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Ronaldo kneipp

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Os avós maternos Laura Carmen e Antônio dos Reis Carvalho e os avós paternos Rosina Kneipp e Otaviano Kneipp não deixam dúvidas quanto à ancestralidade portuguesa e alemã do Ronaldo, principalmente, é claro, sabendo-se que o Bisavô paterno, Johann Kneipp era alemão e o bisavô materno português.

Abandonando um pouco esse novelo Kneipp tem-se conhecimento que da união da secretária estenografa, bilíngüe, Mariana dos Reis Carvalho Kneip com o jornalista Edson Tavares Kneipp, nasceram três filhos: Ricardo, Ronaldo e Rosana, e que a partir do nascimento de Ricardo, em março de 1946, Mariana deixou de trabalhar para se dedicar ao primogênito e aos afazeres do lar.

Passados quase 8 anos, em 10/12/1953, na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, nasceu mais um Kneipp: Ronaldo dos Reis Carvalho Kneipp ou simplesmente Ronaldo. Parece até jogo de sueca: que naipe?

Levado, esperto, magrinho e barrigudinho, de cabelos muito escuros e olhos bem azuis foi matriculado para fazer o Jardim de Infância no Colégio Roma. Mais tarde, de 1960 a 1964 estudaria o primário na Escola Municipal Marechal Trompowsky e o ginasial no Colégio Estadual Infante D. Henrique, no período de 1965 a 1968, tendo sido alfabetizado pela Profª Yolanda Rego, mãe da atriz e cantora Tânia Alves.

Apesar de não ter repetido ano, o barrigudinho era terrível! Na sua caderneta escolar não havia quase espaço em branco: quase toda era preenchida com anotações disciplinares e o que mais a mãe recebia em casa eram queixas e reclamações. Só não era malcriado; mas indisciplinado, travesso e inquieto, isso era!

No posto de saúde perto de sua residência médicos e enfermeiros o conheciam de sobra, pois lá esteve 6 vezes para curativos e suturas no couro cabeludo devido a traumas durante a infância. Uma das músicas do CD Encontro Marcado, “Guri Travesso”, feita por Carlos Eduardo para o filho Bruno, deve ter levado esse título em alusão ao terrível Ronaldo, que não chegou a mergulhar o irmão numa banheira com sabão em pó mas quebrou o nariz da irmã Rosana com uma cotovelada em conseqüência de seus “moderados” gestos. Um pouco estabanado, como diziam os antigos.

Era protegido pelo irmão mais velho, Ricardo, mas mesmo assim levou algumas surras de sua mãe em razão das queixas da irmã menor, Rosana, que inventava histórias e era uma criadora de casos e confusões.

Apesar de tricolor desde pequeno e dessas “qualidades todas”, era estudioso, inteligente, e em 1968, quando cursava o 4º ano ginasial, venceu o Concurso de Redação da Secretaria de Educação do Estado da Guanabara, cujo prêmio era uma bolsa de estudos integral, até o vestibular. O prêmio foi recusado por sua mãe que argumentou serem as escolas públicas superiores às escolas particulares e que por ser Ronaldo inteligente, estudioso e preparado, passaria no vestibular, devendo deixar a bolsa de estudos para um aluno carente. Outro prêmio que ganhou antes de entrar para a faculdade foi o de Melhor Aluno de Português, do Jornal O Globo.

O 1º e o 2º ano científico fez no Colégio Estadual Senador Alencastro Guimarães em 1969 e 1970, e o terceiro ano Curso Miguel Couto, local onde conheceu o ainda Carlos Eduardo e não o popular Bode.

