responsável pelo empobrecimento do samba-enredo. Silas ainda tentou adaptar-se aos novos tempos, mas sua influência no Império Serrano já não era mais a mesma. Nos últimos anos de vida, Silas deixou de se envolver com os desfiles de carnaval, limitando-se apenas a freqüentar rodas de samba onde, na sua concepção, o ambiente era mais tranqüilo.

No dia 20 de maio de 1972, Silas de Oliveira foi à uma roda de samba, pensando arranjar dinheiro para matricular uma de suas filhas no vestibular. No momento em cantava ‘Os Cinco Bailes do Rio’, sofreu um enfarto fulminante. Morreu no terreiro, onde passou a maior parte de sua vida. Nos deixou obras-primas como ‘Meu Drama’ (gravada por Cartola como ‘Senhora Tentação’), ‘Apoteose ao Samba’ (com Mano Décio, imortalizada por Jamelão) e ‘Aquarelas do Brasil’ (que recebeu inúmeras gravações, destacando-se a de Elza Soares e a de Martinho da Vila).


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