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Sebastião Molequinho

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Filho de uma das famílias mais tradicionais do Morro da Serrinha, na zona norte do Rio de Janeiro, Sebastião Molequinho nasceu Sebastião de Oliveira em 23 de outubro de 1920. Criado com doze irmãos em meio aos bailes e blocos carnavalescos organizados pelo pai, o assessor político Francisco Zacarias (que trabalhava para o ministro Edgard Romero), desde cedo teve participação na vida cultural de sua comunidade. As peraltices que aprontou desde muito pequeno chamaram a atenção do tio Manoel, que, numa conversa com o irmão Francisco, fez um comentário que acabou rendendo ao garoto o nome pelo qual ele seria conhecido por toda sua vida: “Esse molequinho ainda vai dar o que vai falar!”

Seria também pelas mãos do tio Manoel que Sebastião Molequinho teria seu primeiro emprego – como ajudante de pedreiro – e passaria a contribuir para o orçamento familiar, que, muito prejudicado após o falecimento precoce de Francisco Zacarias, em 1929, não podia mais ser sustentado apenas pelos diversos trabalhos que a mãe, Dona Etelvina, fazia em casas de família. Mas seria como arrumador da estiva no Cais do Porto que ganharia a vida, trabalhando na carga e descarga de navios durante o turno da madrugada, sobretudo nos armazéns 17 e 18. Atuante também no sindicato dos trabalhadores da estiva, participou da organização de diversas greves da classe, na companhia de colegas de trabalho e vizinhos como Aniceto Menezes, Mestre Fuleiro e Mano Elói, todos ligados ao samba que era feito na comunidade da Serrinha.

Assim com os irmãos João Gradim e Eulália, Molequinho teve participação ativa nos primeiros passos do Império Serrano. Em 1946, ele foi um dos principais defensores da idéia de fundar uma nova agremiação que reunisse todos os insatisfeitos com os desmandos de Alfredo Costa, que presidia a principal escola de samba da comunidade, o Prazer da Serrinha, e naquele ano viu diversos de seus componentes se rebelarem contra a derrubada de um samba-enredo de Silas de Oliveira e Mano Décio da Viola em favor de uma composição do amigo Albano. O Império Serrano seria fundado em 23 de março de 1947 em uma reunião na casa de Eulália e teria João Gradim como primeiro presidente. Caberiam a Molequinho a sugestão do nome, baseado na recém-fundada Império da Tijuca, e a providência da primeira sede, que funcionaria em sua residência, no número 133 da Rua Balaiada – uma parede da casa de três cômodos seria derrubada para que a nova escola tivesse um bom espaço para ensaiar. A partir de 1948, os ensaios da escola se dariam em um terreno cedido por Simplícia, também sua irmã.

Embora seu nome conste como co-autor do samba-enredo que deu ao Império Serrano o primeiro título logo em seu desfile de estréia, em 1948, Molequinho sempre foi categórico em afirmar que o único autor de Antônio Castro Alves é Altamiro Maia, que, mais conhecido como Comprido, lhe deu a parceria como agradecimento pela divulgação do samba. Dono de voz firme e cultivador de boas relações no meio das escolas de samba, Sebastião Molequinho foi um dos mentores imperianos nos vitoriosos primeiros anos da escola, que não só seria tetracampeã até 1951 como completaria a primeira década com um invejável cartel de seis títulos e três vice-campeonatos. Além de Antônio Castro Alves (com Comprido e Mano Décio da Viola), assina a autoria do samba-enredo de 1951, Batalha Naval do Riachuelo (com Penteado e Mano Décio da Viola) e do partido-alto Beberrão (com Aniceto), gravado por Candeia em 1978.

Presidente do Império Serrano em 1959 e no biênio 1969/70, foi nomeado presidente de honra da escola em 1978 – seu rosto e seu nome adornam uma das paredes do mezanino da quadra alviverde, na Avenida Ministro Edgard Romero, 114, em Madureira. Embora tenha trocado a Serrinha pelo bairro de Turiaçu, é hoje uma das figuras mais respeitadas da comunidade que viu nascer o Império Serrano, juntamente com as irmãs Eulália e Maria de Lourdes – esta segunda mais conhecida como Tia Maria da Grota, integrante e referência do grupo artístico Jongo da Serrinha. No Carnaval de 2003, foi homenageado pela comunidade como enredo do bloco Prazer da Serrinha.


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