Sempre morou em Copacabana e seus principais amigos de infância foram Juarez, Frederico e Carlos Alberto e na juventude Pina (Orlando Pinna), Melão (Paulo César Samico) e Zé Renato. Havia ainda o Cabeça. Chegavam do colégio e desciam para a Av. N.S.Copacabana ou Av. Atlântica, que eram os seus points principais, decidindo na hora o que fazer. Jogar bola no “morrinho” ou na praia, tocar violão e fazer zona na casa do Zé Renato, jogar “peitoril” com bola de meia na porta da garagem do Edifício Itamar, comer um pedaço de pizza no “Manel e Raimundo” (na galeria do Ricamar), jogar botão no corredor ou na mesa de botão do Melão eram suas atividades mais freqüentes . O tal “morrinho”, Estádio Monumental do Morrinho, onde jogavam bola quase todos os dias ficava numa rua de paralelepípedos, perto de casa, e tinha vários acidentes geográficos, devidamente batizados: “Pico dos p...tos”, “Poste das P...cas”, e o mais famoso de todos, o chamado “Precipício das ...” onde a bola caía sempre e para apanhá-la tinham que ser enfrentados dois cães ferozes. Para resolver este problema crônico, resolveram eles mesmos construir um muro, orgulhosamente concluído mas que não resistiu à primeira bolada.

Já serelepe teve várias namoradas, ainda precoce, e uma delas chamava-se Betinha, muitos anos antes da era Valéria, de Tebas.

Ronaldo certa vez convidou o Pinna para sair junto com ele, uma namorada e a respectiva colega. Foram em seu carro uma boite na Barra e lá pela 3 da manhã, disse ao Pinna que ia dar uma saidinha lá fora e voltaria logo. Desapareceu e somente às 6 da manhã o amigo foi dar conta que ele e sua acompanhante haviam sido esquecidos pelo casal Ronaldo e respectiva. Sem condução, sem grana e sem meio de comunicação, ficaram sentados na rua até às 8:00 horas, quando então surge do motel ao lado o casal feliz. Tempos mais tarde levou o trôco, durante um carnaval, em Tebas.

Por falar em Tebas, era nesse lugar, um Distrito do Município de Leopoldina, MG, cuja história tem muitos pontos comuns com Valença (tem 6 Distritos, era habitado pelos Puris e Coroados, desenvolveu a cafeicultura a partir da crise mineradora, fazia parte das Áreas Proibidas, possuía o maior contingente de escravos da região, as primeiras sementes de café que deram origem ao plantio foram levadas de Valença, Valéria morava aqui e foi cantada lá) que Ronaldo costumava passar as férias escolares em um sítio da família, e ainda levava os amigos. Passeios a cavalo, futebol, vôlei, sinuca, ping-pong, banhos de cachoeira, e muitos bons momentos tornaram Tebas bastante especial para Ronaldo, assim como viria a ser Valença.

Numa dessas férias o Melão foi para lá, passar o carnaval e foi tratado com pompas e circunstâncias, principalmente pelas moças. Sem entender o porque de tanta atenção, acabou sabendo que o Ronaldo inventou e espalhou na região que iria levar para a casa dele o Zanata (meio campo do Vasco). Toda a cidade achou que o Melão fosse mesmo o famoso jogador e tudo deu certo para eles, para o azar o delas.

Já metido a compositor, Ronaldo resolveu inscrever uma de suas músicas no festival do colégio e “contratou” o Pinna e o Zé Renato para a apresentação. A música dizia assim: “Toda a luz do sol / todo o som do mar / toda ...” Acontece que essa dupla, Zé Renato e Pinna, durante os ensaios só cantava a versão que eles fizeram,: “Bunda nua ao sol / virada pro mar / etc...”. Em todos os ensaios era a mesma coisa: “Bunda nua ao sol / virada pro mar”. No dia do evento, após os acordes da introdução, só conseguiram se lembrar da versão e depois de três tentativas, finalmente Ronaldo lembrou a música original, mas foram devidamente gongados.

O repertório do trio é vastíssimo. Veja o que conta um deles, o Pinna: “Um outro caso muito legal e que ficou certamente na nossa lembrança, foi a minha ida à Valença com o Ronaldo para assistir um Show do Zé Renato (Já no Boca Livre). Imagine, Eu, Ronaldo e Zé Renato, anos depois de um certo afastamento (Ronaldo em Valença, Zé iniciando a sua carreira de músico e eu fazendo Engenharia Química no Fundão) nos reunindo de novo na histórica Valença num show do Zé. Era o máximo! O problema era na infra-estrutura de nossa viagem. Todo mundo meio durango, o Ronaldo disse que um amigo de um amigo de um amigo, nos emprestaria a casa de um conhecido (com algumas desavenças com o Ronaldo). Imediatamente perguntei se não haveria problemas de usar a casa de uma pessoa que não conhecíamos e o Ronaldo, como sempre com aquele ar de dono de Tebas me disse; Claro que não! Tá comigo tá com Deus! O dono da casa se casou e está passando a lua de mel viajando! E assim chegamos numa noite fria e chuvosa na porta da casa do tal “amigo”. Nesse momento senti que a nossa estadia não seria das mais tranqüilas, pois fomos recebidos por uns 3 cachorros enfurecidos que mordiam a grade na falta de nossas bundas (objetivo direto dos animais). Após uns 10 minutos de impasse, resolvi fazer um gesto de desespero (estávamos mortos de cansaço após a viagem e loucos por entrar na casa e tomar aquela cervejinha); virei de costas para os cachorros, coloquei o casaco de couro preto sobra a cabeça e gritando loucamente parti para cima dos cachorros, que aterrorizados fugiram para a casinha, de onde se arrependeram ter saído. Já em casa, ficamos batendo papo e tomando cerveja, quando resolvemos dormir. Qual não foi o nosso susto (e o do dono da casa), quando o casal retornando da lua de mel entrou às 3:00 hs da manhã e se deparou com nossa equipe espalhada pela casa. A coisa só não esquentou porque a noiva, na sua grande sabedoria, resolveu ir para o hotel com o dono da casa e voltamos a dormir.”

Certa vez seus pais ofereceram um jantar ao General Iba Meireleles e Sra. e Ronaldo, com 5 anos de idade, foi chamado para cumprimenta-los e Marina, sua mãe, crente que ia agradar aos convidados, pediu que ele dissesse ao casal o quanto gostaria de ser soldado, ao que prontamente respondeu Ronaldo, para espanto geral: “Eu não quero ser soldado porque soldado mata gente. Eu quero ser médico porque médico salva vidas.”

Matriculou-se na FMV em 1972 e foi morar no Chalé da Juventude, situado lá no final da Rua Silva Jardim. A partir do 2º ano mudou-se para a Rua Quintino Bocaiúva, 194, casa 1, na frente do campo do Benfica, onde permaneceu até sair de Valença para o internato, ao final de 76. Nesta república moraram Paulo César Capelani, Abelardo Bastos Pinto Jr., Jorge de Paula Guimarães, Aray Rezende Xexéo Darte, e Sebastião Barros.

Durante sua permanência em Valença fez dos bares do Vicente, Zequinha, Kit-Kat, Arlete e Chinês seus points principais, além das peladas no campo do Benfica, os bailes do Coroados e a casa da Márcia. A partir de 1975, compulsoriamente, foi obrigado a incluir no seu roteiro os ambulatórios e enfermaria de Clínica Médica e Pediatria, além de plantões em Rio das Flores, o que reduziu, em muito, sua disponibilidade de tempo para os locais anteriormente freqüentados. Com a provação no concurso para monitoria de Clínica Médica a situação piorou bastante e foi “condenado” a dedicar muito mais tempo às atividades do Serviço e como costumavam dizer, ralou muito. Não tinha manhã, tarde, noite ou madrugada: era tudo igual. Tinha que fazer a evolução e medicação dos pacientes, estudar os casos clínicos, participar das sessões clínicas, clube da revista, seminários, ler sei lá quantos artigos por semana e ainda fazer as pesquisas e trabalhos científicos para os congressos e reuniões, e ainda estudar as matérias curriculares e passar de ano.

Como acadêmico foi obrigado a estar presente em vários Congressos, Simpósios, Seminários e outras reuiniões científicas. Autor de um trabalho sobre Vitamina C e Colesterol, foi premiado com o 1º lugar no Congresso Médico de Campos e citado anos mais tarde como trabalho pioneiro no Brasil sobre o assunto. Ralou muito mas as cicatrizes foram boas.

Ronaldo cita como marcantes os Profs. César Poggi de Figueiredo Filho (segundo ele o único milico não odiado da época), Domingos Arthur Machado Filho, Rubens Lopes da Costa Filho, Jorge José Serapião, Cândido Benedicto de Oliveira Ribeiro (Candinho) e Ataliba Macieira Bellize, que foi o responsável por sua opção pela Endocrinologia.
Em 15 de dezembro de 1977, o Coronel César Poggi de Figueiredo Filho, Diretor da FMV, diferentemente do Capitão Inácio de Sousa Werneck ao final do século XVIII, dissolveu a tribo, espalhando-os pelo mundo afora e obrigando-os a seguir seu caminho, ao lhes conceder o grau de Médico.

Completou sua formação acadêmica como Interno e Residente no Serviço de Clínica Médica do Hospital Naval Marcílio Dias e no Curso de Endocrinologia do Prof. Rogério Oliveira.

Profissionalmente foi médico da Secretaria de Estado de Saúde do RJ, lotado no Hospital Pedro II e IASERJ (Serviço do Dr. Fernando Clapauch), ambos na área da endócrino, desde 1978. Em 1992 pediu demissão do Estado. Endocrinologista referenciado da URPE, foi ainda, de janeiro de 1981 a outubro de 1987, médico endocrinologista da AMICO (Assistência Médica a Indústria e Comércio) e foi exatamente na AMICO que conheceu Ana Lúcia, com quem vive até hoje.

Pós-graduado em Endocrinologia pela Escola Médica da Pós-Graduação Carlos Chagas, com a maior média em todas as áreas de pós-graduação (condecorado com a Medalha do Mérito Benjamin Albagli), é especialista em Endocrinologia por título concedido pelo Conselho Federal de Medicina e atualmente desenvolve suas atividades no Hospital da Lagoa, sendo um respeitado e conceituado Médico, em toda a concepção e definições da palavra.

Em novembro de 1980, o JBM (Jornal Brasileiro de Medicina, publicou um trabalho de sua autoria “Conduta na Cetoacidose Diabética”, que revolucionou o esquema terapêutico, lançando as baixas doses de insulina por via IM. Certa vez, na época em que ralava por imposição da Clínica Médica da Faculdade, foi “obrigado” a assistir à palestra do Prof. Wagner Martignone de Figeiredo sobre o mesmo tema e com certeza deve ter se lembrado dos seus ensinamentos.

Desinibido e metido a recitar e a cantar desde cedo, teve a quem sair: o avô Antônio era poeta e a tia Beatriz dos Reis Carvalho (Kiki), também poetisa, foi a primeira mulher a receber o prêmio da Academia Brasileira de Letras, com livros publicados como “Minha Cidade Eterna”, com poemas sobre a cidade do Rio de Janeiro.

Desenvolveu seus dotes de compositor em 1967, com a primeira música intitulada “Menina”. Daí até os dias de hoje sabemos terem sido feitas uma série de outras composições, mas infelizmente só conseguimos os registros até 1976. Foram 117: Menina – O Bilhete (c/ Zé Renato) – A Noite do Primeiro Beijo (c/ Zé Renato) – Versos de Amor – Desejo – Márcia (c/ Zé Renato e Orlando Pinna) – Sim, Eu Sei – Morena – Jogada Errada – Saudade – Tudo o que há em mim (c/ Zé Renato e Orlando Pinna) – Só Palavras (c/ Orlando Pinna) – Nega – Um Fato a Mais – O Morro Não Pode Chorar –Madrugada – Pra Enganar (c/ Zé Renato) – Estória – Serenata (c/ Zé Renato) – Môça Feia (c/ Zé Renato) – Garota da Praia – Tempo que Foi – Seja Lá o Que Deus Quiser – Quem Vê Cara Não Vê Coração – Violão – Você – Ana Maria – Pra Me Encontrar – Desencanto – Ana Maria (c/ Zé Renato) – Pra Me Encontrar – Desencanto – Em Pratos Limpos – Noite (c/ Zé Renato e Prentisse Maciel Teixeira) – Manchetes – Fale Baixinho – Jogando Pro Alto – Asterisco (c/ Fábio Tedeschi) – Por Gostar de Você – Turbilhão (c/ Fábio Tedeschi) – Outro Mundo (c/ Fábio Tedeschi) – Rua Duvivier (c/ Fábio Tedeschi) – Ei, Boneca (c/ Zé Renato) – Prá Você (c/Zé Renato) – Um Café – Adriana – Menos de Você – Meus Versos Vãos – Por quê – Seu Retrato – Alvorada (c/ Zé Renato) – Mônica (c/ Zé Renato) – m Olhar Seu (c/ Zé Renato) – Manhã – De Nós – Força Maior – Dentro Desses Olhos (c/ Zé Renato) – Corrida (c/ Zé Renato) – Segredos (c/ Zé Renato) – Batucada – Por Mim – A Qem Interessar Possa – Meio Sem Qerer – Intervalo – Fuga – Adeus Meu Samba – Sempre Assim (c/ Aray Rezende Xexéo Duarte) – Por Outro Lado (c/ Aray Rezende Xexéo Duarte) – Só Pra Quem Pode – Cachaça Com Limão – Procuras – Prá Quem Esqueceu – Ah, Dora... – Roda Gigante – Mil Horas Perdidas – De Um Novo Dia – Testamento – O Andarilho – E o Medo – Momento – Ano Novo – Violão Por testemunha – Por Tanto Sonhar – Gente – Encontro – Hoje Tem – Lugar Comum – Tem Que Ser Você – Miragens – Em Cada Sonho – Despertar – Perdido – Na Saudade do Mar – Dois Olhos (c/ Zé Renato) – Fica Longe (c/ Zé Renato) – Destino Traçado (c/ Zé Renato) – Rosa da Praia – E Por Que Não Um Pato? – Sol da Manhã – Parada Total – Particípio Passado – Nos Termos da Lei – Caso Complicado – Independência e Sorte – Coisa à Toa – Encontro Marcado – Caminho de Volta – Segundo Andar – Meg – Coisa e Tal – Conselho – Idéia Fixa (c/ Diógenes Carvalho da Silva – Didi) – Feiticeiro – Na Palma da Mão – Forte – No Fundo do Meu Quintal – Bem Querer – Verdade – Amigo Velho - A Meus Irmãos (esta música resume, origem, educação, base moral e a história de Ricardo, Ronaldo e Rosana).

Participou de vários festivais de música tendo suas canções obtido bem classificadas em vários deles, destacando-se: Adriana - 2º lugar (Festival do Colégio Estadual Senador Alencastro Guimarães- 1971, tendo no corpo de jurados o compositor Braguinha e a cantora Emilinha Borba); Violão - 5º lugar (Festival do Colégio Estadual Senador Alencastro Guimarães- 1971); Cachaça com Limão – 1º lugar (I Festival Universitário de Música de Valença-1974); Dois Olhos (c/ Zé Renato) – 2º lugar (II Festival Universitário de Música de Valença-1975); Idéia Fixa (c/Didi) – 1º lugar (III Festival Universitário de Música de Valença-1976).

Quase 40 anos após a sua primeira composição, tem agora em 2006, oito de suas músicas, Gente, Encontro Marcado, Pasta de Dente, Cachaça com Limão, Na Palma da Mão, Dois Olhos e Coisa à Toa , gravadas no CD que leva o nome de uma das músicas, Encontro Marcado, muito bem produzido por Marcos Cardoso.

A parte mais complicada da vida do Ronaldo é quando entra mulher na história. Segundo consta, o tal magrinho, barrigudinho de outrora, de cabelos muito escuros e olhos claros, hoje muito mais barrigudo do que antes e com os cabelos bastante embranquecidos, entre uma fase e outra foi verdadeiramente um tremendo “galinha”, segundo conceituação de algumas que estiveram envolvidas no confuso binômio Ronaldo/mulheres, esquecendo-se que Noel Rosa, dentre muitas, teve Clara, Josefina, Lindaura e Ceci e que Vinícius de Moraes, oficialmente teve Tati, Regina, Lila, Maria Lúcia, Nelita, Cristina, Gesse, Marta e Gilda. Que diferença faz de Mônica, Valéria, Virgínia, Clênia, Vânia, Lynd, Denise e Ana Lúcia se todos eram poetas e compositores? Afinal Vinícius tinha razão quando escreveu:

"São demais os perigos desta vida
Pra quem tem paixão principalmente
Quando uma lua chega de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher..."

Não fosse Ceci e talvez não pudéssemos ouvir “Nosso amor que eu não esqueço / e que teve o seu começo / numa festa de São João. / Morre hoje sem foguete / sem retrato e sem bilhete / sem luar, sem violão..”. Não fosse Valéria e não teríamos “Vi meu Rio adormecer / nos braços da madrugada. / Vi meus sonhos anoitecer / no lembrar da namorada...” . Interessante é que existe uma Valéria Kneipp mas, ao que parece, nada tem a ver com este Kneipp ou com aquela Valéria, de Tebas.

Geni, marias e clarices se revezaram até que sete anos após ter se formado, em 1984, o cidadão resolveu se casar. Até aí nada de mais, não fora o motivo do casamento: cumprir a palavra dada a uma jovem de Tebas (sempre Tebas) que era sua prima. Tinha tudo para não dar certo e já voltou da lua de mel arrependido. Um ano e meio depois se separaram. A vítima: Vânia. Três anos antes desse casamento, conheceu as médicas Lynd Sue e Ana Lúcia, na Amico. Lynd veio a se separar, em 1985, na mesma época que o Ronaldo e iniciaram um relacionamento que durou até 1989, quando ela lhe mostrou o cartão vermelho, quatro meses depois do nascimento do filho Vitor Diniz Kneipp, hoje com 16 anos, aluno do Colégio Santo Agostinho. Os motivos: ela não diz mas Ronaldo sabe.

“Como acabou tanta coisa / Que eu acho que nem começou..."

De 1989 em diante, casos e casos, com alta prevalência para o caso da Denise que se manteve em cena até 1992.
Com 39 anos, diabético insulino-dependente, mais maduro, menos afoito, entendeu que deveria alterar a rota. Foi então que voltou os olhos para Ana Lúcia a quem conhecia desde os tempos de solteiro, quando trabalhavam na Amico. Ana Lúcia, inclusive, foi uma das convidadas para o seu casamento com a Vânia. Com a desculpa de tratar dos assuntos relativos à uma cliente que Ana Lúcia havia lhe encaminhado, Ronaldo passou a intensificar os contatos, um telefonema aqui, um recado ali, uma carona para lá até que numa festa da Amico, realizada no Clube Federal, dançaram a noite toda, e até hoje, há 12 anos, Ana Lúcia Fragoso Tavares cuida do rebelde.

"O vento soprando as dores
Trouxe o sol e as cores
De uma alvorada
Fazendo com que o olhar brilhasse
E enfim se apagasse
Uma vida errada ..."

Apesar de parecer estar regenerado, nenhuma delas reformulou seu conceito sobre ele e são taxativas, mudando apenas o tempo do verbo, mas nunca o adjetivo: “era um galinha!” Em seguida acrescentam: “mas é um poeta!”. Pelo jeito Vinícius tinha razão e Ronaldo foi absolvido.
Noel Rosa, já doente, com os dois pulmões tomados pelo BK foi ao médico e ouviu o veredicto:
- Noel, se continuar assim, fumando, bebendo, dormindo e comendo mal, boemia e mulheres, você só terá mais 2 anos de vida, rapaz.
Ao que Noel respondeu:
- Mas tudo isso doutor!?

Tivesse sido ameaçado de ser submetido à hidroterapia no Tanque de Kneipp, com base nos controvertidos e combatidos fundamentos do “ancestral” Pe. Sebastian Kneipp talvez mudasse de rumo. Continuou na boêmia, fumando, bebendo, dormindo e comendo mal. Morreu aos 26 anos, deixando mais de duas centenas de músicas.

Espera-se que o nosso poeta não copie Noel Rosa e dê uma chance a si mesmo. Já que aboliu a boêmia, a fase de caçador e dos casamentos também passou e a idade já começa a ser um fator complicador, não custa muito suprimir o fumo, diminuir o chopp e corrigir a alimentação. Afinal, a tal síndrome X existe mesmo, ainda faltam muitos festivais para participar, muitas canções para serem feitas, outro Encontro Marcado, muitos pacientes dependem de você, os amigos o querem perto, os sobrinhos Vanessa, Marcelo e Mariana também, Vitor o espera na formatura dos filhos dele e Ana Lúcia não deve levar susto a toda hora.

“Lembra que existes, / Que és gente / E que tens que viver...!”


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